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Os Paralamas e o Circo Voador

 

Depois de São Paulo João Pessoa, Natal, Recife e Porto Alegre, é hora da série #ParalamasTrio passar por onde tudo começou, o Rio de Janeiro. Neste sábado, dia 5, Herbert, Bi e Barone sobem ao palco do Circo Voador para mais uma apresentação em trio. Mais um capítulo de uma história num espaço tão fundamental na carreira dos Paralamas, como você lerá agora!

 

Todo mundo tem um sonho. No Rio de Janeiro, no começo dos anos 1980, se você fosse um garoto/garota e gostasse de música, você provavelmente tinha três: formar uma banda, ter uma canção veiculada na Rádio Fluminense e tocar no Circo Voador.

Tudo começou em 15 de janeiro de 1982, na praia do Arpoador. Por esforço de cinco sujeitos (Perfeito Fortuna, Maurício Sette, Márcio Calvão e José Carlos Fernandes – mais a produtora e agitadora cultural Maria Luisa Juçá) e autorização do governo do estado do RJ, foi aberto o Circo Voador, tenda dedicada a todo e qualquer tipo de manifestação cultural. Artes plásticas, música, teatro, cinema… cabia tudo no Circo, que ficou no Arpoador por três meses. O espaço foi altamente cobiçado pelos grupos novos, cujas músicas tocavam numa rádio que faria “tabelinha histórica” com o Circo, embora não fosse oficialmente ligada a ele: a Rádio Fluminense (FM 94,9 MHz).

Não que a Fluminense FM (apelidada “Maldita”) só tocasse coisa nova. Mas a partir de 1º de março de 1982, quando inaugurou uma fase de reformulação e dedicação ao rock, disparava as várias fitas demo que recebia, além das novidades que trazia de fora, através do programa “Rock Alive”, do DJ Maurício Valladares,

Era um prato cheio para aquele pessoal carioca que gostava de música. Tocar na Fluminense FM e no Circo Voador passou a ser um grande sonho dos Paralamas, ainda na fase inicial da banda – vale lembrar: o primeiro show da história do grupo ocorreu em 21 de outubro de 1982, e exatamente dois dias depois, após um período parado, o Circo baixou sua lona para ficar de vez nos arcos da Lapa carioca.

Mas se todo mundo tem um sonho, é preciso batalhar para que ele aconteça. E os Paralamas batalharam, pé ante pé. Já se comentou aqui das primeiras apresentações maiores do grupo, no bar Western, em Botafogo, em 30 de outubro e 1º de novembro de 1982. Com o dinheiro da bilheteria desses shows no Western, os Paralamas bancaram a gravação de uma fita demo, no estúdio Retoque, também no Rio, de propriedade do percussionista Chico Batera. Nessa demo estavam “Vital e sua moto”, “Patrulha Noturna”, “Encruzilhada agrícola-industrial” (que foi encurtada para “Encruzilhada”, quando gravada em Cinema mudo) e “Solidariedade não”.

Com a batalha, às vezes surge um empurrãozinho da sorte. Ele veio graças ao irmão de Herbert, o antropólogo Hermano Vianna. Ouvinte da Fluminense, ele sempre participava dos sorteios de LPs que rolavam no “Rock Alive”. Um belo dia, Hermano foi aos estúdios da rádio, em Niterói, para pegar um LP que havia ganho nesses sorteios. Aproveitou a chance: levou a fita demo da banda do irmão, para ver se dava certo. E como deu: Maurício ouviu, gostou e tocou “Vital e sua moto” que passou a ser destaque na programação da Fluminense. Os Paralamas ganhavam o amigo (e fotógrafo) Mau Val para toda um vida.

Sonho de tocar na Fluminense realizado, os Paralamas passaram a conhecer (e a conviver com) vários outros colegas cariocas que gostavam de rock e já tinham suas bandas. Uma delas, aliás, não só já tinha tocado no Circo Voador, mas também participara até de uma coletânea da gravadora WEA (Rock Voador, de 1982, com alguns cantores e bandas que tocavam na Fluminense e no Circo): Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens, que daqui a pouco volta a essa história.

A batalha continuava, uma hora tinha de acontecer. E aconteceu. Herbert conversava com quem pudesse: Ezequiel Neves, a própria Maria Luisa Juçá, até que conheceu Lulu Santos, grande influência dos Paralamas na época. Conversou com ele, ficaram amigos, e daí para a combinação foi um pulo. Em 8 de março de 1983, abrindo para Lulu, os Paralamas do Sucesso conseguiram realizar a segunda parte do sonho: tocaram no Circo Voador.

Se não há vídeos desse primeiro show no Circo, há do segundo. Em 26 de março de 1983, os Paralamas apareceram como uma das bandas da “Primeira Noite Punk do Rio de Janeiro”. Embora não fizessem parte do movimento propriamente dito, simpatizavam com ele e o apoiavam. A ponto de tocarem “Veraneio Vascaína”, composição de dois colegas “punks” que Herbert Vianna e Bi Ribeiro haviam conhecido quando moraram em Brasília – um dos quais, aliás, iria tocar no Circo dali a alguns meses. Ainda nesse show da Primeira Noite Punk, convidaram ao palco aquela banda que haviam conhecido no cenário, da qual já eram amigos: o Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens.

 

Pouco a pouco, os Paralamas viravam habitués do Circo Voador em 1983. Num dos shows, trouxeram como convidado em “Química” um dos compositores de “Veraneio Vascaína”: claro, Renato Russo, que viria com a Legião Urbana tocar ali em outubro daquele ano. Depois, participaram de outro momento importante: o show do primeiro aniversário do Circo. Em 1987, assistindo a essa apresentação no documentário V, o vídeo, Bi Ribeiro teorizou: “Das bandas que tocavam no Circo Voador, a gente era a mais diferente. Todo mundo era ‘roqueiro’: Celso Blues Boy, Barão Vermelho… todo mundo era ‘roqueirão’. A gente destoava um pouco, era até meio malvisto como ‘os bonzinhos’, ‘os primeiros da classe’…”. Herbert Vianna ainda tirava sarro: “Vejam que postura de palco…”. Enfim, veja esse show inteiro de 1983 e tire suas próprias conclusões.

 

 

O Circo Voador cresceu e se tornou um dos mais marcantes espaços culturais cariocas nos anos 1980 e 1990 – até 1996, quando foi fechado pela prefeitura carioca. A lamentação foi grande na época, e alguns shows com o mote “SOS Circo Voador” foram feitos por alguns anos, com inúmeras participações dos Paralamas.

Felizmente, esse não foi o final da história. Em 22 de julho de 2004, com a histórica Maria Luisa Juçá à frente, o Circo foi enfim reaberto, no mesmo lugar de sempre. Meses depois, em 22 e 23 de outubro de 2004, quem apareceu para tocar, na turnê de Uns dias ao vivo? Lógico, os Paralamas, para comemorar o reencontro com aquele lugar que era tão cobiçado (um trecho do show, aí embaixo):

 

 

E a história continuou, com mais capítulos marcantes. Um deles, em 2011. Naquele ano, em junho e julho, os Paralamas haviam se apresentado no SESC Belenzinho, em São Paulo, tocando a íntegra de Selvagem? para comemorar os 25 anos do álbum, em apresentações que seriam únicas. Seriam. Os fãs cariocas se mobilizaram numa plataforma de crowdfunding para terem aquele show imperdível na cidade. E tiveram: em 29 de outubro de 2011, Selvagem? foi (re)apresentado ao Rio de Janeiro, na íntegra.

 

 

Assim como também não dava para a turnê dos 30 anos ficar sem uma passadinha no Circo – e ela aconteceu em 21 de novembro de 2014, no show de encerramento da tour (veja o vídeo de “Bora Bora”, nesse show). E também não dava para a série #ParalamasTrio ficar sem o capítulo no Circo Voador. Pois bem, esse capítulo será escrito neste sábado. Porque se o sonho inicial dos Paralamas era tocar no Circo Voador, melhor ainda é poder continuar realizando esse sonho, mesmo com tantos outros já realizados.

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