kiev escort - проститутки киева

A inspiração que Salvador nos traz

Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife, Natal, João Pessoa, Porto Velho… e agora, Salvador! A queridíssima capital baiana receberá os Paralamas do Sucesso no próximo dia 27, para mais uma apresentação da turnê de “Sinais do Sim”, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, um lugar que já viu diversas apresentações, em uma cidade que já serviu de cenário para momentos marcantes e inspirados da carreira da banda.

 

A primeira vez dos Paralamas em Salvador foi em meados de 1985, quando a turnê de O Passo do Lui passou por lá. A admiração mútua foi imediata. Não demorou para que os Paralamas retornassem às terras soteropolitanas, para mais shows. Alguns, em lugares conhecidos dos anos 1980 – como o circo Troca de Segredos, em Ondina, à beira-mar, ponto certo para apresentações dos vários nomes da geração que tomava a música brasileira de assalto naquela década.

Um desses momentos marcantes foi em meados de 1986. As andanças soteropolitanas já haviam motivado Herbert Vianna a compor “Alagados”, com a favela como uma das imagens evocadas na letra, lado a lado com Trenchtown (o conjunto de casas feitas de palafitas, em Kingston, capital da Jamaica) e a carioca Favela da Maré. Pois bem: tempos depois, a menção rendeu uma das maiores homenagens que os Paralamas já receberam.

Ela ocorreu num show em outubro de 1986, já na turnê de Selvagem?, e foi contada por Herbert à revista Bizz: “A gente tocou nos Alagados, num clube chamado Periperi, um lugar enorme onde cabem 20 mil pessoas. E as pessoas que vão aos shows lá moram nos Alagados. Foi genial o show lá, e no dia seguinte nós fomos convidados para assistir ao ensaio de um bloco afro chamado Ara Ketu, do pessoal de lá. No meio da favela, radical pra caralho, só crioulo, meio-dia, um puta sol, uma bateria tocando os batuques e cantando tudo em nagô e as pessoas respondendo em nagô, dançando. Aí a bateria parou e fez um cumprimento para a gente. Porra, nós somos três moleques da Zona Sul do Rio! Ter atingido isso é do caralho”.

A relação estava madura. E só se aprofundaria: durante a metade final da década de 1980, a fase que os Paralamas viviam na carreira fazia com que se interessassem cada vez mais não só por ir a Salvador, mas também por conhecer o cenário musical fervilhante que a capital da Bahia vivia. Este cenário influía até nas turnês da banda. Em 24 de abril de 1988, com o Olodum como banda de abertura, houve uma volta ao ginásio do Esporte Clube Periperi – aquele da grande homenagem em 1986.

Pouco menos de três meses depois, em 15 de julho, com a turnê de Bora Bora na estrada, os Paralamas já retornavam à cidade, para uma apresentação na Concha Acústica do Teatro Castro Alves. Agora, com o Olodum como parte do show principal: oito percussionistas se somaram à banda, com a regência do segundo mestre de bateria do bloco, Jackson, mais o vocalista Beto do Carmo. Prato cheio para versões de dois hits baianos no repertório daquela performance: “Ladeira do Pelô”, do próprio Olodum, e “Eu sou negão”, histórico sucesso de Gerônimo.  Mais um acréscimo para a noite histórica: mesmo sob uma chuva torrencial caindo sobre a Concha Acústica, a ponto de trazer perigo aos músicos pelos choques tomados, os Paralamas seguiram normalmente com o show. Deixaram Salvador ainda mais admirados.

De quebra, “Eu sou negão” entrou no repertório regular das apresentações daquela turnê – assim como a inserção de “Depois que o Ilê passar”, canto do Ilê Aiyê, em meio a “Melô do marinheiro”. Nada mais compreensível que aquela geração, também pioneira, fazendo a música pop brasileira olhar para a mescla que ocorria na Bahia (lambada, juju music, high life, ritmos caribenhos a granel), recebesse um afago paralâmico: “Jubiabá”, versão de Gerônimo para “Give me the things”, mais um sucesso do cantor baiano, ganhava uma releitura em Big Bang.

 

 

Não bastasse isso, uma outra música de Big Bang, segundo o próprio Herbert Vianna conta, “Lanterna dos Afogados” foi intitulada tendo em mente um capítulo de “Jubiabá” (mais coincidência…), livro de Jorge Amado, no qual se comentava sobre um bar homônimo, no cais do porto, onde as mulheres vinham esperar os maridos que voltavam do dia de trabalho no mar.

Mais inspiração? Herbert a conseguiu, com auxílio de um personagem marcante na cena soteropolitana, cuja aparição nacional começou ao colocar uma canção na boca de Caetano Veloso (“Meia-lua inteira”, de 1989) e não parou mais: Antônio Carlos Santos  de Freitas, vulgo Carlinhos Brown. Ele já tivera uma vinculação aos Paralamas: em Os Grãos, Carlinhos foi um dos percussionistas em “Carro Velho”, junto a Léo Bit-Bit e Tripé, integrantes do grupo Vai Quem Vem. Mas o capítulo mais decisivo dessa aproximação surgiu em 1994. Em mais uma visita dos Paralamas a Salvador, Herbert fez questão de encontrar Carlinhos Brown, em seu habitat natural: o bairro do Candeal.

O que viveram lá fez o cantor/compositor/guitarrista se impressionar, no making of para Vamo batê lata: “Ele é diretamente ligado a Deus. Nunca conheci uma pessoa tão impressionante em termos de criatividade – de quantidade e de qualidade. É o maior compositor que eu já conheci. (…)” A canção que ambos fizeram no Candeal saiu dali, foi gravada como uma das quatro inéditas de Vamo batê lata e virou outra das canções mais conhecidas da banda: “Uma brasileira”. Herbert descreveu: “Eu ficava com a melodia e ele ia rodando – ele vai rodando, assim, gritando, correndo, ‘rapaz, é… é… é não-sei-quê’, qualquer palavra, ‘é o milho, é o milho’. Eu ia anotando, né? Ia vendo o som da palavra, ‘isso parece com isso’… que tal se a gente fala ‘uma brasileira, ô’…”.

E estava feita a canção que selaria a proximidade entre os Paralamas e Brown. A ponto de surgirem daí outras participações – como em “Yarahá”, canção lançada em “Adobró”, trabalho de 2010. Ou a canja na edição de 2012 do “Sarau do Brown”, que o próprio organiza anualmente em Salvador. Ou o show na Arena Banco Original, no Rio de Janeiro, no ano passado – lá tocaram “Uma brasileira”:

Brown era mais um amigo que os Paralamas faziam em Salvador. Assim como Daniela Mercury, a quem Herbert Vianna deu força desde que a carreira solo decolava – basta lembrar de dois sucessos dela que ele compôs, “Só pra te mostrar” (1992 – Herbert ainda participava e tocava guitarra na música) e “Sempre te quis” (1994). Assim como Ivete Sangalo, que sempre fez questão de declarar quanto os Paralamas a influenciaram desde a adolescência – e que também recebeu presentes de Herbert que viraram sucesso: “Se eu não te amasse tanto assim”, de 1999, e A lua q eu t dei”, de 2000.

Com tamanha proximidade, nem era necessário que mais momentos marcantes viessem para os Paralamas em Salvador. Mas vieram. O primeiro deles, arrepiante: em 29 de janeiro de 2003, a participação no Festival de Verão de Salvador, numa das primeiras apresentações de grande porte feitas pela banda após o início da turnê de Longo Caminho, o “álbum da volta”. Há pouco a falar, e muito a ouvir:

 

 

Se aquele show de 2003 tinha um misto de emoções, em 2008 foi só alegria. Os Paralamas procuravam um estúdio para gravar o disco. Carlinhos Brown abriu o Ilha dos Sapos, o estúdio que montou no bairro do Candeal, para as primerias gravações de Brasil Afora. Caiu como uma luva, segundo João Barone escreveu, num texto intitulado “Em busca da vibe perfeita”: “Antigamente, procurávamos gravar em estúdios com as melhores condições técnicas, via de regra, caros e sofisticados. (…) Mas nós fomos gravar lá por um motivo mais importante: a busca da vibe perfeita”.

De quebra, duas visitas especiais alegraram ainda mais os Paralamas. “No último dia de gravação, recebemos no estúdio as visitas inesperadas de Geraldinho Azevedo e Ivete Sangalo, que estavam gravando num outro estúdio perto dali e apareceram para uma social. Herbert aproveitou e promoveu o seu já tradicional sarau, tocando e cantando um monte de músicas ao violão, junto com Ivete, que – para surpresa geral – tomou conta de minhas baquetas e mandou ver na bateria, acompanhando Herbert com algumas batidas muito bem executadas! Essa menina ainda vai longe!”.

Para terminar, o baterista praticamente resumiu a relação que une os Paralamas a Salvador: “Desta vez a Bahia nos deu algo muito mais precioso, difícil de medir, mas fácil de sentir. Estávamos super à vontade, como se a gente não tivesse saído de casa. Os trabalhos rolaram na maior harmonia, sob as bênçãos dos orixás. Deve ser isso que eles chamam de axé… e o axé foi fortíssimo!”.

Continua sendo forte. Porque a Concha Acústica do TCA foi sede de um dos primeiros shows da turnê comemorativa dos 30 anos da banda, em 19 de maio de 2013. E será sede de mais um reencontro dos Paralamas com uma terra que já lhes deu muita inspiração.

 

Para comprar seu ingresso pro show do dia 27/05, clique aqui!

tags