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Rock in Rio – Ana Maria Bahiana

A história de Ana Maria Bahiana com os Paralamas começou cedo. Em algum momento entre os anos de 1982 e 1983, a jornalista ouviu uma fita-demo que lhe chegou aos ouvidos pelas mãos de Maurício Valladares. “Me apaixonei de cara”, conta. A admiração logo virou amizade e até colaboração profissional – é dela o argumento para o clipe de “Foi o Mordomo” (1984) e o texto do livro que acompanha a caixa “Pólvora” (1997).

Ana assistiu a diversos shows da banda nesses 32 anos. Um deles, porém, lhe marcou especialmente: a histórica apresentação do trio na primeira edição do Rock in Rio, em 1985. Na época, Ana Maria era jornalista do caderno de cultura do jornal carioca O Globo e, mesmo em meio à correria do trabalho – que gerou um texto sobre o show, que você confere abaixo na íntegra – ela ainda conseguiu espiar a apresentação de Herbert, Bi e Barone.

Neste depoimento exclusivo para o site dos Paralamas, Ana – que hoje vive em Los Angeles – relembra o show no festival e conta como um policial americano conheceu “Alagados”.

Ana e os Paralamas

Conheci os Paralamas ainda em Brasilia, através do meu compadre Mauricio Valladares. Ouvi uma demo e me apaixonei de cara. Acompanhei a carreira deles de berço, fiz o argumento de um videoclipe (“Foi o Mordomo”, para o Fantástico), ia aos bastidores, eles pintavam na minha casa, no Leblon, perto da do  MauVal. Era uma espécie de corredor do rock, ali entre a Praça Antero de Quental e o Baixo. Tenho grandes lembranças, muito carinho e muita saudade desse tempo bom, quando as possibilidades pareciam tantas, os horizontes, tão abertos, o Brasil respirando, primaverando, se reinventando. A pulsação da música dos Paralamas era isso para mim, essa energia fundamental.

Ana, os Paralamas e o Rock in Rio

Achei o máximo eles serem convidados pro Rock in Rio. Achei arriscadíssimo também, mas confiava que eles estivessem prontos. E estavam. Hoje tudo parece um filme super exposto, imagens borradas, superpostas – é que  trabalhei demais, direto, cobrindo para O Globo no meio da lama, a redação volante instalada num trailer, os despachos com a Irineu Marinho feitos na base de mensageiro e a última novidade tecnológica.. o fax!

Anos depois

Momento engraçado aconteceu tempos depois, na primeira vez em que fui parada por um guarda aqui em Los Angeles (por não parar num sinal de “pare”, altas horas da noite, numa rua deserta). Eu estava ouvindo “Vamo Batê Lata” aos berros e quando o guarda pediu para baixar a janela do meu muito rodado Gol, tomou um “Alagados” no meio do peito. Levei a multa. Mas sorri muito. Mande um beijo grande daqui para eles. Diga que agora minhas netinhas Lucille e Evelyn dançam comigo ao som deles…

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ROCK IN RIO 2,  Domingo, 13/1/1985

por: Ana Maria Bahiana

Muito sol, muito calor, muita gente, muito verde e amarelo antecipando a eleição de Tancredo Neves esta semana. E muitos problemas de som para os primeiros a se apresentar no palco do Rock In Rio. Seria conspiração dos técnicos gringos, operando apenas para as grandes atrações interacionais? Os bastidores estavam fervendo de teorias de conspiração.

Mas os Paralamas do Sucesso, abertura da tarde de domingo, não vieram para ter medo nem de calor, nem de som instável, nem da barulheira dos helicópteros sobrevoando a Cidade do Rock em busca de ângulos épicos para captar o evento. Herbert, Bi e Barone arrasaram do começo ao fim. Ouso dizer que foi o melhor show de abertura destes primeiros três dias de Rock in Rio: pura energia, competência, alegria contagiante, repertório enxuto em cima dos dois LPs do trio. Explosão total com big hit  “Óculos”, plateia inteira dentro, dançando, cantando junto. “Um tempo atrás um acontecimento como o Rock in Rio era impensável. Hoje nós estamos aqui e eu quero dizer que isto só foi possível graças aos novos grupos brasileiros que surgiram nos últimos anos”, Herbert disse, do alto do palco, no meio do show. E estava certo.

Apoiado no sucesso e no ótimo repertório de seus LPs Tempos Modernos, Ritmo do Momento e Tudo Azul, Lulu Santos fez um show empolgante, divertido, com o povo da Cidade do Rock cantando “Tempos Modernos”,  “O Último Romântico”, “Como Uma Onda”. Tão rock, tão carioca.

A onda carioca continuou com a Blitz, cheia de energia, arrebatando a plateia com “Weekend”, “Ridícula”, “A Dois Passos do Paraíso”. O clima de festa chegou ao auge com o grande sucesso da banda, “Você Não Soube Me Amar”, cantado em uníssono com Evandro Mesquita, Fernanda Abreu e Márcia Bulcão.

O código musical de comunicação entre humanos e ETs de Contatos Imediatos de Terceiro Grau anunciou a chegada de Nina Hagen. Perfeito: foi mesmo uma extra-terrestre que baixou no palco, cabeleira rosa pink, brandindo uma cruz e cantando a “Habanera”, ária da ópera Carmen. A doideira performática continuou, incluindo “Spirit in Sky”, hit menor dos anos 60, a punkíssima “White Punks on Dope” e alguns cacarejos ali pelo meio.

A plateia ainda estava meio em choque quando o extremo oposto de Nina Hagen entrou no palco : as saltitantes Go-Go’s.  O pop era leve e alegrinho, o pessoal reagiu bem ao sucesso “My Lips Are Sealed” mas não passou disso.

A noite, no final, ficou com um velho conhecido da imprensa carioca: Rod Stewart. E Rod ganhou o dia. Nem a chuva, que começou a cair assim que ele deu a partida em “Hot Legs”, conseguiu  tirar o show dos trilhos. Tudo perfeito, tudo certo – Rod é o popstar do momento. E sabe disso : anunciou um de seus primeiros sucessos, dos seus tempos com os Faces, “Maggie May”, como “uma canção da época em que eu era um garoto qualquer”. Pela aclamação da Cidade do Rock, não é mais mesmo.