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Paralamas em trio: 10 momentos históricos

Nesta sexta, 19 de fevereiro de 2016, os Paralamas do Sucesso começam um final de semana de shows em São Paulo, no Teatro Safra. A novidade das apresentações será que somente Herbert, Bi e Barone estarão no palco, sem os já tradicionais músicos que os acompanham há anos (João Fera, Monteiro Júnior e Bidu Cordeiro). Os Paralamas, como se sabe, começou tocando em trio. Entre 1982 e 1985, eram só os três pelos palcos Brasil afora. Essa é uma época de vários momentos importantes – e alguns engraçados – do grupo. A gente aproveita o clima para relembrar 10 deles aqui:

1) Vovó Ondina

Rua Sousa Lima, Copacabana, Rio de Janeiro, 1978. Bi Ribeiro voltava de uma viagem à Europa para fazer o Ensino Médio no Colégio Bahiense, e ficou morando no apartamento de sua avó, Ondina de Amorim Nóbrega (1904-1999). Logo que chegou ao Rio, Bi retomou a amizade com um velho conhecido de Brasília: Herbert Vianna. Não demorou muito, e aquela dupla se aproximou de um colega de Bahiense que adorava batucar nas carteiras da sala de aula. Aquele colega virou amigo fiel de ambos: Vital Dias.

E o trio Herbert-Bi-Vital começou a ensaiar num quarto no mesmo apartamento daquela que seria a adorável incentivadora dos primeiros tempos dos Paralamas do Sucesso: a Vovó Ondina. Tocando alto como tocavam, quase sempre a vizinhança ligava para a polícia, ordenando que acabassem com a algazarra. Aí, os policiais batiam na porta da casa, e aquela senhora dizia com educação que os ensaios não atrapalhavam a dona da casa, que talvez os vizinhos estivessem exagerando. Os policiais iam embora, e Vovó Ondina salvava algumas horas de mais um ensaio dos Paralamas, que teriam gratidão eterna a ela. A ponto de comporem uma canção, “Vovó Ondina é gente fina”, que até esteve em Cinema Mudo, o primeiro disco. O quarto com paredes cobertas por fotos dos ídolos (ou deles mesmos) só seria deixado no final dos anos 1980.

 

2) O show na Rural: o trio se encontra

O vestibular chegou, e os três amigos se afastaram, cada um numa universidade. Até 1981, quando Herbert e Bi voltaram a conviver com mais proximidade, encontrando Vital pouco depois. Recomeçados os ensaios nos “Estúdios Vovó Ondina”, pouco depois souberam de um festival de música organizado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, onde Bi cursava Zootecnia. Ali, inscreveram duas músicas: “Mandingas de amor e “Pinguins”. Numa escala de 0 a 100, ambas levaram… 0. Ficaram de fora, ainda na primeira fase do festival. Sabe-se lá como, Herbert conseguiu que os Paralamas tocassem no intervalo entre a apresentação dos candidatos e a divulgação do resultado.

Só que, na hora daquele show improvisado, Vital não aparecia. Estava iniciada a temporada de “caça” de Herbert e Bi a um baterista. Depois de alguns minutos de tensão e procura frenética, um amigo em comum (Carlos Eduardo Neves Facre, o “Super”) viu um conhecido e exclamou: “Bi, olha aqui, esse cara toca bateria!”. O conhecido era um cidadão que fazia parte de uma banda de covers dos Beatles. Claro, aqui entra na história João Barone, que estudava Biologia na Rural. E aquele show do intervalo do festival de 1981 foi a primeira vez que Herbert, Bi e Barone tocaram juntos, após uma brevíssima apresentação e uma explicação mais breve ainda do repertório a ser apresentado. Só não era bem trio: aquela formação “pré-histórica” dos Paralamas tinha dois vocalistas. Eram Ronaldo Carvalho, o “Ronei”, e Arnaldo Bortolon, o “Naldo”. Nossos três conhecidos apenas tocavam.

3) Shopstake: o trio se define

Depois daquela apresentação marcante no intervalo do festival da Universidade Rural, novamente os Paralamas desaceleraram as atividades. Segundo a biografia Vamo batê lata, do jornalista Jamari França, Bi tentava marcar um show conjunto dos Paralamas (ainda com Vital Dias na bateria) e do grupo de covers dos Beatles em que Barone tocava, no Shopstake, bar que ficava no campus da Rural. Um belo dia, deu certo. Era 9 de setembro de 1982 quando os Paralamas chegaram ao Shopstake para tocar. Só que o outro grupo deu o cano, exceto por um integrante. Desnecessário dizer qual…

Eis que Barone e Vital estavam lá. Combinou-se que um tocaria duas músicas com Herbert (que já cantava) e Bi, o outro tocaria as duas seguintes, e assim sucessivamente. Barone executou as primeiras. Vital, as outras. E aí… há quem diga que Vital saiu discretamente antes da apresentação terminar, há quem diga que ele ficou até o fim. O que se sabe com certeza é que, após aquele show, ficou claro para Herbert e Bi que a química maior tinha rolado com aquele estudante de Biologia conhecido às pressas no ano anterior. E no Shopstake nasceu o trio definitivo: Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone. Mas como se sabe, Vital manteve-se intimamente ligado aos Paralamas, indo aos shows e convivendo com todos até seu falecimento, em março do ano passado.

4) A primeira apresentação oficial: Western Club

Selando aquela união feliz, Barone levou a sua bateria para os ensaios, que continuavam a todo vapor no apartamento da Vovó Ondina. E não demorou muito para rolar a primeira apresentação oficial dos Paralamas do Sucesso. Em 30 de novembro de 1982, o Jornal do Brasil anunciava na seção de shows do seu Caderno B: “Terça e quarta, no animado Western, às 21h30, estreia do jovem grupo de new wave intitulado Paralamas do Sucesso. Meio hermético, o título, buzina não seria melhor?”.

Aquele show contou com um verdadeiro mutirão de amigos na divulgação, com filipetas e cartazes, e outro mutirão na logística (reza a lenda que trabalharam na bilheteria o jornalista Tom Leão, frequentador dos ensaios na Vovó Ondina, e o antropólogo Hermano Vianna, irmão de Herbert). A gozação era a regra nos shows: todos eles iam para o palco vestidos de escafandristas, ou de gângsteres etc. Foram um sucesso, lotaram o hoje extinto bar Western Club e até renderam um dinheiro para bancar a fita demo dos Paralamas, logo entregue à Fluminense FM – que fez de “Vital e sua moto” um sucesso no Rio de Janeiro.

5) As “inéditas” e as covers

“Pinguins já não os vejo pois não está na estação/Espero encontrá-los no outro verão/Usando uma casaca/Com ventilação”. É o refrão de uma das várias canções da época conhecida pelo trio e pelos colegas mais próximos como “Paralamas pré-cambriano”. Isto é, aquela fase onde nem se sonhava com disco e carreira sólida. Esses são alguns nomes das inacreditáveis canções que só os fãs mais ardorosos conhecem: “Pinguins”, “Rodei de novo”, “Mandingas de amor”, “Reis do 49”, “Cínica”…

Algumas dessas músicas galhofeira, que integram a primeiríssima fase da banda, foram parar em Cinema mudo, o disco de estreia: “Encruzilhada” (chamada “Encruzilhada agrícola-industrial” antes), “Patrulha noturna”, a citada “Vovó Ondina é gente fina” e o sucesso “Vital e sua moto”. Havia ainda “Solidariedade não”, que criticava o governo na Polônia: o militar comunista Wojciech Jaruzelski, presidente de lá, perseguia e censurava integrantes do sindicato Solidariedade. Essa canção estava na fita demo enviada à Fluminense FM, e é a única música censurada dos Paralamas até hoje.

Sem contar as toneladas de covers que Herbert, Bi e Barone tocavam naquelas primeiras apresentações (incluindo o sonhado show no Circo Voador, em 8 de março de 1983). Eram versões de artistas que os influenciaram: Led Zeppelin, The Clash, The Who, The Police, The Jam, Selecters, Bob Marley, a versão de Sid Vicious para “My Way” etc. Tempos depois, com os dois primeiros discos já lançados, os Paralamas seguiram tocando covers, agora de colegas de geração. No documentário Paralamas em Close-Up, João Barone comenta: “Nessa época a gente era banda de baile: tocava música da Legião, tocava ‘Sonífera Ilha’, Lobão, Lulu, Magazine, Ultraje…”.

Sem contar que havia ainda as canções que eram testadas ao vivo, mas nunca foram gravadas pelos Paralamas. “O bilhetinho” ficou para Eduardo Dussek (“Eu recebi seu bilhetinho me dizendo que queria me encontrar/E um encontro com você é uma coisa que eu não posso evitar/Você feriu, me machucou, me desprezou/Me humilhando na escola com outro garotão/Mas eu te amo, meu bem/Já não posso mais dizer que não”). E “Posso até dizer que sim” ficou só na memória de quem foi àqueles shows – e nos bootlegs (gravações piratas) dos Paralamas: “Não há nada no mundo que eu queira mais/Só quero estar com você/Então, você me beija mais um pouco/Sensação que nem parece mais ter fim/Posso até dizer que sim”.

Ah, só para constar: durante a recuperação de Herbert Vianna, tocar as músicas da época “pré-cambriana” dos Paralamas foi uma das principais “terapias”. Tanto que “Pinguins” foi registrada num show fechado, na sede da gravadora EMI, e foi parar no DVD de Longo Caminho como um dos extras.

6) Aparições na tevê

Como trio, os Paralamas logo começaram a divulgar seus primeiros álbuns em vários programas de auditório. Os indefectíveis playbacks eram feitos no “Cassino do Chacrinha”, no programa de Raul Gil, no programa de Xuxa Meneghel (na recém-fundada TV Manchete), no “Globo de Ouro”, na “Bolsa de sucessos” (parada da TV Record)… mas talvez nenhuma aparição de divulgação seja tão lembrada quanto a vez em que os três foram ao “Bozo”, no SBT (então TVS), para divulgar Cinema Mudo. Não só tocaram “Foi o mordomo” – com Barone “dublando” a guitarra! -, mas também participaram das gincanas.

Mas nem só de playbacks viveram os Paralamas como trio na TV. Em 1983, também fizeram uma honrosa aparição no programa “Fábrica do som”, da TV Cultura paulistana, cantando “Vital e sua moto” e “Química” ao vivo, no SESC Pompeia. E já em momentos posteriores, um dos programas preferidos era ir ao zoneado “Perdidos na noite”, apresentado por Fausto Silva (primeiro na TV Record, depois na TV Bandeirantes), onde quem sabia, fazia ao vivo. Inclusive, ao lançar Selvagem?, em 1986, os Paralamas fizeram lá uma das últimas apresentações como trio.

7) Experiências em Nova Iorque e na Argentina

Ainda durante a divulgação do primeiro álbum, os Paralamas fizeram a primeira apresentação fora do Brasil. Foi em setembro de 1983, na Danceteria, uma casa de shows em Nova Iorque, para onde viajaram junto de Lobão & Os Ronaldos. Lá, não só tocaram o repertório conhecido, mas também citavam as costumeiras influências – rola na internet uma versão de “Areias escaldantes”, de Lulu Santos, feita ali.

Na época, Herbert declarou à jornalista Sonia Nolasco, que cobriu os shows para o jornal O Globo: “De público, foi genial. Foi a primeira vez que a gente cantou para um público que não entendia nada do que estávamos cantando. Ninguém conhecia nenhuma de nossas músicas, ao contrário daqui, onde o público sempre conhece uma ou duas e por isso somos obrigados a colocá-las de maneira estratégica dentro do show. Lá a gente tocava as músicas na ordem que quisesse. Era gostar de cara ou não. Mas o DJ do Danceteria falou para a gente que já viu grupos tocarem lá e depois de cinco minutos de show o público começar a ir embora para outros andares dançar ou ver vídeos. Mas quando fomos nos apresentar lá, as pessoas ficaram até o final”.

Finalmente, a história de amor dos Paralamas com a Argentina também começou com o trio: em fevereiro de 1986, Herbert, Bi e Barone tocaram no festival Chateau Rock, realizado no estádio Chateau Carreras, na cidade de Córdoba, com o Soda Stereo e a Blitz (em uma de suas últimas apresentações com a formação original). Foi a primeira vez deles no país que se tornou quase uma pátria adotiva.

8) O Rock in Rio

Você já sabe da importância que o primeiro Rock in Rio teve na carreira dos Paralamas. Sabe que a banda entrou como uma das últimas a serem escaladas para o primeiro festival de proporções gigantescas que a cultura pop brasileira pôde ver. Então, pouco há a falar. Basta ouvir (este vídeo de “Óculos” é da primeira apresentação, em 13 de janeiro de 1985 – o DVD mostra a apresentação do dia 16 de janeiro).

9) A primeira aparição com João Fera

Talvez nenhuma pessoa que tenha estado lá sabia. Mas quem foi ao show dos Paralamas em 26 de outubro de 1986, no Colégio Salesiano, em Niterói (RJ), testemunhou a primeira e histórica aparição de um acompanhante dos três, no palco: o tecladista João Carlos Gonçalves. Na verdade, quando começou a carreira, nas bandas de baile do interior fluminense, João dava aulas de violão – João Barone até fora um de seus alunos. E outro aluno (que conhecia outro sujeito chamado João Carlos) passou a chamar Gonçalves de “o João que é fera no violão”. Não demorou muito para daí vir o apelido definitivo: João Fera.

Tempos depois, precisando substituir o tecladista do seu grupo, Fera aprendeu rapidamente o instrumento. E foi como tecladista que ele chamou a atenção dos Paralamas, que já buscavam ampliar o espectro sonoro dos arranjos em shows e discos. Como você pode supor, o maestro João Fera até hoje acompanha o trio. E saiba: desde aquele 26 de outubro de 1986, o tecladista anota em cadernos cada show, cada gravação em estúdio, cada programa de televisão e rádio que faz junto dos Paralamas.

10) O trio depois

Desde outubro de 1986, João Fera acompanha os Paralamas. E desde 1988, os Paralamas contam com um naipe de metais no palco e nos discos (sem contar o percussionista Eduardo Lyra, que esteve com o trio entre 1993 e 2005). O que não quer dizer que Herbert, Bi e Barone não tenham mais estado sozinhos para apresentações. Isso ocorreu muito de lá para cá, principalmente na década passada.

Por exemplo: em 30 de agosto de 2003, o trio decidiu fazer uma “saideira” no apartamento onde morara Vovó Ondina, que estava para ser vendido. Foram mais de três horas de “show”, exclusivo para parentes e amigos próximos, para lembrar os velhos tempos de ensaios intermináveis. Ali, não só o repertório da fase inicial dos Paralamas, mas também os covers: “My Way”, Clash, Police, Stray Cats, Led Zeppelin, Who, Hendrix, Cream… num formato antigo deste site, João Barone escreveu um texto sobre aquela última vez que tocaram na casa que tão bem conheciam (leia aqui!). Falando ao jornalista Arthur Dapieve para o livro de fotos dos Paralamas, Barone comentou: “A gente tocou ‘Vovó Ondina é gente fina’ ad nauseam”. Como no início dos anos 1980, teve batida policial por causa dos vizinhos reclamando e tudo…

Tempos depois, em 21 de fevereiro de 2006, houve uma apresentação do grupo no Teatro Odisseia, no bairro carioca da Lapa. Foi em mais uma das festas Ronca Ronca, baseadas no programa homônimo do fotógrafo-DJ-baixista-amigo-de-fé-irmão-camarada Maurício Valladares. Convite de Mau Val não se recusa. E lá foram os Paralamas para fornecer o som da festa, seguindo o que geralmente fazem como trio: cantar os próprios sucessos, salpicados com covers generosos de quem lhes forneceu o norte musical. E dá-lhe mais Clash, Police, Zeppelin, Hendrix, Cream etc… Novamente ao livro de fotos, Barone descreveu: “Só os três, no osso, no peito e na raça”. De vez em quando, “só os três” aparecem nos estúdios em que Mau Val comanda o Ronca Ronca, para apresentações-surpresa – como em 2009, no Dia Internacional do Rock, quando tocaram a versão de “My Way”, das preferidas nos ensaios na casa da Vovó Ondina.

Finalmente, a última vez em que houve uma sequência de apresentações em trio dos Paralamas foi em 2008. No Baretto, pequena casa paulistana de shows, Herbert, Bi e Barone fizeram uma semana de shows. Mas isso foi até agora. Na sexta, sábado e domingo, vem aí mais um capítulo dessa história.  

Paralamas Na Estrada – Setembro 2015

 

O “Na Estrada” deste mês vem especial! No clima do Rock in Rio. Várias fotos da participação dos Paralamas no show de abertura do festival, sexta dia 18/09 e, do show solo da banda no início da noite de domingo, 20/09.

Tem bastidores, palco, amigos e muito mais. De lambuja, vão algumas fotos do show da banda em Itatiba (SP) onde foi testado o setlist do show do festival!

Confere só!

Rock in Rio – Ana Maria Bahiana

A história de Ana Maria Bahiana com os Paralamas começou cedo. Em algum momento entre os anos de 1982 e 1983, a jornalista ouviu uma fita-demo que lhe chegou aos ouvidos pelas mãos de Maurício Valladares. “Me apaixonei de cara”, conta. A admiração logo virou amizade e até colaboração profissional – é dela o argumento para o clipe de “Foi o Mordomo” (1984) e o texto do livro que acompanha a caixa “Pólvora” (1997).

Ana assistiu a diversos shows da banda nesses 32 anos. Um deles, porém, lhe marcou especialmente: a histórica apresentação do trio na primeira edição do Rock in Rio, em 1985. Na época, Ana Maria era jornalista do caderno de cultura do jornal carioca O Globo e, mesmo em meio à correria do trabalho – que gerou um texto sobre o show, que você confere abaixo na íntegra – ela ainda conseguiu espiar a apresentação de Herbert, Bi e Barone.

Neste depoimento exclusivo para o site dos Paralamas, Ana – que hoje vive em Los Angeles – relembra o show no festival e conta como um policial americano conheceu “Alagados”.

Ana e os Paralamas

Conheci os Paralamas ainda em Brasilia, através do meu compadre Mauricio Valladares. Ouvi uma demo e me apaixonei de cara. Acompanhei a carreira deles de berço, fiz o argumento de um videoclipe (“Foi o Mordomo”, para o Fantástico), ia aos bastidores, eles pintavam na minha casa, no Leblon, perto da do  MauVal. Era uma espécie de corredor do rock, ali entre a Praça Antero de Quental e o Baixo. Tenho grandes lembranças, muito carinho e muita saudade desse tempo bom, quando as possibilidades pareciam tantas, os horizontes, tão abertos, o Brasil respirando, primaverando, se reinventando. A pulsação da música dos Paralamas era isso para mim, essa energia fundamental.

Ana, os Paralamas e o Rock in Rio

Achei o máximo eles serem convidados pro Rock in Rio. Achei arriscadíssimo também, mas confiava que eles estivessem prontos. E estavam. Hoje tudo parece um filme super exposto, imagens borradas, superpostas – é que  trabalhei demais, direto, cobrindo para O Globo no meio da lama, a redação volante instalada num trailer, os despachos com a Irineu Marinho feitos na base de mensageiro e a última novidade tecnológica.. o fax!

Anos depois

Momento engraçado aconteceu tempos depois, na primeira vez em que fui parada por um guarda aqui em Los Angeles (por não parar num sinal de “pare”, altas horas da noite, numa rua deserta). Eu estava ouvindo “Vamo Batê Lata” aos berros e quando o guarda pediu para baixar a janela do meu muito rodado Gol, tomou um “Alagados” no meio do peito. Levei a multa. Mas sorri muito. Mande um beijo grande daqui para eles. Diga que agora minhas netinhas Lucille e Evelyn dançam comigo ao som deles…

***

ROCK IN RIO 2,  Domingo, 13/1/1985

por: Ana Maria Bahiana

Muito sol, muito calor, muita gente, muito verde e amarelo antecipando a eleição de Tancredo Neves esta semana. E muitos problemas de som para os primeiros a se apresentar no palco do Rock In Rio. Seria conspiração dos técnicos gringos, operando apenas para as grandes atrações interacionais? Os bastidores estavam fervendo de teorias de conspiração.

Mas os Paralamas do Sucesso, abertura da tarde de domingo, não vieram para ter medo nem de calor, nem de som instável, nem da barulheira dos helicópteros sobrevoando a Cidade do Rock em busca de ângulos épicos para captar o evento. Herbert, Bi e Barone arrasaram do começo ao fim. Ouso dizer que foi o melhor show de abertura destes primeiros três dias de Rock in Rio: pura energia, competência, alegria contagiante, repertório enxuto em cima dos dois LPs do trio. Explosão total com big hit  “Óculos”, plateia inteira dentro, dançando, cantando junto. “Um tempo atrás um acontecimento como o Rock in Rio era impensável. Hoje nós estamos aqui e eu quero dizer que isto só foi possível graças aos novos grupos brasileiros que surgiram nos últimos anos”, Herbert disse, do alto do palco, no meio do show. E estava certo.

Apoiado no sucesso e no ótimo repertório de seus LPs Tempos Modernos, Ritmo do Momento e Tudo Azul, Lulu Santos fez um show empolgante, divertido, com o povo da Cidade do Rock cantando “Tempos Modernos”,  “O Último Romântico”, “Como Uma Onda”. Tão rock, tão carioca.

A onda carioca continuou com a Blitz, cheia de energia, arrebatando a plateia com “Weekend”, “Ridícula”, “A Dois Passos do Paraíso”. O clima de festa chegou ao auge com o grande sucesso da banda, “Você Não Soube Me Amar”, cantado em uníssono com Evandro Mesquita, Fernanda Abreu e Márcia Bulcão.

O código musical de comunicação entre humanos e ETs de Contatos Imediatos de Terceiro Grau anunciou a chegada de Nina Hagen. Perfeito: foi mesmo uma extra-terrestre que baixou no palco, cabeleira rosa pink, brandindo uma cruz e cantando a “Habanera”, ária da ópera Carmen. A doideira performática continuou, incluindo “Spirit in Sky”, hit menor dos anos 60, a punkíssima “White Punks on Dope” e alguns cacarejos ali pelo meio.

A plateia ainda estava meio em choque quando o extremo oposto de Nina Hagen entrou no palco : as saltitantes Go-Go’s.  O pop era leve e alegrinho, o pessoal reagiu bem ao sucesso “My Lips Are Sealed” mas não passou disso.

A noite, no final, ficou com um velho conhecido da imprensa carioca: Rod Stewart. E Rod ganhou o dia. Nem a chuva, que começou a cair assim que ele deu a partida em “Hot Legs”, conseguiu  tirar o show dos trilhos. Tudo perfeito, tudo certo – Rod é o popstar do momento. E sabe disso : anunciou um de seus primeiros sucessos, dos seus tempos com os Faces, “Maggie May”, como “uma canção da época em que eu era um garoto qualquer”. Pela aclamação da Cidade do Rock, não é mais mesmo.

Rock in Rio – Vídeos

Agora é a vez de conferirmos alguns vídeos das participações dos Paralamas no Rock in Rio. Vamos nessa?

 

1985 – Glória Maria (TV Globo) entrevista Herbert Vianna

 

1985 – A famosa bronca de Herbert Vianna na plateia e o início da homenagem ao Ultraje a Rigor

 

2011 – Depoimento do Herbert após o show de abertura do festival

 

2011 – Abertura do Rock in Rio com Milton Nascimento cantando “Love of my life” do Queen

 

2011 – Paralamas e Titãs – O Beco

 

 

1985 – Entrevista do Herbert à Ilze Scamparini (TV Globo)

 

1985 – Vital e Sua Moto

 

2011 – Lourinha Bombril – Paralamas, Titãs e Maria Gadu

Rock in Rio – Fotos e Registros

 

Continuando nosso resgate da história dos Paralamas do Sucesso no Rock in Rio, apresentamos agora uma galeria especial de fotos e registros das 2 apresentações da banda no Rock in Rio de 1985 (13 e 16 de janeiro) e do show de abertura de 23 setembro de 2011 ao lado de Milton Nascimento, Titãs e a Orquestra Sinfônica Brasileira.

Tem foto da credencial de 1985 autografada pelo Rod Stewart, cópia do ingresso e do cartaz de programação de 1985, Paralamas e Titãs em 2011, reportagens antigas e muito mais. Confere só a nossa galeria especial: http://bit.ly/fotosrockinrioparalamas.

Fique de olho aqui no site, porque tem muita coisa bacana que vamos publicar ainda até o dia 18, data de abertura do Rock in Rio 2015.

 

 

Rock in Rio – Eu fui!

O segundo post da série especial “Paralamas no Rock in Rio” traz a história de fãs da banda que foram aos shows que os Paralamas fizeram em 2 edições do Rock in Rio: 1985 e 2011. Tem cada história bacana! Tem uma fã que desmaiou na hora do show, um que mandou fazer camiseta especial pro dia, pai e filha juntos no mesmo show, voo atrasado, trânsito … Os Paralamas só tem a agradecer a todos vocês por todo esse carinho!

 

Vanusa Macedo – Rock in Rio 1985

Fiquei tão pilhada que desmaiei de emoção kkkk não me perdôo até hj

 

André Feliciano – Rock in Rio 2011

Estive no Rock in Rio 2011, no dia da abertura (Paralamas e Titãs). Na época, procurei por camisa dos Paralamas e não achei. Então, mandei fazer uma pra mim. Acredito que de todo o Rock in Rio só eu que estava com uma camisa da banda rsrsrs  Dia 20/09 estarei lá, marcando presença mais uma vez.

 

Luiz Flutt – Rock in Rio 2011 e em 1985, o pai dele

Eu fui ao show do Paralamas no RIR 2011, e meu pai foi ao show de 1985. Quase uma herança de pai pra filho!

 

Renata Sanches – Rock in Rio 1985 

oiiiiiiiiiiiiiiii banda mais querida do Brasil!!!! 13.01.85 sim, eu estava lá!!! Tinha 18 anos e o Rock in Rio foi minha primeira aventura musical fora da minha cidade, Campinas (SP). Assisti aos shows das cinco primeiras noites, todos inesquecíveis. Mas o pequeno trio, em cima daquele palco enorme, agigantou nessa apresentação. Me emociono em todos os shows dos Paralamas, mas, claro, alguns sempre marcam mais. Este foi meu primeiro show da banda. Não poderia começar melhor, né? E como não me apaixonar por esses ‘meninos’? Serão sempre meus meninos queridos. Anos mais tarde tive a sorte, a honra e a felicidade de trabalhar na EMI Odeon – SP por quase dois anos e… adivinha? Pude conhecer de perto e conviver com esse grupo formado por pessoas tão especiais. Não só o trio, mas toda família Paralamas.

 

Hector Pinho – Rock in Rio 2011

Foi um dia irado. Minha primeira vez no Rock In Rio. Fui com uns amigos e chegamos logo cedo. Curtimos alguns shows e na hora da abertura oficial nos posicionamos no centro palco. Foi muito emocionante e com toda a queima de fogos. Me lembrei de várias coisas e pessoas (na época minha avó estava internada e foi bem difícil) e não consegui me controlar e chorei. Chorei muito. Foi especial ver meus ídolos abrindo o maior festival de música do mundo e inesquecível presenciar eles dividindo o palco com o Milton Nascimento cantando “Love of my Life” do Queen. Alguns anos mais tarde, descobri que minha namorada também estava no show e se emocionou da mesma forma que eu. Até hoje me lembro de voltar pra casa realizado e cansado mas ainda voltei no dia seguinte pro Rock In Rio!

 

Denise Gomes – Rock in Rio 1985

Foi fantástico e o curioso pois não pensávamos em ir ao RIR, resolvemos de repente. Passamos no Maracanã, compramos os ingressos, e fomos de ônibus via Tijuca para lá! Tudo foi sensacional. Éramos um grupo de 7 pessoas e chegamos no comecinho do show do Paralamas! A música “Óculos” era a sensação da época e eu já era muito fã dos Paralamas. Mas as música que ficaram na nossa cabeça mesmo foram “Química”, e “Inútil”, na homenagem ao Ultraje a Rigor, que viemos cantando durante toda a viagem de volta!

 

Joannes Guglielmi – Rock in Rio 2011

Show dos Paralamas,faz parte da minha vida como cidadão. Já tive a oportunidade de ver algo acima de 300 shows e todos sempre com algo diferente. No Rock in Rio de 2011, fui com minha esposa para mais um show. Como sempre mais um belíssimo show. Herbert, Bi e Barone, além da cozinha com a Orquestra Sinfônica, dando aquele complemento no arranjo. Simplesmente MÁGICO. Esse ano, quando fomos comprar os ingressos para o Rock in Rio, minha filha de 9 anos escolheu justamente o dia 20, para ver os Paralamas! Minha filha já vai em show dos Paralamas desde os 8 meses de idade. Paralâmica igual ao pai e a mãe.

 

Gabriel Ishii Zamataro – Rock in Rio 2011

Dia 23/09/11 rumei ao Rio de Janeiro para o meu primeiro RIR, e o dia começou com muitas emoções e voos atrasados chegando em cima da hora no Rio de Janeiro. O trânsito parava a cidade inteira e fez com que absolutamente todos os acessos à Cidade do Rock estivessem completamente parados.

Fui no dia 23 especialmente para ver os Paralamas que tem uma importância gigantesca na minha vida, pois o primeiro disco que ganhei na vida foi “O Passo do Lui” e, apesar de já ter visto alguns shows deles, não estaria completo se não os visse no mais importante e icônico festival do Brasil. Cheguei na Cidade do Rock no exato momento em que João, Bi e Herbert entraram no palco e já no primeiro acorde de Óculos, vi que todo aquele perrengue para chegar valeria a pena. E valeu!