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Participação especial: Herbert Vianna [3]

Chegamos à última parte da série de participações especiais de Herbert Vianna fora dos Paralamas!

Daniela Mercury

Em 1991, ela ainda começava a aparecer fora da Bahia, mesmo já tendo longa carreira no estado natal – não só nos trios elétricos e bares da vida, mas também como cantora de uma banda conhecida dos baianos, a Companhia Clic. Mas lançou naquele ano seu primeiro disco solo, homônimo. E se o sucesso que a catapultou aos olhos do Brasil foi “Swing da cor”, já havia ali uma canção de Herbert: “Milagres”.

Herbert foi até cogitado pela própria para produzir seu segundo álbum, mas a agenda não lhe permitiria dedicação. Então, ele passou a dica ao produtor e amigo Liminha. Este nem se entusiasmou muito a princípio, mas HV foi enfático, conforme revelou em entrevista ao pessoal do Casseta & Planeta, em 1995: “Liminha, você vai ganhar muito dinheiro com essa menina!”. Pois é: a menina era Daniela Mercury.

E ali as coisas se encaixaram. Liminha produziu O canto da cidade (1992), álbum que definitivamente transformou Daniela numa estrela de primeira grandeza da música brasileira. E Herbert fez questão de estar presente: não só cedeu “Só pra te mostrar” à amiga, mas também participou da gravação, cantando e tocando guitarra. E mais: ainda participou do programa especial sobre O canto da cidade, para a TV Globo, ainda em 1992, repetindo o dueto em “Só pra te mostrar” – que ele relembrou em Victoria.

Em 1994,  Música de rua, o terceiro álbum de Daniela, teve nova colaboração de Herbert: ele cedeu outra composição, “Sempre te quis” (gravada pelos Paralamas em 9 Luas), novamente tocando guitarra na versão original. E desde então, Daniela desenvolveu a própria carreira – sempre acenando com gratidão e reverência a Herbert, como fica claro nesse vídeo abaixo.

 

Titãs (e carreira solo)

Os Paralamas sempre foram muito próximos dos Titãs. Para começo de conversa, basta lembrar o álbum ao vivo que ambos fizeram juntos. Mas no início da década de 1990, a proximidade era ainda maior, até por José Fortes empresariar as duas bandas na época. Não era necessário muito mais para dar início a colaborações. E Herbert fez isso tanto com um egresso dos Titãs como com a própria banda.

Em 12 de janeiro (1995), primeiro álbum solo de Nando Reis – então ainda cantor e baixista dos Titãs -, Herbert colocou a guitarra solo nos quatro grandes sucessos do disco: “Me diga”, “A fila”, “Meu aniversário” e “E.C.T.”. No mesmo ano, os Titãs voltaram da pausa de um ano, lançando o álbum Domingo. E ali Herbert novamente esteve (assim como Barone): gravou o solo de guitarra em “O caroço da cabeça”, parceria dele com Nando e Marcelo Fromer. “O caroço da cabeça” foi outra canção registrada pelos Paralamas posteriormente, em 9 Luas.

Duas vezes Herbert, sempre Herbert

Em 1996, a revista Placar organizou o lançamento de um disco, produzido por Pierre Aderne, no qual os hinos de 16 grandes clubes do futebol brasileiro eram reinterpretados por gente do rock e da MPB. Os Paralamas andavam frequentando a página da revista de esportes (na época, também falando de música): em 1995, haviam sido até escolhidos como a banda brasileira preferida dos jogadores de futebol da época, em votação de Placar. De mais a mais, a paixão de Herbert pelo Flamengo nunca foi segredo para ninguém.

Pedir uma versão do conhecido hino composto por Lamartine Babo era tentador. E ele aceitou: gravou a voz e a guitarra do hino flamenguista no trabalho de 1996, cantando junto com outros célebres flamenguistas da música: Neguinho da Beija-Flor, Falcão (O Rappa) e os MCs Júnior e Leonardo, autores do “Rap do centenário”, sucesso na torcida rubro-negra em 1995.

Deu muito certo. Tanto que em 2004, quando a Placar fez nova versão do álbum com outros artistas, os canais de voz e de guitarra que Herbert gravara em 1996 para o hino rubro-negro foram reaproveitados na nova releitura, que ainda trouxe Gabriel O Pensador como convidado. Seja como for, HV certamente teria um desgosto profundo se não tivesse homenageado assim o time do coração.

Músicas iguais, nomes diferentes

Aqui, dois lances curiosos. Em dois momentos, canções de Herbert foram gravadas duas vezes, com dois nomes diferentes. Em 1996, quando lançou o álbum Mondo Diablo, o Nenhum de Nós registrou “Todas as coisas”, parceria de Herbert com o amigo Thedy Corrêa. Pois bem: em 2012, quando gravou a mesma música em Victoria, Herbert mudou o título para “Sinto muito”, além de fazer algumas mudanças na letra.

E aconteceu o mesmo quando Herbert cedeu uma canção ao grupo vocal Fat Family. Em alta no ano de 1998, o FF lançou seu primeiro álbum solo trazendo no repertório “Eu sou só um”. Em 2002, os Paralamas reaproveitaram a canção em Longo Caminho, mas com o título alterado: trata-se de “Flores e espinhos”.

A parceria com Paulo Sérgio Valle

No fim da década, Herbert iniciou uma parceria com um colega seu num clube de voo, no Rio de Janeiro: o compositor Paulo Sérgio Valle. Que, por sinal, já tinha outra profícua parceria na música brasileira, com o irmão Marcos Valle. Esta parceria rendeu poucas canções. Mas quase sempre marcantes. A primeira delas foi cedida para Ivete Sangalo, o primeiro disco solo da homônima, em 1999. E tornou-se um dos grandes sucessos dela: claro, “Se eu não te amasse tanto assim”. Depois, Herbert e Paulo Sérgio fizeram uma canção com a intenção de oferecê-la a Roberto Carlos. Não deu certo com ele, mas funcionou com Maria Bethânia: “Quando você não está aqui” foi registrada pela cantora em Maricotinha, disco lançado em 2001. Naquele ano, Bethânia ainda cantou “Quando você não está aqui” no show de comemoração de seus 35 anos de carreira – lançado em 2012, no DVD Noite luzidia. Com Herbert em recuperação de seu acidente, convidou ao palco dois colegas de geração e amigos do compositor: Arnaldo Antunes e Branco Mello.

Anos 2000/2010

No início dos anos 2000, Herbert estava a todo vapor. Não bastasse a intensa atividade com os Paralamas (então, em turnê com o Acústico), compunha em profusão, principalmente para cantoras. Ivete Sangalo novamente se aproveitou da fase inspirada: se “Se eu não te amasse tanto assim” já fora sucesso em 1999, a nativa de Juazeiro gravou nova canção de Herbert em Beat Beleza, seu segundo álbum, de 2000. Outro sucesso: “A lua q eu t dei” – assim está o título no encarte -, composição que ele fez sozinho. De quebra, ainda gravou o solo de guitarra da versão original de Ivete. Ainda em 2000, Kátia B, disco de Kátia Bronstein – cujas participações de Barone já estão no texto sobre ele -, trouxe “Noites de sol, dias de lua”, composição de Herbert, que também tocou guitarra em outras canções do disco. Ambas foram relembradas em Victoria.

2001. Não é preciso lembrar o que aconteceu. Todo mundo sabe. E talvez a canção que simbolize a melancolia daqueles dias seja “Junto ao mar”: uma composição de Herbert, gravada em Buganvília, segundo álbum do grupo Penélope. Mas as canções do cantor/guitarrista dos Paralamas seguiam por aí. Em Bossa, seu disco daquele ano, Zizi Possi cantou “Eu só sei amar assim” (com Barone na bateria, como se leu aqui). Ainda em 2001, o tecladista Ari Borges gravou outra de Herbert: “Blues da garantia”, que ele recriou em Victoria.

 

Em 2002, a recuperação sonhada e desejada era um fato. Mas enquanto ele se recompunha para voltar aos palcos com os Paralamas, as músicas mantinham a lembrança. Com a formação original reunida após 13 anos, o RPM aproveitou uma canção cedida pelo colega de geração no álbum ao vivo, divulgado pela MTV, que celebrou o reencontro: “Vem pra mim”. No mesmo ano, o Cidade Negra fez o seu Acústico. E uma das inéditas contidas nele fez involuntariamente a ponte para o retorno triunfal de Herbert ao trabalho: era “Soldado da paz”, que os Paralamas gravaram em Longo Caminho.

Fora as participações já citadas, Herbert também recomeçou as aparições no trabalho de amigos. Se a ligação com Zizi Possi era conhecida desde a gravação dela para “Meu erro”, em 1989, HV estabelecia a ponte com a filha: em 2007, A vida é mesmo agora, álbum ao vivo de Luiza Possi, trouxe Herbert na voz e na guitarra da versão dela para “Quase um segundo”.

A retomada das relações musicais novamente superava barreiras: em 2010, os Pericos lançaram Pericos & Friends, álbum que celebrou os 25 anos do grupo argentino. E Herbert esteve nele, cantando “Casi nunca lo ves”. Naquele ano, a cantora Leila Pinheiro ainda registrou Meu segredo mais sincero, álbum em que revisitava a obra de Renato Russo. Compreensível que Herbert estivesse nele, com as guitarras de “Quando você voltar”.

Fora a participação com a cantora Negra Li numa série de comerciais da Fiat, 2014 teve Herbert marcando presença em “Não sei se te contei”, música que intitulou o álbum da cantora soteropolitana Thathi.

E a mais recente colaboração de Herbert fora dos Paralamas veio no fim do ano passado. Gravando um DVD para o Canal Brasil, onde reviu sua carreira tanto no Penélope quanto após ele, a cantora e compositora Érika Martins repetiu duelo marcante: “Inbetween days”, versão do Cure, na qual ela fora a convidada de Herbert em O som do sim. Como em 2000, Herbert fazia a voz e a guitarra.

De fato, compulsivo. Que bom que é assim, por tudo que a música representou na vida de Herbert.

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Confira a parte 1 e a parte 2 das participações de Herbert.

Confira as participações de Bi Ribeiro e João Barone.