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Montreux 30 anos

 

Há exatamente 30 anos, em 4 de julho de 1987, os Paralamas do Sucesso viviam o seu “dia D”. Mas, ao invés da Normandia, o “desembarque” foi na 20ª edição do Festival de Jazz de Montreux – mais precisamente, para fazer um show na Noite Brasileira daquele festival. Este show gerou “D”, o primeiro álbum ao vivo dos Paralamas.  Confira as lembranças!

 

No final de 1986, os Paralamas do Sucesso já podiam bater no peito e dizer que eram uma banda respeitada. A aposta arriscada em Selvagem? – aumentar as influências africanas no som – havia sido ganha: já eram mais de 500 mil cópias vendidas do disco, com “Alagados” e “Melô do Marinheiro” convertidas em grandes sucessos da banda (ainda viria “A novidade”). Muito falada no Brasil, era natural que alguns ecos saíssem do país para ganhar o mundo. O alcance desses ecos já havia chegado à Argentina, como você leu aqui. Não demorou muito, e os ecos também alcançaram a Europa: ainda no fim de 1986, houve uma participação num festival em Madri, mais uma passagem rapidíssima de três dias por Portugal.

Essa curta visita já bastou para chamar uma atenção valiosa naquela época: a do suíço Claude Nobs (1936-2013), fundador e diretor artístico do Festival de Jazz de Montreux, realizado anualmente desde 1967 naquela cidade da Suíça, à beira do lago Genebra. Àquela altura, tocar em Montreux era como um atestado de credibilidade musical, como se via na lista de gente que já passara pelo palco do cassino onde eram feitas as apresentações: Ella Fitzgerald, BB King, Nina Simone, Chuck Berry, Ray Charles, Herbie Hancock… e Gilberto Gil.

Por sinal, foi graças a uma apoteótica apresentação de Gil em Montreux, na edição de 1978 do festival, que Claude Nobs decidira fazer uma “Noite Brasileira”, chamando artistas daqui para ocuparem uma noite inteira no festival. Como curadores dessa noite, o patrono do evento escolheu dois amigos: André Midani, então presidente da gravadora WEA, e o produtor Marco Mazzola. E após oito anos de Noite Brasileira (com nomes do calibre de Elis Regina, Caetano Veloso, Ney Matogrosso, João Bosco, Paulinho da Viola e Djavan, entre outros), Nobs quis chamar os Paralamas para a edição de 1987. O convite chegou à banda e ao empresário José Fortes, vindo de Mazzola – e foi prontamente aceito.

A responsabilidade era gigante: tratava-se da primeira banda brasileira dos anos 1980 a ir tocar em palco tão prestigioso. Mas a oportunidade que se abria era imperdível: quase todo artista brasileiro que saía daqui gravava as apresentações em Montreux para lançamento posterior. De quebra, não bastasse Montreux, chegara mais um convite para um show em outro lendário palco europeu: o Olympia de Paris. Assim, a preparação começou rapidamente: Herbert, Bi, Barone e toda a equipe dos Paralamas passaram junho de 1987 inteiro ensaiando para o 4 de julho da “Noite Brasileira” – além deles, apresentar-se-iam no Montreux Casino Beth Carvalho, Ivan Lins e a dupla João Bosco e Cesar Camargo Mariano.

 

Anúncio de Lançamento do “D” na Revista Bizz – 1987

Claro, nem tudo era pressão. A autoconfiança aumentou com os ensaios feitos em lugares mais do que habituais e íntimos dos Paralamas: foram dois dias nos estúdios da gravadora EMI, no bairro carioca de Botafogo, e cinco dias no Sítio Recreio, que Bi tinha em Mendes, cidade na região serrana do Rio. A passagem por Mendes foi decisiva: além de alinhavarem o repertório e os arranjos dos shows em Montreux e Paris (bom lembrar: além dos três, João Fera já integrava as apresentações no palco), a turma convivia com os amigos.

De quebra, os habitantes de Mendes saíram ganhando. Nos dias passados na cidade, os Paralamas participaram de (e organizavam) festas tanto no sítio de Bi quanto em dois clubes: o do Frigorífico Esporte Clube e o do CIPEC (Centro Industrial de Papel e Cartonagem), uma fábrica centenária de Mendes. Finalmente, tudo ajeitado, foi feito um “show-treino” para Montreux, em 26 de junho de 1987, num CIPEC absolutamente lotado. Era como se estivesse valendo, com várias coisas que seriam executadas no festival: versões de “Ska”, “Charles Anjo 45” – de Jorge Ben Jor – e a versão de “Selvagem” que enxertaria “Polícia”, dos Titãs, como você pode ver abaixo:

 

O treino já havia sido quase como um jogo. E a “equipe” dos Paralamas viajou rumo a Montreux com a seguinte escalação: Herbert, Bi, Barone e João Fera; José Fortes e o braço-direito Jeronymo Machado, o “Jê”, ambos na supervisão; Maurício Valladares, o histórico parceiro, responsável pelas fotos da aventura; Carlos Savalla (técnico de som dos shows dos Paralamas na época) e Roberto Ramos (este, técnico de som dos estúdios da EMI); Marcos Olívio, iluminador e designer de iluminação, até hoje trabalhando nas turnês dos Paralamas; os roadies Big, Helder “Casca” Vianna e Mauro Benzaquem, o “MB”. Numa escala rápida em Londres, o time encontrou o produtor Liminha, que ajudaria José Fortes a coordenar os trabalhos na Suíça. Junto de Liminha estavam os amigos do Kid Abelha, todos envolvidos na mixagem do disco Tomate, na mesma época, na capital inglesa. George Israel foi convidado para fazer o saxofone em “Ska” no show de Montreux, aceitou na hora, e virou mais um membro da equipe.

Todos chegaram a Montreux em 2 de julho de 1987. E as primeiras impressões foram descritas por Herbert a Thomas Pappon, da revista Bizz, na edição de outubro daquele ano: “Quando vimos o lugar [Montreux Casino], na noite anterior, para ver o Pat Metheny, não acreditei. Não era possível que ia ser naquele lugar chulé. O palco era baixo, o palco não era grande. Mas era ali mesmo”. Barone acrescentou: “É um salão, onde cabem umas três mil pessoas”.

Mas o que importava era fazer o show – e gravá-lo. E chegou o dia 4 de julho, dia da Noite Brasileira no Festival de Jazz de Montreux. Misturando inglês e francês, Claude Nobs fez a apresentação em cima do palco, falando em “le groupe plus grand de Brésil” e citando, sobre uma base programada por Barone: “À la batterie, João Barone; à la basse, Bi Ribeiro; au keyboard, João Fera; guitar et vocal, Herbert Vianna!” E a primeira música daquele show permanece inédita: uma versão de “Odilê, Odilá”, parceria de João Bosco e Martinho da Vila, que não entrou no material gravado. Tempos depois, à Bizz, Herbert comentou a razão para limarem a música do disco: “Eu errei toda a letra”.

A segunda música era uma novidade. “Será que vai chover?”, escrita por Herbert, com o arranjo destacando os teclados de João Fera. E dali por diante, o que você ouve hoje em D é a sequência da apresentação de 45 minutos tal qual foi gravada, de “Alagados” – com a citação a “De frente pro crime”, mais uma canção de João Bosco, que já vinha sendo inserida na turnê de Selvagem? – até “Meu erro”, quando Herbert se despediu do público, misturando inglês e português, passando pela participação de George Israel em “Ska”, como você pode ver abaixo:

Após o repertório de dez músicas, “Será que vai chover?” e “Óculos” ainda foram repetidas no bis pedido pela plateia calorosa. Enquanto isso, Liminha cuidava de toda a gravação, no Mountain Recording Studios, estúdio anexo ao cassino onde as apresentações eram feitas. Herbert descreveu o processo à Bizz: “Tinha um multicabo que era dividido: 24 canais iam para o estúdio, onde estava o Liminha, e 24 para a mesa de som do show”.

Trabalho feito, os Paralamas até quiseram ficar em Montreux para outro show que lhes interessava. Mas frustraram-se, como Herbert contou: “Ficamos um tempo lá para ver o UB40, que não tocou. Foi uma grande decepção. Eles deram um cano”. O cancelamento dificultou os planos posteriores do périplo europeu: “Tínhamos alterado a passagem por causa disso, e chegamos em cima da hora para o show em Paris, no Olympia”. Na também famosa casa de shows da capital francesa, em 6 de julho, os Paralamas fizeram mais um show (contando com canja de Liminha, além de George Israel) e tiraram várias fotos que foram para o encarte de D.

De volta ao Brasil após curtas férias na Europa, com a fita do show em Montreux gravada, a mixagem nos estúdios cariocas da EMI, com o técnico de som Renato Luiz, nos meses de agosto e setembro. E em outubro de 1987, veio o lançamento de D, em LP e fita K7, com “Será que vai chover?” tendo seu clipe apresentado no Fantástico, da TV Globo – e uma versão de estúdio da música, como faixa bônus da versão em fita (e incluída quando o álbum foi reeditado em CD, para a lata Pólvora, de 1997).

Com o primeiro álbum ao vivo sendo lançado, aquele momento merecia um marco a mais. Ele veio em 28 de dezembro de 1987, quando o SBT exibiu o especial V, o vídeo. Dirigido por Roberto Berliner e Sandra Kogut, ele era um documentário que retratava todos os passos dos Paralamas até ali, destacando as cenas da preparação em Mendes e do show de Montreux. V, o vídeo está inédito em DVD, mas trechos dele circulam pela internet. Também estão na rede algumas imagens do show de Montreux em 1987, cuja íntegra em vídeo até agora segue inédita para o público – mas está conservada no arquivo que o festival mantém com todas as apresentações, desde 1967.

Os Paralamas voltaram ao festival da cidade suíça por quatro vezes: 1989, 1993, 2000 – a partir de então, já no Auditório Stravinski, o novo local dos shows, em substituição ao velho cassino – e 2004 (aqui, a íntegra da apresentação). Mas talvez esses capítulos não houvessem acontecido na história, não fosse aquele “dia D” em 4 de julho de 1987.

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