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Paralamas em trio: 10 momentos históricos

Nesta sexta, 19 de fevereiro de 2016, os Paralamas do Sucesso começam um final de semana de shows em São Paulo, no Teatro Safra. A novidade das apresentações será que somente Herbert, Bi e Barone estarão no palco, sem os já tradicionais músicos que os acompanham há anos (João Fera, Monteiro Júnior e Bidu Cordeiro). Os Paralamas, como se sabe, começou tocando em trio. Entre 1982 e 1985, eram só os três pelos palcos Brasil afora. Essa é uma época de vários momentos importantes – e alguns engraçados – do grupo. A gente aproveita o clima para relembrar 10 deles aqui:

1) Vovó Ondina

Rua Sousa Lima, Copacabana, Rio de Janeiro, 1978. Bi Ribeiro voltava de uma viagem à Europa para fazer o Ensino Médio no Colégio Bahiense, e ficou morando no apartamento de sua avó, Ondina de Amorim Nóbrega (1904-1999). Logo que chegou ao Rio, Bi retomou a amizade com um velho conhecido de Brasília: Herbert Vianna. Não demorou muito, e aquela dupla se aproximou de um colega de Bahiense que adorava batucar nas carteiras da sala de aula. Aquele colega virou amigo fiel de ambos: Vital Dias.

E o trio Herbert-Bi-Vital começou a ensaiar num quarto no mesmo apartamento daquela que seria a adorável incentivadora dos primeiros tempos dos Paralamas do Sucesso: a Vovó Ondina. Tocando alto como tocavam, quase sempre a vizinhança ligava para a polícia, ordenando que acabassem com a algazarra. Aí, os policiais batiam na porta da casa, e aquela senhora dizia com educação que os ensaios não atrapalhavam a dona da casa, que talvez os vizinhos estivessem exagerando. Os policiais iam embora, e Vovó Ondina salvava algumas horas de mais um ensaio dos Paralamas, que teriam gratidão eterna a ela. A ponto de comporem uma canção, “Vovó Ondina é gente fina”, que até esteve em Cinema Mudo, o primeiro disco. O quarto com paredes cobertas por fotos dos ídolos (ou deles mesmos) só seria deixado no final dos anos 1980.

 

2) O show na Rural: o trio se encontra

O vestibular chegou, e os três amigos se afastaram, cada um numa universidade. Até 1981, quando Herbert e Bi voltaram a conviver com mais proximidade, encontrando Vital pouco depois. Recomeçados os ensaios nos “Estúdios Vovó Ondina”, pouco depois souberam de um festival de música organizado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, onde Bi cursava Zootecnia. Ali, inscreveram duas músicas: “Mandingas de amor e “Pinguins”. Numa escala de 0 a 100, ambas levaram… 0. Ficaram de fora, ainda na primeira fase do festival. Sabe-se lá como, Herbert conseguiu que os Paralamas tocassem no intervalo entre a apresentação dos candidatos e a divulgação do resultado.

Só que, na hora daquele show improvisado, Vital não aparecia. Estava iniciada a temporada de “caça” de Herbert e Bi a um baterista. Depois de alguns minutos de tensão e procura frenética, um amigo em comum (Carlos Eduardo Neves Facre, o “Super”) viu um conhecido e exclamou: “Bi, olha aqui, esse cara toca bateria!”. O conhecido era um cidadão que fazia parte de uma banda de covers dos Beatles. Claro, aqui entra na história João Barone, que estudava Biologia na Rural. E aquele show do intervalo do festival de 1981 foi a primeira vez que Herbert, Bi e Barone tocaram juntos, após uma brevíssima apresentação e uma explicação mais breve ainda do repertório a ser apresentado. Só não era bem trio: aquela formação “pré-histórica” dos Paralamas tinha dois vocalistas. Eram Ronaldo Carvalho, o “Ronei”, e Arnaldo Bortolon, o “Naldo”. Nossos três conhecidos apenas tocavam.

3) Shopstake: o trio se define

Depois daquela apresentação marcante no intervalo do festival da Universidade Rural, novamente os Paralamas desaceleraram as atividades. Segundo a biografia Vamo batê lata, do jornalista Jamari França, Bi tentava marcar um show conjunto dos Paralamas (ainda com Vital Dias na bateria) e do grupo de covers dos Beatles em que Barone tocava, no Shopstake, bar que ficava no campus da Rural. Um belo dia, deu certo. Era 9 de setembro de 1982 quando os Paralamas chegaram ao Shopstake para tocar. Só que o outro grupo deu o cano, exceto por um integrante. Desnecessário dizer qual…

Eis que Barone e Vital estavam lá. Combinou-se que um tocaria duas músicas com Herbert (que já cantava) e Bi, o outro tocaria as duas seguintes, e assim sucessivamente. Barone executou as primeiras. Vital, as outras. E aí… há quem diga que Vital saiu discretamente antes da apresentação terminar, há quem diga que ele ficou até o fim. O que se sabe com certeza é que, após aquele show, ficou claro para Herbert e Bi que a química maior tinha rolado com aquele estudante de Biologia conhecido às pressas no ano anterior. E no Shopstake nasceu o trio definitivo: Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone. Mas como se sabe, Vital manteve-se intimamente ligado aos Paralamas, indo aos shows e convivendo com todos até seu falecimento, em março do ano passado.

4) A primeira apresentação oficial: Western Club

Selando aquela união feliz, Barone levou a sua bateria para os ensaios, que continuavam a todo vapor no apartamento da Vovó Ondina. E não demorou muito para rolar a primeira apresentação oficial dos Paralamas do Sucesso. Em 30 de novembro de 1982, o Jornal do Brasil anunciava na seção de shows do seu Caderno B: “Terça e quarta, no animado Western, às 21h30, estreia do jovem grupo de new wave intitulado Paralamas do Sucesso. Meio hermético, o título, buzina não seria melhor?”.

Aquele show contou com um verdadeiro mutirão de amigos na divulgação, com filipetas e cartazes, e outro mutirão na logística (reza a lenda que trabalharam na bilheteria o jornalista Tom Leão, frequentador dos ensaios na Vovó Ondina, e o antropólogo Hermano Vianna, irmão de Herbert). A gozação era a regra nos shows: todos eles iam para o palco vestidos de escafandristas, ou de gângsteres etc. Foram um sucesso, lotaram o hoje extinto bar Western Club e até renderam um dinheiro para bancar a fita demo dos Paralamas, logo entregue à Fluminense FM – que fez de “Vital e sua moto” um sucesso no Rio de Janeiro.

5) As “inéditas” e as covers

“Pinguins já não os vejo pois não está na estação/Espero encontrá-los no outro verão/Usando uma casaca/Com ventilação”. É o refrão de uma das várias canções da época conhecida pelo trio e pelos colegas mais próximos como “Paralamas pré-cambriano”. Isto é, aquela fase onde nem se sonhava com disco e carreira sólida. Esses são alguns nomes das inacreditáveis canções que só os fãs mais ardorosos conhecem: “Pinguins”, “Rodei de novo”, “Mandingas de amor”, “Reis do 49”, “Cínica”…

Algumas dessas músicas galhofeira, que integram a primeiríssima fase da banda, foram parar em Cinema mudo, o disco de estreia: “Encruzilhada” (chamada “Encruzilhada agrícola-industrial” antes), “Patrulha noturna”, a citada “Vovó Ondina é gente fina” e o sucesso “Vital e sua moto”. Havia ainda “Solidariedade não”, que criticava o governo na Polônia: o militar comunista Wojciech Jaruzelski, presidente de lá, perseguia e censurava integrantes do sindicato Solidariedade. Essa canção estava na fita demo enviada à Fluminense FM, e é a única música censurada dos Paralamas até hoje.

Sem contar as toneladas de covers que Herbert, Bi e Barone tocavam naquelas primeiras apresentações (incluindo o sonhado show no Circo Voador, em 8 de março de 1983). Eram versões de artistas que os influenciaram: Led Zeppelin, The Clash, The Who, The Police, The Jam, Selecters, Bob Marley, a versão de Sid Vicious para “My Way” etc. Tempos depois, com os dois primeiros discos já lançados, os Paralamas seguiram tocando covers, agora de colegas de geração. No documentário Paralamas em Close-Up, João Barone comenta: “Nessa época a gente era banda de baile: tocava música da Legião, tocava ‘Sonífera Ilha’, Lobão, Lulu, Magazine, Ultraje…”.

Sem contar que havia ainda as canções que eram testadas ao vivo, mas nunca foram gravadas pelos Paralamas. “O bilhetinho” ficou para Eduardo Dussek (“Eu recebi seu bilhetinho me dizendo que queria me encontrar/E um encontro com você é uma coisa que eu não posso evitar/Você feriu, me machucou, me desprezou/Me humilhando na escola com outro garotão/Mas eu te amo, meu bem/Já não posso mais dizer que não”). E “Posso até dizer que sim” ficou só na memória de quem foi àqueles shows – e nos bootlegs (gravações piratas) dos Paralamas: “Não há nada no mundo que eu queira mais/Só quero estar com você/Então, você me beija mais um pouco/Sensação que nem parece mais ter fim/Posso até dizer que sim”.

Ah, só para constar: durante a recuperação de Herbert Vianna, tocar as músicas da época “pré-cambriana” dos Paralamas foi uma das principais “terapias”. Tanto que “Pinguins” foi registrada num show fechado, na sede da gravadora EMI, e foi parar no DVD de Longo Caminho como um dos extras.

6) Aparições na tevê

Como trio, os Paralamas logo começaram a divulgar seus primeiros álbuns em vários programas de auditório. Os indefectíveis playbacks eram feitos no “Cassino do Chacrinha”, no programa de Raul Gil, no programa de Xuxa Meneghel (na recém-fundada TV Manchete), no “Globo de Ouro”, na “Bolsa de sucessos” (parada da TV Record)… mas talvez nenhuma aparição de divulgação seja tão lembrada quanto a vez em que os três foram ao “Bozo”, no SBT (então TVS), para divulgar Cinema Mudo. Não só tocaram “Foi o mordomo” – com Barone “dublando” a guitarra! -, mas também participaram das gincanas.

Mas nem só de playbacks viveram os Paralamas como trio na TV. Em 1983, também fizeram uma honrosa aparição no programa “Fábrica do som”, da TV Cultura paulistana, cantando “Vital e sua moto” e “Química” ao vivo, no SESC Pompeia. E já em momentos posteriores, um dos programas preferidos era ir ao zoneado “Perdidos na noite”, apresentado por Fausto Silva (primeiro na TV Record, depois na TV Bandeirantes), onde quem sabia, fazia ao vivo. Inclusive, ao lançar Selvagem?, em 1986, os Paralamas fizeram lá uma das últimas apresentações como trio.

7) Experiências em Nova Iorque e na Argentina

Ainda durante a divulgação do primeiro álbum, os Paralamas fizeram a primeira apresentação fora do Brasil. Foi em setembro de 1983, na Danceteria, uma casa de shows em Nova Iorque, para onde viajaram junto de Lobão & Os Ronaldos. Lá, não só tocaram o repertório conhecido, mas também citavam as costumeiras influências – rola na internet uma versão de “Areias escaldantes”, de Lulu Santos, feita ali.

Na época, Herbert declarou à jornalista Sonia Nolasco, que cobriu os shows para o jornal O Globo: “De público, foi genial. Foi a primeira vez que a gente cantou para um público que não entendia nada do que estávamos cantando. Ninguém conhecia nenhuma de nossas músicas, ao contrário daqui, onde o público sempre conhece uma ou duas e por isso somos obrigados a colocá-las de maneira estratégica dentro do show. Lá a gente tocava as músicas na ordem que quisesse. Era gostar de cara ou não. Mas o DJ do Danceteria falou para a gente que já viu grupos tocarem lá e depois de cinco minutos de show o público começar a ir embora para outros andares dançar ou ver vídeos. Mas quando fomos nos apresentar lá, as pessoas ficaram até o final”.

Finalmente, a história de amor dos Paralamas com a Argentina também começou com o trio: em fevereiro de 1986, Herbert, Bi e Barone tocaram no festival Chateau Rock, realizado no estádio Chateau Carreras, na cidade de Córdoba, com o Soda Stereo e a Blitz (em uma de suas últimas apresentações com a formação original). Foi a primeira vez deles no país que se tornou quase uma pátria adotiva.

8) O Rock in Rio

Você já sabe da importância que o primeiro Rock in Rio teve na carreira dos Paralamas. Sabe que a banda entrou como uma das últimas a serem escaladas para o primeiro festival de proporções gigantescas que a cultura pop brasileira pôde ver. Então, pouco há a falar. Basta ouvir (este vídeo de “Óculos” é da primeira apresentação, em 13 de janeiro de 1985 – o DVD mostra a apresentação do dia 16 de janeiro).

9) A primeira aparição com João Fera

Talvez nenhuma pessoa que tenha estado lá sabia. Mas quem foi ao show dos Paralamas em 26 de outubro de 1986, no Colégio Salesiano, em Niterói (RJ), testemunhou a primeira e histórica aparição de um acompanhante dos três, no palco: o tecladista João Carlos Gonçalves. Na verdade, quando começou a carreira, nas bandas de baile do interior fluminense, João dava aulas de violão – João Barone até fora um de seus alunos. E outro aluno (que conhecia outro sujeito chamado João Carlos) passou a chamar Gonçalves de “o João que é fera no violão”. Não demorou muito para daí vir o apelido definitivo: João Fera.

Tempos depois, precisando substituir o tecladista do seu grupo, Fera aprendeu rapidamente o instrumento. E foi como tecladista que ele chamou a atenção dos Paralamas, que já buscavam ampliar o espectro sonoro dos arranjos em shows e discos. Como você pode supor, o maestro João Fera até hoje acompanha o trio. E saiba: desde aquele 26 de outubro de 1986, o tecladista anota em cadernos cada show, cada gravação em estúdio, cada programa de televisão e rádio que faz junto dos Paralamas.

10) O trio depois

Desde outubro de 1986, João Fera acompanha os Paralamas. E desde 1988, os Paralamas contam com um naipe de metais no palco e nos discos (sem contar o percussionista Eduardo Lyra, que esteve com o trio entre 1993 e 2005). O que não quer dizer que Herbert, Bi e Barone não tenham mais estado sozinhos para apresentações. Isso ocorreu muito de lá para cá, principalmente na década passada.

Por exemplo: em 30 de agosto de 2003, o trio decidiu fazer uma “saideira” no apartamento onde morara Vovó Ondina, que estava para ser vendido. Foram mais de três horas de “show”, exclusivo para parentes e amigos próximos, para lembrar os velhos tempos de ensaios intermináveis. Ali, não só o repertório da fase inicial dos Paralamas, mas também os covers: “My Way”, Clash, Police, Stray Cats, Led Zeppelin, Who, Hendrix, Cream… num formato antigo deste site, João Barone escreveu um texto sobre aquela última vez que tocaram na casa que tão bem conheciam (leia aqui!). Falando ao jornalista Arthur Dapieve para o livro de fotos dos Paralamas, Barone comentou: “A gente tocou ‘Vovó Ondina é gente fina’ ad nauseam”. Como no início dos anos 1980, teve batida policial por causa dos vizinhos reclamando e tudo…

Tempos depois, em 21 de fevereiro de 2006, houve uma apresentação do grupo no Teatro Odisseia, no bairro carioca da Lapa. Foi em mais uma das festas Ronca Ronca, baseadas no programa homônimo do fotógrafo-DJ-baixista-amigo-de-fé-irmão-camarada Maurício Valladares. Convite de Mau Val não se recusa. E lá foram os Paralamas para fornecer o som da festa, seguindo o que geralmente fazem como trio: cantar os próprios sucessos, salpicados com covers generosos de quem lhes forneceu o norte musical. E dá-lhe mais Clash, Police, Zeppelin, Hendrix, Cream etc… Novamente ao livro de fotos, Barone descreveu: “Só os três, no osso, no peito e na raça”. De vez em quando, “só os três” aparecem nos estúdios em que Mau Val comanda o Ronca Ronca, para apresentações-surpresa – como em 2009, no Dia Internacional do Rock, quando tocaram a versão de “My Way”, das preferidas nos ensaios na casa da Vovó Ondina.

Finalmente, a última vez em que houve uma sequência de apresentações em trio dos Paralamas foi em 2008. No Baretto, pequena casa paulistana de shows, Herbert, Bi e Barone fizeram uma semana de shows. Mas isso foi até agora. Na sexta, sábado e domingo, vem aí mais um capítulo dessa história.  

A Caixa Paralamas por Maurício Valladares

 

Maurício Valladares é amigo de longa data d’Os Paralamas do Sucesso. Foi ele quem levou uma fita demo da banda, em 1982, para a Rádio Fluminense FM. Esta fita continha 4 músicas: Vital e Sua Moto, Patrulha Noturna, Encruzilhada Agro-Industrial e Solidariedade Não. Dali pra frente, tudo seria diferente para os Paralamas – e para MauVal, é claro, que passou a ser o fotógrafo oficial da banda – cargo informal que ocupa desde sempre – e cujos retratos da banda formam uma espécie de biografia imagética da trajetória de Herbert, Bi e Barone. Parte desta história, aliás, está retratada no livro de fotos que ele e os Paralamas lançaram em 2006.

Agora, em 2015, MauVal capturou o espírito de uma nova fase da banda, mas não foi com a usual câmera, e sim com lápis e papel. É dele o texto de apresentação da Caixa Paralamas que foi distribuído aos veículos de imprensa e que, agora, disponibilizamos aqui, para todo mundo poder ler. E descobrir que Maurício é tão bom com o lápis quanto com a câmera na mão.

 

OS PARALAMAS DO SUCESSO 1983 – 2015
Inoxidável – Enverga mas não Quebra

Dia desses, Os Paralamas do Sucesso abalaram as estruturas do Circo Voador, o berço deles, no Rio de Janeiro. O “treme-treme” aconteceu em um dos muitos shows celebrando os mais de trinta anos da banda. É pura tradição Bi-Herbert-João causarem danos irreparáveis à lonas, estádios, teatros, barracos ou por onde mais eles passam com seu circo sônico. Mas o fato que estremeceu a minha carcaça foi perceber o delírio coletivo, a entrega desmedida, o voo de corações & almas proporcionado pelas testemunhas daquele momento mágico.

Acompanho os Paralamas desde seus primeiros dias de vida e essa comunhão com o público sempre foi uma das marcas do trio, sempre! Mas o passar do tempo – são mais de três décadas – coloca diante de nossos sentidos uma brutal novidade que, óbvio, não existia em 1985 (no Rock in Rio), em 1994 (no Estádio Monumental de Nuñes, abarrotado, em Buenos Aires) ou em 2000 (no primeiro show pós recuperação de Herbert, em João Pessoa).

Esse frescor que brotou na Lapa carioca é “simplesmente” a soma do natural envelhecimento dos fissurados no som paralâmico com a eterna juventude das novíssimas gerações que se deixam levar pelo mesmo terremoto de emoções. A galeria de tipos que se coloca diante da música dos Paralamas é algo impossível de ser medido. Ou como João Fera costuma dizer: “não dá pra apertar com a chave”.

Como compreender a importância de uma música? O que ela representa? Por onde ela circulou em nossas vidas? Quantos zilhões de gargalhadas ela gerou? Quantas piscinas de lágrimas ela encheu? O filminho passou diante de minhas lembranças enquanto eles desciam os cabelos em “Mensagem de amor”, “O beco”, “Calibre” e outras tantas tatuagens que carregamos. Ainda bem que ninguém chegou pra mim perguntando: “e aí, curtiu o show?” Afinal, eu não saberia dizer muita coisa sobre a performance do trio.

Minha atenção ficou grudada às reações da plateia, aos jeitos completamente diferentes de esgoelar a mesma música, aos abraços e beijos divididos entre pessoas que mal se conheciam, aos olhares radiantes para o palco, à felicidade coletiva espremida em duas horas de êxtase. É por essas – e muitas outras – que a paixão precisa ser alimentada. O vai e vem de informações não pode ser interrompido, sequer dar uma respiradinha diante da pressa avassaladora de 2015. A cada dia pipocam (youtube & cia) gravações e imagens, até então desconhecidas, para matar a sede da nação paralâmica, digna de um maratonista ao final do percurso.

Para as inoxidáveis conexões seguirem o rumo natural da História, acaba de ser lançada uma caixa com 20 CDs contando as peripécias de João, Bi, Herbert & seus bluecaps. Lá estão dezoito discos originais de carreira e outros dois abarrotados de surpresas. Como raridades realizadas para cinema, discos de amigos, documentários e comercial de TV. Além de um CD com a banda interpretando alguns de seus maiores sucessos em espanhol.

Para manter o cheiro de tinta fresca você conhecerá duas gravações feitas ano passado: “Que me pisen” (da banda argentina Sumo) e “Hablando a tu corazón” (composição dos também portenhos Charly Garcia e Pedro Aznar).

Enfim, não tem jeito, os Paralamas e você são unha e carne. O tempo deixa o nó apertado, cada vez mais grudado.

Ou, se você preferir, pode envergar à vontade, mas não vai quebrar mesmo!


Mauricio Valladares

Fevereiro/2015

Salve MauVal

O eterno parceiro dos Paralamas, Maurício Valladares, é destaque na revista Rolling Stone do mês de janeiro que está nas bancas. E entre vários flagras de gigantes do rock e do reggae internacional, está lá a menção mais do que honrosa à relação fotográfica dele com Herbert, Bi e Barone. MauVal fotografou a banda em todos os discos ate aqui. Não é pouca coisa…

Sessenta anos de Mauricio Valladares

A história dOs Paralamas é feita de duas palavras chaves: música e amizade. Mauricio Valladares é um dos pontos de convergência disso aí. Foi uma referência importantíssima, apresentando músicas e sons, para toda aquela turma que escutava a rádio Fluminense, no início dos anos 80. Seguiu por décadas fazendo isso, que aliás, faz até hoje, cada vez melhor no RoNca RoNca!

Depois, se tornou o primeiro a tocar uma música dOs Paralamas no rádio, dando à banda a chance de ser ouvida e ainda entrevistada. Sonho total pros três caboclos, que só queriam saber de um dia conseguir tocar no Circo Voador.

A amizade foi se refinando e o lado fotógrafo de Mauricio foi entrando na equação. Naquela época, ele já tinha uma ficha corrida de bons serviços prestados à fotografia musical mundo afora, sobretudo da época em que morou na Inglaterra. Toda hora cruzava-se com seu nome na beira da foto de um monstro do rock impressa numa revista brasileira. Com a fotografia, veio a amizade. Mauricio começaria a fotografar Os Paralamas pra nunca mais parar! Já são 30 anos dividindo estradas, amizade, sons e muita diversão pelo mundo afora. Pra quem não se ligou, ele inclusive já tocou em shows com a banda e gravou (sim! gravou!) baixo em “Mormaço”, faixa do disco Brasil Afora. Como se não bastasse, ainda é autor de livro! Sim, é dele a biografia fotográfica dos Paralamas.

Ontem foi aniversário dele. Hoje é dia de mais um RoNca RoNca! Uma lenda, uma entidade suprema da música, do rádio, da fotografia e da amizade! Cheers!!!

Plaza de Mayo

No finzinho do mês passado, os Paralamas tiveram a honra de participar de uma festa nacional na Argentina, a comemoração dos 203 anos da Revolução de Maio, data da expulsão dos espanhois do país. E a honra ainda teve de lambuja tocar ao lado de Café Tacvba e Fito Paez. Um palco foi armado em frente à Casa Rosada – a sede do governo federal em Buenos Aires – em plena Praça de Maio (ou Plaza de Mayo, para os íntimos). Bateu um orgulho em participar de uma festa em lugar tão cheio de história e significados. Para quem não pôde participar, aqui vai uma galeria de fotos. O Maurício Valladares, fotobiógrafo da banda, também deu os cliques dele por lá.

Chegou a Vez de Selvagem?


Mais uma galeria de fotos pra ver no flickr oficial dos Paralamas, desta vez são setenta fotos de Selvagem?, incluindo muito material de bastidores, como fotos da estrada e material gráfico de venda de shows. Tem muito fã da banda que nunca viu um desses programas, que eram muito usados até pouco tempo para que os contratantes entendessem o que a banda oferecia e quais as condições técnicas para a realização de um show dos Paralamas. Foi a repercussão de Selvagem que jogou de vez Herbert, Bi e Barone pra todos os cantos do Brasil, para a Argentina e para uma vendagem de gente grande, com o primeiro disco de platina da banda.