My Weblog: istanbul elektrikci uskudar elektrikci umraniye elektrikci film indir kadikoy elektrikci ev aletleri tamiri umraniye elektrikci uskudar elektrikci umraniye elektrikci

Participação especial: Herbert Vianna [3]

Chegamos à última parte da série de participações especiais de Herbert Vianna fora dos Paralamas!

Daniela Mercury

Em 1991, ela ainda começava a aparecer fora da Bahia, mesmo já tendo longa carreira no estado natal – não só nos trios elétricos e bares da vida, mas também como cantora de uma banda conhecida dos baianos, a Companhia Clic. Mas lançou naquele ano seu primeiro disco solo, homônimo. E se o sucesso que a catapultou aos olhos do Brasil foi “Swing da cor”, já havia ali uma canção de Herbert: “Milagres”.

Herbert foi até cogitado pela própria para produzir seu segundo álbum, mas a agenda não lhe permitiria dedicação. Então, ele passou a dica ao produtor e amigo Liminha. Este nem se entusiasmou muito a princípio, mas HV foi enfático, conforme revelou em entrevista ao pessoal do Casseta & Planeta, em 1995: “Liminha, você vai ganhar muito dinheiro com essa menina!”. Pois é: a menina era Daniela Mercury.

E ali as coisas se encaixaram. Liminha produziu O canto da cidade (1992), álbum que definitivamente transformou Daniela numa estrela de primeira grandeza da música brasileira. E Herbert fez questão de estar presente: não só cedeu “Só pra te mostrar” à amiga, mas também participou da gravação, cantando e tocando guitarra. E mais: ainda participou do programa especial sobre O canto da cidade, para a TV Globo, ainda em 1992, repetindo o dueto em “Só pra te mostrar” – que ele relembrou em Victoria.

Em 1994,  Música de rua, o terceiro álbum de Daniela, teve nova colaboração de Herbert: ele cedeu outra composição, “Sempre te quis” (gravada pelos Paralamas em 9 Luas), novamente tocando guitarra na versão original. E desde então, Daniela desenvolveu a própria carreira – sempre acenando com gratidão e reverência a Herbert, como fica claro nesse vídeo abaixo.

 

Titãs (e carreira solo)

Os Paralamas sempre foram muito próximos dos Titãs. Para começo de conversa, basta lembrar o álbum ao vivo que ambos fizeram juntos. Mas no início da década de 1990, a proximidade era ainda maior, até por José Fortes empresariar as duas bandas na época. Não era necessário muito mais para dar início a colaborações. E Herbert fez isso tanto com um egresso dos Titãs como com a própria banda.

Em 12 de janeiro (1995), primeiro álbum solo de Nando Reis – então ainda cantor e baixista dos Titãs -, Herbert colocou a guitarra solo nos quatro grandes sucessos do disco: “Me diga”, “A fila”, “Meu aniversário” e “E.C.T.”. No mesmo ano, os Titãs voltaram da pausa de um ano, lançando o álbum Domingo. E ali Herbert novamente esteve (assim como Barone): gravou o solo de guitarra em “O caroço da cabeça”, parceria dele com Nando e Marcelo Fromer. “O caroço da cabeça” foi outra canção registrada pelos Paralamas posteriormente, em 9 Luas.

Duas vezes Herbert, sempre Herbert

Em 1996, a revista Placar organizou o lançamento de um disco, produzido por Pierre Aderne, no qual os hinos de 16 grandes clubes do futebol brasileiro eram reinterpretados por gente do rock e da MPB. Os Paralamas andavam frequentando a página da revista de esportes (na época, também falando de música): em 1995, haviam sido até escolhidos como a banda brasileira preferida dos jogadores de futebol da época, em votação de Placar. De mais a mais, a paixão de Herbert pelo Flamengo nunca foi segredo para ninguém.

Pedir uma versão do conhecido hino composto por Lamartine Babo era tentador. E ele aceitou: gravou a voz e a guitarra do hino flamenguista no trabalho de 1996, cantando junto com outros célebres flamenguistas da música: Neguinho da Beija-Flor, Falcão (O Rappa) e os MCs Júnior e Leonardo, autores do “Rap do centenário”, sucesso na torcida rubro-negra em 1995.

Deu muito certo. Tanto que em 2004, quando a Placar fez nova versão do álbum com outros artistas, os canais de voz e de guitarra que Herbert gravara em 1996 para o hino rubro-negro foram reaproveitados na nova releitura, que ainda trouxe Gabriel O Pensador como convidado. Seja como for, HV certamente teria um desgosto profundo se não tivesse homenageado assim o time do coração.

Músicas iguais, nomes diferentes

Aqui, dois lances curiosos. Em dois momentos, canções de Herbert foram gravadas duas vezes, com dois nomes diferentes. Em 1996, quando lançou o álbum Mondo Diablo, o Nenhum de Nós registrou “Todas as coisas”, parceria de Herbert com o amigo Thedy Corrêa. Pois bem: em 2012, quando gravou a mesma música em Victoria, Herbert mudou o título para “Sinto muito”, além de fazer algumas mudanças na letra.

E aconteceu o mesmo quando Herbert cedeu uma canção ao grupo vocal Fat Family. Em alta no ano de 1998, o FF lançou seu primeiro álbum solo trazendo no repertório “Eu sou só um”. Em 2002, os Paralamas reaproveitaram a canção em Longo Caminho, mas com o título alterado: trata-se de “Flores e espinhos”.

A parceria com Paulo Sérgio Valle

No fim da década, Herbert iniciou uma parceria com um colega seu num clube de voo, no Rio de Janeiro: o compositor Paulo Sérgio Valle. Que, por sinal, já tinha outra profícua parceria na música brasileira, com o irmão Marcos Valle. Esta parceria rendeu poucas canções. Mas quase sempre marcantes. A primeira delas foi cedida para Ivete Sangalo, o primeiro disco solo da homônima, em 1999. E tornou-se um dos grandes sucessos dela: claro, “Se eu não te amasse tanto assim”. Depois, Herbert e Paulo Sérgio fizeram uma canção com a intenção de oferecê-la a Roberto Carlos. Não deu certo com ele, mas funcionou com Maria Bethânia: “Quando você não está aqui” foi registrada pela cantora em Maricotinha, disco lançado em 2001. Naquele ano, Bethânia ainda cantou “Quando você não está aqui” no show de comemoração de seus 35 anos de carreira – lançado em 2012, no DVD Noite luzidia. Com Herbert em recuperação de seu acidente, convidou ao palco dois colegas de geração e amigos do compositor: Arnaldo Antunes e Branco Mello.

Anos 2000/2010

No início dos anos 2000, Herbert estava a todo vapor. Não bastasse a intensa atividade com os Paralamas (então, em turnê com o Acústico), compunha em profusão, principalmente para cantoras. Ivete Sangalo novamente se aproveitou da fase inspirada: se “Se eu não te amasse tanto assim” já fora sucesso em 1999, a nativa de Juazeiro gravou nova canção de Herbert em Beat Beleza, seu segundo álbum, de 2000. Outro sucesso: “A lua q eu t dei” – assim está o título no encarte -, composição que ele fez sozinho. De quebra, ainda gravou o solo de guitarra da versão original de Ivete. Ainda em 2000, Kátia B, disco de Kátia Bronstein – cujas participações de Barone já estão no texto sobre ele -, trouxe “Noites de sol, dias de lua”, composição de Herbert, que também tocou guitarra em outras canções do disco. Ambas foram relembradas em Victoria.

2001. Não é preciso lembrar o que aconteceu. Todo mundo sabe. E talvez a canção que simbolize a melancolia daqueles dias seja “Junto ao mar”: uma composição de Herbert, gravada em Buganvília, segundo álbum do grupo Penélope. Mas as canções do cantor/guitarrista dos Paralamas seguiam por aí. Em Bossa, seu disco daquele ano, Zizi Possi cantou “Eu só sei amar assim” (com Barone na bateria, como se leu aqui). Ainda em 2001, o tecladista Ari Borges gravou outra de Herbert: “Blues da garantia”, que ele recriou em Victoria.

 

Em 2002, a recuperação sonhada e desejada era um fato. Mas enquanto ele se recompunha para voltar aos palcos com os Paralamas, as músicas mantinham a lembrança. Com a formação original reunida após 13 anos, o RPM aproveitou uma canção cedida pelo colega de geração no álbum ao vivo, divulgado pela MTV, que celebrou o reencontro: “Vem pra mim”. No mesmo ano, o Cidade Negra fez o seu Acústico. E uma das inéditas contidas nele fez involuntariamente a ponte para o retorno triunfal de Herbert ao trabalho: era “Soldado da paz”, que os Paralamas gravaram em Longo Caminho.

Fora as participações já citadas, Herbert também recomeçou as aparições no trabalho de amigos. Se a ligação com Zizi Possi era conhecida desde a gravação dela para “Meu erro”, em 1989, HV estabelecia a ponte com a filha: em 2007, A vida é mesmo agora, álbum ao vivo de Luiza Possi, trouxe Herbert na voz e na guitarra da versão dela para “Quase um segundo”.

A retomada das relações musicais novamente superava barreiras: em 2010, os Pericos lançaram Pericos & Friends, álbum que celebrou os 25 anos do grupo argentino. E Herbert esteve nele, cantando “Casi nunca lo ves”. Naquele ano, a cantora Leila Pinheiro ainda registrou Meu segredo mais sincero, álbum em que revisitava a obra de Renato Russo. Compreensível que Herbert estivesse nele, com as guitarras de “Quando você voltar”.

Fora a participação com a cantora Negra Li numa série de comerciais da Fiat, 2014 teve Herbert marcando presença em “Não sei se te contei”, música que intitulou o álbum da cantora soteropolitana Thathi.

E a mais recente colaboração de Herbert fora dos Paralamas veio no fim do ano passado. Gravando um DVD para o Canal Brasil, onde reviu sua carreira tanto no Penélope quanto após ele, a cantora e compositora Érika Martins repetiu duelo marcante: “Inbetween days”, versão do Cure, na qual ela fora a convidada de Herbert em O som do sim. Como em 2000, Herbert fazia a voz e a guitarra.

De fato, compulsivo. Que bom que é assim, por tudo que a música representou na vida de Herbert.

***

Confira a parte 1 e a parte 2 das participações de Herbert.

Confira as participações de Bi Ribeiro e João Barone.

 

Participação especial: Herbert Vianna [2]

Depois da primeira parte da série, hora de colocarmos mais dinamismo nas colaborações de Herbert, através de uma ordem cronológica. Ainda em 1984, Herbert cedeu duas canções a Brega-chique, chique-brega, disco de Eduardo Dussek: “O crápula” e “O bilhetinho (Recebi seu bilhetinho)” – esta última até fazia parte do repertório dos shows dos Paralamas na época. Em 1985, assim como ocorreu com João Barone (o texto dele já está aqui no site), o talento daquele cantor/compositor/guitarrista não passaria em branco para dois olhares sempre atentos: os de Rita Lee e Gilberto Gil. Assim como Barone, Herbert participou de Rita & Roberto, disco lançado por ela: fez os vocais de apoio e a guitarra em “Glória F”. E gravou a guitarra de “O seu olhar”, faixa de Dia dorim Noite neon, álbum de Gil.

Mas 1985 era um ano de eclosão e efervescência naquela geração que tomava de assalto a música brasileira. E um dos grandes protagonistas da eclosão era o Ultraje a Rigor. Dando canjas num show aqui e outro ali, Herbert logo se aproximou de Roger Moreira. Deixou claro o gosto pelo grupo paulistano, com a versão de “Inútil” nos shows do Rock in Rio. E finalmente, Herbert foi convidado a participar das gravações do antológico Nós vamos invadir sua praia, o disco de estreia do Ultraje. Portanto, saiba: aquela guitarra solo irresistível que soa na versão original de “Marylou” é de HV.

No mesmo 85, Herbert ainda achou tempo para colaborar com Leo Jaime. Em Sessão da tarde, álbum que Leo lançou naquele ano – por sinal, outro megassucesso daquela geração -, um dos grandes hits foi a música que abria o trabalho: “O pobre” (“Ela não gosta de mim/Mas é porque eu sou pobre…”), parceria do cantor/compositor com Herbert. Os Paralamas até participaram completos numa outra faixa de Sessão da tarde, mas aí é outra história…

1986 chegou, mas Leo Jaime continuou recebendo as colaborações do colega de geração. Vida difícil, seu álbum naquele ano, foi gravado numa das salas do estúdio Nas Nuvens – em outra sala, ao mesmo tempo, os Paralamas gravaram Selvagem?. Bastou para mais trabalhos: além de Barone, Herbert também esteve em Vida difícil. Fez o solo de guitarra em “Briga”, e gravou guitarras ainda em “Prisioneiro do futuro” e na versão que Leo fez para uma canção já conhecida então: “Mensagem de amor”.

Outra releitura de uma obra de Herbert que também é esporadicamente lembrada é a da cantora e compositora Dulce Quental para “Caleidoscópio”. Inédita na época – o registro dos Paralamas, que sacramentou o sucesso da canção, veio só no primeiro Arquivo, em 1990 -, “Caleidoscópio” fez parte de “Voz azul”, primeiro disco solo de Dulce, lançado em 1987. Por sinal, “Voz azul” era mais uma produção de Herbert, junto do guitarrista e violonista Celso Fonseca e do produtor Mayrton Bahia. Não é de se estranhar que “Caleidoscópio” tenha sido registrada primeiro por Dulce; afinal, o Sempre Livre, banda da qual ela era a vocalista, gravou “Fui eu” em Avião de combate (1984), seu disco de estreia, quase simultaneamente à gravação dos Paralamas para “Fui eu” que está em O passo do Lui

Em 1989, Herbert elevaria ainda mais sua produção para outros artistas. Até em termos internacionais: naquele ano, David Byrne lançou Rei Momo, seu segundo disco solo (primeiro após o fim do Talking Heads), muito influenciado pela música brasileira e pelos sons afrocaribenhos. E Herbert participou do álbum, com os vocais e a guitarra de “Office Cowboy”.

Outra incursão que superou os limites geográficos foi trabalhar com a banda argentina de reggae Los Pericos: naquele 1989, eles escolheram Herbert para produzir o segundo trabalho, King Kong. Nascia uma amizade que segue até hoje e rendeu frutos até aos Paralamas: em Pampas reggae, disco de 1994, os Pericos lançaram “Párate y mira”. Que, na versão em português de Herbert, virou… isso mesmo, “Lourinha Bombril”, um dos grandes sucessos dos Paralamas, lançado dois anos depois.

Mais de 1989? Herbert produziu “Império dos sentidos”, o segundo álbum de Fausto Fawcett. Por sinal, Fausto era (e é) parceiro de uma das cantoras que mais ficariam próximas de Herbert ao longo da carreira. Mas isso já foi nos anos 1990…

Fernanda Abreu

Tão logo a Blitz acabou em sua primeira fase (1982-1986), na qual foi o estopim para o estouro da geração que “deu uma Blitz na MPB” – palavras de Gilberto Gil -, Fernanda Abreu voltou para seu habitat natural, a dança. Mas o bichinho da música já tinha picado de vez a ex-estudante de Sociologia da PUC carioca. E em 1989, Fernanda já começou a caraminholar sua volta aos estúdios. Demorou um pouco: não queria voltar apenas para aproveitar a fama do grupo em que começara. Mas quando foi formatando o que desejava fazer musicalmente, teve em Herbert Vianna um parceiro de primeira hora.

Isso foi provado já em 1990. SLA Radical Dance Disco Club, álbum da estreia solo de Fernanda – o SLA vem de Sampaio de Lacerda Abreu, seus sobrenomes -, teve Herbert altamente ativo. Ele produziu o disco, junto de Fernanda e do tecladista Fábio Fonseca (colega de João Barone na produção de outro álbum, a estreia de Ed Motta, em 1988). E Herbert ainda programou a bateria e tocou guitarra em várias das canções do álbum: na faixa-título, em “Kamikazes do amor”, em “Speed Racer” – parceria dos três produtores do trabalho, que Herbert gravou em Santorini Blues – e em um dos grandes sucessos do disco, “A noite”. No outro hit que saiu dali, “Você pra mim”, Herbert programou a bateria e tocou teclados. Ainda programou a percussão eletrônica de “Venus Cat People”, e participou da composição de “Disco club 2 (Melô da radical)”.

Demorou um pouco para os dois amigos voltarem a trabalhar juntos. Mas quando voltaram, rendeu outro sucesso a Fernanda: em Da Lata, disco que lançou em 1995, um dos grandes hits foi “Veneno da lata”, canção que dialogava com “Vamo batê lata” já no título. E no refrão (“Batuque-samba-funk, é veneno da lata (Vamo batê lata!)”). E ainda rememorava o primeiro álbum solo de Herbert, citando o empresário dela e o dos Paralamas também (“Tem que falar com o Jê [Jeronymo Machado]/Tem que falar com o Zé [claro, Zé Fortes]/Ê batumaré”). No arranjo, uma citação a “Qualquer palavra serve”, canção tirada de Ê Batumaré. Completando as várias menções, no meio da canção, a voz de Herbert cita novamente sua própria obra: “Quatro sete sete cinco meia/No batuque samba-funk da alegria arrastão/Ouviu dizer, ouviu falar, não sabe bem, deixa pra lá/O batuque samba-funk é o veneno”. E ele ainda apareceu no clipe de “Veneno da lata”. Finalmente, a parceria foi reproduzida ao vivo, na cerimônia de entrega do Video Music Brasil, da MTV, em 1996.

Outro grande momento de colaboração entre Herbert e Fernanda foi em 1997. Lançado naquele ano, Raio X, álbum em que ela revisitava seus sucessos ao lado de convidados, ainda trazia inéditas. Uma delas, “Um Amor, Um Lugar”, foi presente de Herbert, que ainda participou da gravação original cantando, arranjando, tocando guitarra, violão e viola de 12 cordas. E tornou-se mais um hit. Agradou tanto que os próprios Paralamas fizeram a versão no Acústico lançado em 1999 pela MTV Brasil. E consolidou a parceria a ponto de ter merecido nova versão da própria Fernanda, com Herbert de convidado na guitarra e no vocal, em 2006, no álbum ao vivo gravado por ela e lançado naquele ano pela MTV. Mesmo depois das grandes reviravoltas entre um momento e outro, continuava valendo o que Fernanda escrevera no material de lançamento de Raio X, referindo-se a “Um amor, um lugar”: “Herbert, um beijo. Grande artista e grande amigo”.

Anos 1990

Ainda antes da década começar, entre os vários trabalhos que Herbert produzia, poderia ter estado na lista O eterno deus Mu dança, álbum que Gilberto Gil lançou em 1989. Estava tudo certo, mas algumas discordâncias artísticas impediram que HV produzisse aquele novo trabalho de seu amigo/mentor Gil. Mágoas? Jamais: em Parabolicamará, disco que Gil apresentou no início de 1992, Herbert estava lá na ficha técnica. Foram dele as guitarras de “Madalena (entra em beco, sai em beco)”, uma das canções mais conhecidas de Parabolicamará.

Mas uma participação pitoresca de Herbert ocorreu em 1990 (tecnicamente, ainda é década de 1980, mas você entende, leitor). Naquele ano, Gonzaguinha lançou seu último trabalho em vida, Luizinho de Gonzaga, no qual fazia várias releituras das obras do pai que perdera no ano anterior. E para cantar o clássico maior de Gonzagão, “Asa branca”, Luiz Gonzaga Jr. colocou no estúdio o que chamou de “coral dos amigos”: um grupo que unia de Erasmo Carlos a Alcione, passando por Xuxa Meneghel. Cada amigo cantaria um verso de “Asa branca”. E Herbert foi um desses “amigos” de Gonzaguinha em seu derradeiro trabalho, participando daquela versão – para constar, o verso que ele cantou foi o “quando o verde dos teus olhos”.

Ao longo daquela década, houve mais canções que Herbert deu a outros parceiros e que não ficaram muito conhecidas do grande público – mesmo que os Paralamas, ou até Herbert sozinho, as tenham gravado posteriormente. Em 1994, o primeiro álbum solo de Toni Platão trazia “Qualquer garantia”; em 1996, o músico mineiro Eduardo Toledo registrou “Mulher sem nome”, composição de Herbert, que o trazia na guitarra da gravação original – e que foi registrada por ele em Victoria; 1997 teve Paulo Ricardo lançando O amor me escolheu, álbum solo dele, com “Amor em vão”, que depois recebeu versão dos Paralamas em Longo Caminho. E finalmente, em 1999, a banda carioca Negril (cujos baixista, Tácio Farias, e baterista, Cosme Tchê, tocaram com Herbert em O som do sim) fez a versão original de “Pense bem”, no álbum A outra margem do rio. “Pense bem” foi mais uma canção de Herbert que o próprio apresentou em Victoria.

Mas não era só através de suas canções que Herbert aparecia no trabalho de outras pessoas. Já comentado desde que lançou Aos vivos (1994), álbum ao vivo, Chico César viu o nosso conhecido guitarrista/cantor participar de Cuscuz clã (1996), seu segundo trabalho: Herbert registrou as guitarras em “Dá licença M’”. E 1997 trouxe uma participação daquelas para constar no currículo. No seu Acústico MTV, Gal Costa contou ao público que já sonhava há muito tempo em gravar algo de Herbert, inédito ou conhecido, mas nunca conseguia tê-lo junto. Daquela vez, conseguiu: ele esteve com Gal, cantando e tocando o violão de aço na releitura de “Lanterna dos afogados”, que fez algum sucesso e até hoje é lembrada às vezes. Antes de cantar, a marcante aparição foi celebrada com uma autogozação do próprio: “Que honra, o pior cantor do mundo com a maior cantora…”.

Mas as colaborações de Herbert ao longo daquela década de 1990 tiveram até mais curiosidades. Confira no próximo – e último – capítulo da série!

Participação especial: Herbert Vianna [1]

A relação de participações e trabalhos que Herbert Vianna fez sem ter os seus “irmãos espirituais” Bi Ribeiro e João Barone ao lado é tão grande que justifica o adjetivo dado por Dado Villa-Lobos, no documentário Herbert de Perto, à capacidade de trabalho do amigo: “compulsivo”.

São tantas aparições (produzindo, tocando, cantando, compondo…) que uma relação em ordem cronológica seria um teste de paciência ao leitor. Então, é bem mais legal lembrarmos tudo o que Herbert já fez dando alguns saltos no tempo, e falando em tópicos.

Ah! E são tantas, que a série de Herbert será dividida em 3 partes (!). Sorte nossa.

Discos solo

Cabe aqui lembrar, rapidamente, que Herbert tem quatro discos solo. Ê Batumaré (1992) é praticamente “artesanal”: o encarte diz que o álbum foi gravado “numa garagem sem tratamento acústico, num equipamento semiprofissional Tascam 388 de 8 canais” – sem contar que HV programou e tocou todos os instrumentos em Ê Batumaré. Mesmo sem tanto despojamento, Santorini Blues (1997) também esbanja simplicidade: Herbert também tocou tudo, num formato predominantemente acústico, com violões, bandolins, um piano aqui, uma percussão ali. O repertório em ambos é semelhante: canções inéditas, coisas que os Paralamas gravariam (“O rio Severino”, em Ê Batumaré) ou tinham gravado (“Uns dias”, em Santorini Blues) e versões de artistas/bandas admirados, até parceiros (Television, no primeiro álbum; Eric Clapton e Fito Paez, no segundo).

Já o terceiro álbum solo de Herbert, O som do sim (2000), difere radicalmente: tem várias participações especiais (quase todas femininas – só Moreno Veloso e Gustavo Black Alien foram as exceções), vários produtores (Liminha, Beto Villares, Chico Neves, o saudoso Tom Capone…), somente canções inéditas… Foi um trabalho destacado a ponto de render duas canções esporadicamente lembradas: “Partir, andar”, com Zélia Duncan sendo a parceira nas vozes, e “Mr. Scarecrow”, dueto de Herbert com Cássia Eller, outra saudosa memória. E um novo álbum solo só veio em 2012: Victoria, outro álbum predominantemente acústico. Feito a quatro mãos (Herbert e o velho conhecido Chico Neves), registrava canções cedidas a vários cantores e bandas ao longo da sua carreira.

Kid Abelha (e carreiras solo)

E a carreira de Herbert teve suas primeiras colaborações fora dos Paralamas em 1984, junto de amigos de longa data. Naquele ano, o Kid Abelha lançou seu primeiro álbum, Seu Espião. Dois sucessos tinham o cantor/guitarrista na composição: a faixa-título (esta, com Herbert ainda nos vocais de apoio) e “Por que não eu?”, ambas parcerias com Leoni e Paula Toller. No ano seguinte, novo disco do Kid Abelha, Educação sentimental, e nova parceria de Herbert com a dupla Leoni-Paula Toller, na faixa que nomeava o álbum. Mais: ainda em 1985, Herbert e a parceira Paula emplacaram uma canção em Todas, disco de Marina Lima. Uma canção que se tornou, podemos dizer, um clássico da música brasileira, tantas as gravações desde a original de Marina: “Nada por mim”. Só para constar, Herbert a registrou em Victoria.

O tempo passou, Herbert se afastou de Paula e de Leoni… mas uma hora a música os reaproximou. Em 1996, no álbum Meu mundo gira em torno de você, ele voltou a fazer parte de uma ficha técnica do Kid Abelha: foi em “A moto”, mais uma parceria com Paula Toller. De quebra, em 1998, a vocalista do Kid lançou seu primeiro álbum solo e homônimo. A música mais divulgada de Paula Toller, o disco? “Derretendo satélites”, outra parceria com Herbert, que ainda tocou violão na gravação.

Com Leoni, a reunião foi mais emotiva. Em 2003, o cantor e compositor lançou Áudio-retrato, espécie de antologia da própria obra, mas com algumas canções inéditas. Uma delas, “Canção para quando você voltar”, fora composta para homenagear um Herbert ainda em recuperação após o acidente aéreo – e como “presente”, o teve nas guitarras e voz da gravação. Já “Temporada das flores” não teve HV no disco, mas o teve no clipe (assista abaixo).

Por fim, em 2005, Leoni gravou um álbum ao vivo, e convidou Herbert para fazer versões de “Canção para quando você voltar” e da velha conhecida “Por que não eu?”, violão e guitarra lado a lado. Ficou tão bom que a versão renovada de “Por que não eu?” fez sucesso radiofônico – e Herbert até a reproduziu, com os teclados de João Fera, em alguns shows dos Paralamas na turnê do álbum Hoje. A retomada da parceria foi confirmada até na obra do nosso conhecido trio: “Fora de lugar”, canção de Hoje, é composição de ambos. Leoni fez a letra; Herbert, a música. Mas, obviamente, o Kid Abelha não é capítulo único nas colaborações de Herbert.

Biquíni Cavadão

Ainda em 1985, mais uma de tantas bandas que surgiam naquela década conseguiu uma oportunidade de gravação. Só um problema: essa banda nascente ainda não tinha um guitarrista. Herbert resolveu o problema tocando as guitarras no compacto de estreia, com as músicas “Tédio” e “No mundo da lua”. Você leu “Tédio” e já deve se lembrar do nome da banda, certo? Pois saiba: também foi HV que solucionou a dúvida de Bruno Gouveia, André “Sheik”, Miguel Flores da Cunha e Álvaro “Birita” sobre o nome do grupo, chamando-o de Biquíni Cavadão.

Pouco tempo após o compacto “Tédio/No mundo da lua”, Carlos Coelho solucionou a falta de guitarrista, chegando para ocupar o posto que até hoje é dele no Biquíni Cavadão. [Aqui, a participação é de Bruno Gouveia. Depois de ler esse artigo, ele nos lembrou que a faixa "Inseguro da Vida", que está no álbum "Cidades em Torrente", de 1986, tem solo de guitarra assinado por Herbert. Valeu, Bruno!] O que não quer dizer que Herbert deixou o grupo para lá. Longe disso. Em 1991, Descivilização, disco que o Biquíni lançou naquele ano, trouxe a voz de Herbert no refrão de “Cai água, cai barraco”. E em 2000, no álbum Escuta aqui, ele cedeu uma inédita: “Pra terminar”, que teve sua gravação original com o conjunto carioca. Mas esta versão não se tornou tão conhecida, ao menos não tanto quanto a versão de Ana Carolina gravada em 2001, no disco Ana Rita Joana Iracema e Carolina. “Pra terminar” ficou tão ligada à voz da cantora/compositora/instrumentista mineira que muitos pensam que a gravação original foi dela.

Plebe Rude

Mas é hora de falar de outra banda que contou com auxílio próximo e fiel de Herbert Vianna: a Plebe Rude. Muita gente já sabe que a passagem dele por Brasília foi tão curta quanto fundamental, pelos amigos conhecidos lá e por alimentar o impulso que ajudou na formação dos Paralamas depois, no Rio de Janeiro. Pois bem: um dos integrantes mais destacados da Turma da Colina – que Herbert e Bi viram de perto – era André Muller, o André X, futuro baixista da Plebe, detentor de uma discoteca bem fornida em termos de punk, pós-punk e new wave, que sonorizou muitas festas daquela turma.

Já na década de 1980, aquela banda que André fundara com Philippe Seabra, mais Jander “Ameba” (ou “Bilaphra”) Ribeiro e Carlos Augusto “Gutje” Woorthmann já se destacava no meio do pessoal de Brasília, pela vivacidade dos shows e pela elaboração dos arranjos, sem perder a veia punk. Herbert conheceu/reencontrou a galera num show no Circo Voador. Nada mais natural que, a partir daí, tenha sido para a Plebe Rude o mesmo que já fora para a Legião Urbana: um verdadeiro “garoto-propaganda” das qualidades do quarteto para a diretoria da gravadora EMI. E deu certo: a Plebe chegou ao Rio de Janeiro e assinou contrato com a mesma casa onde os Paralamas já gravavam. E Herbert encampou a aposta a ponto de produzir o primeiro disco do grupo, em seu primeiro trabalho do tipo. Melhor não poderia ter sido: O concreto já rachou, EP de sete faixas, de 1986, é considerado um dos grandes discos do rock brasileiro.

Clássicos não faltam no disco: “Até quando esperar”, “Proteção”, “Brasília”… e um deles gozava abertamente o próprio amigo. Em “Minha renda”, Jander mandava ver: “Eles trocam as minhas letras, mudam a harmonia/No compacto ‘tá escrito que a música é minha/Já sei o que fazer pra ganhar muita grana/Vou mudar meu nome para Herbert Vianna” – sendo que o último verso foi cantado justamente pelo “homenageado”. Mas não parava por aí: a piada da Plebe com os Paralamas em “Minha renda” incluía os outros dois elementos. Em um show aqui e outro acolá, de brincadeira, cantavam “Já sei o que fazer pra ganhar muito dinheiro/Vou mudar meu nome para Bi Ribeiro” ou “Já sei o que fazer pra ter fama e um nome/Vou mudar meu nome para João Barone”.

Herbert entendia a Plebe – ainda que, cáustica e sarcástica que só, a banda vivesse zombando da aparição dos Paralamas em programas de auditório, no que também passou a ser retrucada. Tantas histórias foram vividas que nem dá para relacioná-las aqui. E a dobradinha se repetiu: Nunca fomos tão brasileiros, o segundo disco da Plebe, em 1987, também foi produzido por Herbert. Um momento das gravações merece destaque: enquanto o naipe de cordas de “A ida”, regido pelo maestro Jaques Morelenbaum, era registrado nos estúdios da EMI, no Rio, Philippe e Herbert ouviam com os olhos cheios de lágrimas.

De novo, o tempo passou. A Plebe Rude mudou de formação e até chegou a acabar. Mas em 1999, Philippe, André X, Jander e “Gutje” decidiram fazer uma reunião da formação original. No ano seguinte, gravaram Enquanto a trégua não vem, álbum ao vivo que celebrava aquele reencontro. Nem é preciso dizer quem foi chamado para produzir o trabalho: Herbert esteve lá e participou novamente, cantando o “vou mudar meu nome para Herbert Vianna” e tudo o mais.

Se a volta era apenas com intenção de matar as saudades, ao longo da década de 2000 a Plebe retornou para valer, tendo Philippe e André da formação original. Ainda assim, Herbert continuou saudando os amigos, participando de um show da banda no Circo Voador, em 2006, no lançamento do álbum R ao contrário.

Ufa! E a série continua… aguarde!