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João Fera: 30 Anos de Paralamas!

 

Neste dia 26 de outubro João Fera completará 30 anos acompanhando os Paralamas em cima do palco. Nosso presente vem em forma deste texto sobre a carreira do nosso tecladista!


Em 28 de setembro de 1953, nascia no Rio de Janeiro, João Carlos Gonçalves. Desde a juventude, ele se encantou pela música – a ponto de largar o seminário. Mas ainda demorou um pouco até que ele ganhasse o apelido pelo qual até hoje é conhecido (João Fera), o instrumento com que se firmou (teclado) e a banda com que ligou sua carreira de maneira tão firme.

Nascido numa família humilde, no Cantão do Peixoto (região carioca), João foi do Rio de Janeiro para Minas Gerais, tão logo entrou na adolescência: a intenção era estudar no seminário Nossa Senhora do Sagrado Coração, em Juiz de Fora. Ali, em 1969, ele começou a tocar violão – “de brincadeira, sem nenhuma pretensão musical”. A brincadeira começou a ficar séria em 1970. Nesse ano, João foi convidado para entrar num conjunto de baile, o Black Birds, como guitarrista-base (mais dedicado à harmonia, dentro da música). Convite aceito, o seminário ficou para trás.

Ainda em 1970: João Fera ingressou como guitarrista no grupo URB7. Surgido nas proximidades do campus da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, o grupo ficou muito conhecido por animar as festas de várias cidades do interior fluminense, com clássicos dos anos 1960 e 1970. Paralelamente aos shows com o URB7, João dava aula de violão, todos os dias. Ali conheceu um filho de funcionários da Universidade Rural, que às vezes assistia aos ensaios do grupo: um outro João, de sobrenome Barone. Mas ele volta depois neste texto.

Agora, mais importante é saber que o João professor de violão ganhou nas aulas seu apelido, de outro aluno – cuja identidade o tempo apagou da memória. Conhecendo dois João Carlos, o guitarrista e o baterista do URB7, o aluno decidiu parar com as confusões dos homônimos, dizendo que um João “era o fera no violão”. De tanto falar que o João era fera, veio a nova identidade: João Fera.

Em 1978, João Fera, entrou em outro conjunto surgido em torno da Rural: o Cry Babies Show. E ali o destino o colocou no rumo do instrumento em que ficou. Um belo dia, o tecladista do Cry Babies anunciou que estava saindo da banda, e Fera foi incumbido pelo chefe do grupo para ocupar a lacuna deixada – ou então, perderia o emprego. Restou correr atrás, sendo que nem teclado ele tinha na época. A solução foi prosaica: o novo tecladista desenhou uma sequência de teclas na mesa da cozinha de sua casa, anotou as notas correspondentes em cada uma das “teclas” e, a partir daí, transpôs os acordes que fazia no violão para o “teclado” improvisado. Deu certo: em uma semana, Fera aprendeu a tocar teclado e dominou o repertório do Cry Babies Show. (Em tempo: Já com os Paralamas, Fera tocou violão em algumas faixas de Big Bang, e acompanhava Herbert nas seis cordas, na parte acústica dos shows da turnê de Brasil Afora).

Como tecladista, a carreira de músico engrenou aos poucos. Em 1982, Fera foi escolhido para a banda do cantor e compositor Wando, trabalhando com ele durante quatro anos em shows.

Continuando a morar na região de Seropédica, foi em 1985, pouco depois do Rock in Rio, que Fera assistiu ao primeiro show da banda com a qual seu destino estava ligado. “O primeiro show dos Paralamas a que assisti foi no clube Social do km 47, na Rural, perto de onde eu e Barone morávamos”. Porém, ele ainda nem desconfiava do que viria. Por várias vezes, Fera descreveu as sensações daquele show: “Eu vi e achei uma ótima banda. Pensava só que, em alguns momentos, faltava um teclado. Mas jamais imaginei que o escolhido seria eu!”.

No segundo semestre de 1986, na turnê de Selvagem?, Herbert notou algo, que descreveu ao jornalista Ricardo Alexandre no livro Dias de luta: “Durante os primeiros shows, começamos a sentir falta de uma maior sustentação harmônica, já que estávamos nos envolvendo explicitamente com o reggae, que é mais sincopado e harmônico”. A partir daí, começaram as buscas por um tecladista. Muita gente experiente se ofereceu, mas Herbert e Bi ouviram logo a sugestão de Barone pelo velho conhecido dele nos arredores da Universidade Rural – e àquela altura, seu professor de violão.

O convite dos Paralamas foi recebido com muita humildade, como Fera relembrou a este site: “Quando rolou o convite, devido ao sucesso que eles estavam fazendo, eu, sinceramente, não me sentia à altura de integrar a banda. Eles estavam superfamosos”. O primeiro músico de apoio que os Paralamas teriam no palco ainda ouviu a justificativa pela escolha dele, em detrimento de ofertas mais conhecidas: “Eles tinham uma preocupação muito grande em manter a sonoridade deles, ao passo que se colocassem um músico muito técnico, isso poderia vir a acontecer, segundo me confidenciou o Herbert no primeiro ensaio realizado na EMI”. Para os ensaios, Fera comprou Selvagem?, que não tinha, e ouviu muitas vezes O passo do Lui, para se familiarizar com o repertório.

Desde a primeira apresentação acompanhando os Paralamas, em 26 de outubro de 1986, no Colégio Salesiano, em Niterói, João Fera visivelmente acompanha os três no palco. Não só nos teclados, mas também com detalhes de percussão leve, como pandeirolas e cowbells, além de vocais de apoio.

 

João Fera durante show em Montreux em 1987 – gravação do 4. disco da banda, “D”

 

A mostra pública de que havia mais gente ajudando Herbert, Bi e Barone estava na turnê europeia feita em 1987 – cujo show no Festival de Jazz de Montreux gerou D, primeiro álbum ao vivo dos Paralamas. E uma das músicas inéditas, enviada para as rádios, trazia na introdução a forte presença dos teclados de João Fera. Claro, a referência aqui é  “Será que vai chover?” – que ainda teve versão de estúdio na fita K7 de D (incluída na versão remasterizada para CD, em 1997).

Além dos shows, não demorou muito para Fera se entrosar com toda a equipe também fora do palco. Nem para que pudesse acrescentar à sonoridade. Nas turnês de Bora Bora e Big Bang, ele costumava usar um teclado da Yamaha e um da Roland – sem contar a habitual presença de um órgão Hammond Suzuki XB-2. O “casamento” tinha dado tão certo que Fera logo acompanhava Bi e Barone no Mighty Reggae Beat, projeto paralelo de ambos, dedicado ao ritmo jamaicano. E todas aquelas experiências eram tão marcantes para o tecladista que ele já estava imerso num hábito, mantido até hoje: desde 1986, João Fera tem cadernos e cadernos onde relaciona cada show, cada gravação, cada programa de rádio e tevê que fez junto dos Paralamas do Sucesso.

Em Severino, Fera não participou das gravações em estúdio (por sinal, foi o único álbum em que ele não acompanhou os Paralamas, de 1986 em diante). Mas voltou para a turnê que gerou Vamo batê lata, agora com apenas um teclado Roland D-50, mais o Hammond. Desde então, seu equipamento passou por algumas alterações. De 1995 a 1999, Fera esteve nos palcos com um Ensoniq TS-12 e o Hammond XB-2. No Acústico, em 1999, adotou o piano digital MP-9000 da Kawai. Na volta dos Paralamas, em 2002, o Ensoniq TS-12 retornou, agora auxiliado por um sintetizador Nord Lead, mais o Hammond Suzuki. Logo o Nord Lead saiu, dando lugar a um teclado Yamaha Motif XF8, ou a um Roland RD 700GX. Com o TS-12 posto de lado, desde 2008 João usa nos palcos um piano digital Casio Privia PX-5S, ou o Motif XF8. Também nesse ano, ganhou o patrocínio da Tokai, marca produtora de órgãos – e usa um órgão TX-5 da empresa nos shows.

Junto dessa longa trajetória, houve um momento em que só os shows com os Paralamas já não bastavam para matar a saudade que João tinha dos bailes que haviam formado o seu caráter musical. Então, a partir de 1999, Fera uniu alguns colegas dos anos 1970  para formarem um grupo de baile, com os velhos sucessos de rádio dos anos 1960 e 1970. Era a primeira formação da banda Voyage, que é reativada por Fera sempre que os Paralamas dão uma folga – e onde ele relembra seus tempos de guitarrista.

Esse é o momento individual, outro lado de uma história que já toma quase 30 dos 63 anos de João Fera. Uma história cada vez mais difícil de ser dissociada, como bem descreveu Barone: “Ele construiu a história dele com os Paralamas de uma maneira amalgamada”. Que continue assim. :-)

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