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Participação especial: Herbert Vianna [2]

Depois da primeira parte da série, hora de colocarmos mais dinamismo nas colaborações de Herbert, através de uma ordem cronológica. Ainda em 1984, Herbert cedeu duas canções a Brega-chique, chique-brega, disco de Eduardo Dussek: “O crápula” e “O bilhetinho (Recebi seu bilhetinho)” – esta última até fazia parte do repertório dos shows dos Paralamas na época. Em 1985, assim como ocorreu com João Barone (o texto dele já está aqui no site), o talento daquele cantor/compositor/guitarrista não passaria em branco para dois olhares sempre atentos: os de Rita Lee e Gilberto Gil. Assim como Barone, Herbert participou de Rita & Roberto, disco lançado por ela: fez os vocais de apoio e a guitarra em “Glória F”. E gravou a guitarra de “O seu olhar”, faixa de Dia dorim Noite neon, álbum de Gil.

Mas 1985 era um ano de eclosão e efervescência naquela geração que tomava de assalto a música brasileira. E um dos grandes protagonistas da eclosão era o Ultraje a Rigor. Dando canjas num show aqui e outro ali, Herbert logo se aproximou de Roger Moreira. Deixou claro o gosto pelo grupo paulistano, com a versão de “Inútil” nos shows do Rock in Rio. E finalmente, Herbert foi convidado a participar das gravações do antológico Nós vamos invadir sua praia, o disco de estreia do Ultraje. Portanto, saiba: aquela guitarra solo irresistível que soa na versão original de “Marylou” é de HV.

No mesmo 85, Herbert ainda achou tempo para colaborar com Leo Jaime. Em Sessão da tarde, álbum que Leo lançou naquele ano – por sinal, outro megassucesso daquela geração -, um dos grandes hits foi a música que abria o trabalho: “O pobre” (“Ela não gosta de mim/Mas é porque eu sou pobre…”), parceria do cantor/compositor com Herbert. Os Paralamas até participaram completos numa outra faixa de Sessão da tarde, mas aí é outra história…

1986 chegou, mas Leo Jaime continuou recebendo as colaborações do colega de geração. Vida difícil, seu álbum naquele ano, foi gravado numa das salas do estúdio Nas Nuvens – em outra sala, ao mesmo tempo, os Paralamas gravaram Selvagem?. Bastou para mais trabalhos: além de Barone, Herbert também esteve em Vida difícil. Fez o solo de guitarra em “Briga”, e gravou guitarras ainda em “Prisioneiro do futuro” e na versão que Leo fez para uma canção já conhecida então: “Mensagem de amor”.

Outra releitura de uma obra de Herbert que também é esporadicamente lembrada é a da cantora e compositora Dulce Quental para “Caleidoscópio”. Inédita na época – o registro dos Paralamas, que sacramentou o sucesso da canção, veio só no primeiro Arquivo, em 1990 -, “Caleidoscópio” fez parte de “Voz azul”, primeiro disco solo de Dulce, lançado em 1987. Por sinal, “Voz azul” era mais uma produção de Herbert, junto do guitarrista e violonista Celso Fonseca e do produtor Mayrton Bahia. Não é de se estranhar que “Caleidoscópio” tenha sido registrada primeiro por Dulce; afinal, o Sempre Livre, banda da qual ela era a vocalista, gravou “Fui eu” em Avião de combate (1984), seu disco de estreia, quase simultaneamente à gravação dos Paralamas para “Fui eu” que está em O passo do Lui

Em 1989, Herbert elevaria ainda mais sua produção para outros artistas. Até em termos internacionais: naquele ano, David Byrne lançou Rei Momo, seu segundo disco solo (primeiro após o fim do Talking Heads), muito influenciado pela música brasileira e pelos sons afrocaribenhos. E Herbert participou do álbum, com os vocais e a guitarra de “Office Cowboy”.

Outra incursão que superou os limites geográficos foi trabalhar com a banda argentina de reggae Los Pericos: naquele 1989, eles escolheram Herbert para produzir o segundo trabalho, King Kong. Nascia uma amizade que segue até hoje e rendeu frutos até aos Paralamas: em Pampas reggae, disco de 1994, os Pericos lançaram “Párate y mira”. Que, na versão em português de Herbert, virou… isso mesmo, “Lourinha Bombril”, um dos grandes sucessos dos Paralamas, lançado dois anos depois.

Mais de 1989? Herbert produziu “Império dos sentidos”, o segundo álbum de Fausto Fawcett. Por sinal, Fausto era (e é) parceiro de uma das cantoras que mais ficariam próximas de Herbert ao longo da carreira. Mas isso já foi nos anos 1990…

Fernanda Abreu

Tão logo a Blitz acabou em sua primeira fase (1982-1986), na qual foi o estopim para o estouro da geração que “deu uma Blitz na MPB” – palavras de Gilberto Gil -, Fernanda Abreu voltou para seu habitat natural, a dança. Mas o bichinho da música já tinha picado de vez a ex-estudante de Sociologia da PUC carioca. E em 1989, Fernanda já começou a caraminholar sua volta aos estúdios. Demorou um pouco: não queria voltar apenas para aproveitar a fama do grupo em que começara. Mas quando foi formatando o que desejava fazer musicalmente, teve em Herbert Vianna um parceiro de primeira hora.

Isso foi provado já em 1990. SLA Radical Dance Disco Club, álbum da estreia solo de Fernanda – o SLA vem de Sampaio de Lacerda Abreu, seus sobrenomes -, teve Herbert altamente ativo. Ele produziu o disco, junto de Fernanda e do tecladista Fábio Fonseca (colega de João Barone na produção de outro álbum, a estreia de Ed Motta, em 1988). E Herbert ainda programou a bateria e tocou guitarra em várias das canções do álbum: na faixa-título, em “Kamikazes do amor”, em “Speed Racer” – parceria dos três produtores do trabalho, que Herbert gravou em Santorini Blues – e em um dos grandes sucessos do disco, “A noite”. No outro hit que saiu dali, “Você pra mim”, Herbert programou a bateria e tocou teclados. Ainda programou a percussão eletrônica de “Venus Cat People”, e participou da composição de “Disco club 2 (Melô da radical)”.

Demorou um pouco para os dois amigos voltarem a trabalhar juntos. Mas quando voltaram, rendeu outro sucesso a Fernanda: em Da Lata, disco que lançou em 1995, um dos grandes hits foi “Veneno da lata”, canção que dialogava com “Vamo batê lata” já no título. E no refrão (“Batuque-samba-funk, é veneno da lata (Vamo batê lata!)”). E ainda rememorava o primeiro álbum solo de Herbert, citando o empresário dela e o dos Paralamas também (“Tem que falar com o Jê [Jeronymo Machado]/Tem que falar com o Zé [claro, Zé Fortes]/Ê batumaré”). No arranjo, uma citação a “Qualquer palavra serve”, canção tirada de Ê Batumaré. Completando as várias menções, no meio da canção, a voz de Herbert cita novamente sua própria obra: “Quatro sete sete cinco meia/No batuque samba-funk da alegria arrastão/Ouviu dizer, ouviu falar, não sabe bem, deixa pra lá/O batuque samba-funk é o veneno”. E ele ainda apareceu no clipe de “Veneno da lata”. Finalmente, a parceria foi reproduzida ao vivo, na cerimônia de entrega do Video Music Brasil, da MTV, em 1996.

Outro grande momento de colaboração entre Herbert e Fernanda foi em 1997. Lançado naquele ano, Raio X, álbum em que ela revisitava seus sucessos ao lado de convidados, ainda trazia inéditas. Uma delas, “Um Amor, Um Lugar”, foi presente de Herbert, que ainda participou da gravação original cantando, arranjando, tocando guitarra, violão e viola de 12 cordas. E tornou-se mais um hit. Agradou tanto que os próprios Paralamas fizeram a versão no Acústico lançado em 1999 pela MTV Brasil. E consolidou a parceria a ponto de ter merecido nova versão da própria Fernanda, com Herbert de convidado na guitarra e no vocal, em 2006, no álbum ao vivo gravado por ela e lançado naquele ano pela MTV. Mesmo depois das grandes reviravoltas entre um momento e outro, continuava valendo o que Fernanda escrevera no material de lançamento de Raio X, referindo-se a “Um amor, um lugar”: “Herbert, um beijo. Grande artista e grande amigo”.

Anos 1990

Ainda antes da década começar, entre os vários trabalhos que Herbert produzia, poderia ter estado na lista O eterno deus Mu dança, álbum que Gilberto Gil lançou em 1989. Estava tudo certo, mas algumas discordâncias artísticas impediram que HV produzisse aquele novo trabalho de seu amigo/mentor Gil. Mágoas? Jamais: em Parabolicamará, disco que Gil apresentou no início de 1992, Herbert estava lá na ficha técnica. Foram dele as guitarras de “Madalena (entra em beco, sai em beco)”, uma das canções mais conhecidas de Parabolicamará.

Mas uma participação pitoresca de Herbert ocorreu em 1990 (tecnicamente, ainda é década de 1980, mas você entende, leitor). Naquele ano, Gonzaguinha lançou seu último trabalho em vida, Luizinho de Gonzaga, no qual fazia várias releituras das obras do pai que perdera no ano anterior. E para cantar o clássico maior de Gonzagão, “Asa branca”, Luiz Gonzaga Jr. colocou no estúdio o que chamou de “coral dos amigos”: um grupo que unia de Erasmo Carlos a Alcione, passando por Xuxa Meneghel. Cada amigo cantaria um verso de “Asa branca”. E Herbert foi um desses “amigos” de Gonzaguinha em seu derradeiro trabalho, participando daquela versão – para constar, o verso que ele cantou foi o “quando o verde dos teus olhos”.

Ao longo daquela década, houve mais canções que Herbert deu a outros parceiros e que não ficaram muito conhecidas do grande público – mesmo que os Paralamas, ou até Herbert sozinho, as tenham gravado posteriormente. Em 1994, o primeiro álbum solo de Toni Platão trazia “Qualquer garantia”; em 1996, o músico mineiro Eduardo Toledo registrou “Mulher sem nome”, composição de Herbert, que o trazia na guitarra da gravação original – e que foi registrada por ele em Victoria; 1997 teve Paulo Ricardo lançando O amor me escolheu, álbum solo dele, com “Amor em vão”, que depois recebeu versão dos Paralamas em Longo Caminho. E finalmente, em 1999, a banda carioca Negril (cujos baixista, Tácio Farias, e baterista, Cosme Tchê, tocaram com Herbert em O som do sim) fez a versão original de “Pense bem”, no álbum A outra margem do rio. “Pense bem” foi mais uma canção de Herbert que o próprio apresentou em Victoria.

Mas não era só através de suas canções que Herbert aparecia no trabalho de outras pessoas. Já comentado desde que lançou Aos vivos (1994), álbum ao vivo, Chico César viu o nosso conhecido guitarrista/cantor participar de Cuscuz clã (1996), seu segundo trabalho: Herbert registrou as guitarras em “Dá licença M’”. E 1997 trouxe uma participação daquelas para constar no currículo. No seu Acústico MTV, Gal Costa contou ao público que já sonhava há muito tempo em gravar algo de Herbert, inédito ou conhecido, mas nunca conseguia tê-lo junto. Daquela vez, conseguiu: ele esteve com Gal, cantando e tocando o violão de aço na releitura de “Lanterna dos afogados”, que fez algum sucesso e até hoje é lembrada às vezes. Antes de cantar, a marcante aparição foi celebrada com uma autogozação do próprio: “Que honra, o pior cantor do mundo com a maior cantora…”.

Mas as colaborações de Herbert ao longo daquela década de 1990 tiveram até mais curiosidades. Confira no próximo – e último – capítulo da série!