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Release 30 anos

Nosso parceiro e contemporâneo Arthur Dapieve, jornalista que acompanha a história dOs Paralamas e do rock brasileiro de perto, sentou à mesa para destilar algumas linhas suaves sobre essa comemoração. Trintinha. 30 anos. Tá tudo só começando. Saca só o texto do Dapi:

De todos os aniversários redondos, o de 30 anos é o mais cheio de significados. Ele marca – ou deveria marcar – o adeus à juventude e o olá à maturidade. Aquela velha música de Marcos & Paulo Sérgio Valle traduzia bem o sentimento dos mais jovens: “Não confie em ninguém com mais de 30 anos”. Mas e agora? E agora que os 30 são os novos 20? E agora que uma banda comemora três décadas sem perder a autoconfiança, como os Paralamas do Sucesso? “Em vez de celebrar esses primeiros 30 anos estamos é festejando a abertura do segundo ciclo de 30 anos”, proclama Herbert Vianna.

Os Paralamas vão festejar fazendo aquilo que mais gostam de fazer. “A alegria é estar no palco com amigos que compreendem com exatidão o que querem fazer”, diz Herbert. Ele, Bi Ribeiro, João Barone – os três fundadores da banda agora trintona que nunca trocou de formação, caso único no Brasil – mais o tecladista João Fera e a dupla dos sopros, Bidu Cordeiro e Monteiro Júnior, vão tocar em oito capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Salvador, Belo Horizonte e Brasília. Na direção, Claudio Torres e José Fortes, empresário da banda desde o ínicio da carreira.

Talvez a maturidade tenha chegado bem cedo aos Paralamas, não muito tempo depois de shows na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, no bar Western, no Circo Voador, tudo em rápida sucessão no começo dos anos 80. Se, naturalmente, os LPs “Cinema mudo” e “O passo do Lui” eram trabalhos de formação, empolgados por uma energia pós-punk e pós-adolescente, o blockbuster “Selvagem?” já apresentava uma banda surpreendentemente cascuda em 1986. Desde então, a peteca jamais caiu

Essa chegada precoce do amadurecimento – emocional, lírico, melódico, instrumental – permitiu que os Paralamas conservassem o frescor dos primórdios durante todo esse tempo, nas vacas gordas e nas vacas magras. Não houve necessidade de estabelecer “até aqui é a juventude, a partir dali é a maturidade”. Não. “A mágica continua, o encanto continua, o Herbert ainda se entrega na guitarra, passamos por muitas mudanças de fase, mas o tesão é imutável”, diz Barone. “A gente tem cada vez mais convicção no que faz: estar junto, tocando”, completa Bi.

Tocar juntos, claro, é tocar os maiores sucessos desses 30 anos – e ainda algumas músicas que mereciam mais atenção (“pelas quais a gente ainda se entusiasma”, diz Herbert ) – mas também é dar um jeito de voltar ao início. “Ao chegar nessa marca, a gente se lembrou de como era na gênese da coisa, quando a gente lançava mão das influências”, conta Barone. Nos primórdios da banda, não havia nem bastante repertório próprio para preencher um show. Os Paralamas, então, tocavam música alheias. Nada mais justo poeticamente que isso ressurja (“em doses homeopáticas, não viramos uma banda de covers”, ressalta Barone) na comemoração.

A introdução de “O Calibre”, por exemplo, terá um quê de “Whole Lotta Love”, do Led Zeppelin. “O Herbert sempre foi uma jukebox humana”, brinca o baterista. O guitarrista explica que, além desta, quatro músicas da banda surgirão em pot- pourris com músicas alheias de igual andamento ou temática. “Fomos selecionando e compactando, porque daria uma lista muito mais ampla do que a gente costuma tocar num show”, explica Herbert. No palco, haverá a projeção em LED de fotos de todas as fases da história da banda, a cargo do diretor de arte Batman Zavarese.

Dentro do “espírito “paralâmico”, porém, a comemoração não se atém ao que se vê no palco, mas se espraia também pelos bastidores. “Tem gente na equipe que está há 20 anos com a gente”, explica Bi. Todos compartilham da alegria de pegar dois voos e depois mais dez horas de ônibus para tocar, tocar como se não houvesse amanhã. Não são muitas bandas no mundo que conseguiram conservar a alegria da estrada, encarada com alegria e não com tédio. “O Herbert é o maior fominha”, entrega o baixista.

O segredo dessa eterna juventude talvez esteja no fato de que os Paralamas nunca se levaram a sério, sempre se ironizaram o tempo inteiro. “Temos um serrote de salto alto”, declara Barone. “Não temos presunção diante dos fãs, mas gratidão.” Essa leveza também permitiu que nessas três décadas os Paralamas se tornassem a banda brasileira que mais mudou – permanecendo fiel à sua essência e à sua convicção. Não há um disco deles que seja similar ao anterior. “Muitas dessas mudanças de fase se devem ao Herbert, à sua capacidade de mudar, de não querer se repetir”, explica Barone”. Desse jeito, fazer 30 anos pode não ser nem um pouco complicado.

(por Arthur Dapieve)