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Bora Bora 30 anos


 

Há 30 anos, os Paralamas do Sucesso lançavam o álbum “Bora Bora”, o quinto disco da banda – e quarto de estúdio. Acompanhe aqui algumas curiosidades e dificuldades que permearam este lançamento.

 

A rigor, para quem acompanhasse o trabalho dos Paralamas do Sucesso, é possível dizer que os próximos passos deles já estavam delineados desde o começo de 1988. Porque após uma aparição consagradora em Buenos Aires (3 de janeiro, abrindo o show de Tina Turner, no estádio Monumental de Núñez), vieram as duas primeiras apresentações importantes da banda em território brasileiro – as duas aparições na edição do Hollywood Rock daquele ano (7 de janeiro, no Rio, na Praça da Apoteose; 14 de janeiro, em São Paulo, no Estádio do Morumbi), ambas abrindo para UB40 e Simple Minds. Em ambas, estreou publicamente uma novidade sonora que para sempre estará ligada aos Paralamas: o naipe de metais. Que contava, então, somente com dois integrantes. No saxofone, Paulo Fortes e no trompete, Mattos Nascimento.

Veio mais uma passagem latinoamericana (dia 17 de janeiro de 1988, no Rock Sanber, festival na cidade de San Bernardino, no Paraguai), mais alguns shows pelo Brasil em fevereiro – MG, RN e PB-, e aí os Paralamas entraram nos estúdios da EMI (como você deve ter lido aqui) para gravarem o quarto disco. Pelo menos, o conceito dele já estava pronto. E tinha uma inspiração: O Fundo do Coração (no original, One from the heart), filme de 1982, dirigido por Francis Ford Coppola. João Barone explicou, na época de lançamento: “A influência do filme de Coppola, que mostra entre outras coisas o sonho barato da felicidade, foi muito grande. Quem não assume que tem influências está sendo pretensioso, e nós não somos pretensiosos. Nosso projeto estético é uma mistura da falência de sonhos e anúncios vagabundos de paraísos tropicais, daí Bora Bora”.

Àquela altura, o naipe de metais também já estava melhor integrado ao som dos Paralamas. Herbert Vianna, Bi Ribeiro, João Barone – e João Fera, também já nos shows e gravações – foram para o estúdio. Nossos três velhos conhecidos produziriam o próprio álbum pela primeira vez, junto de um nome já habituado: Carlos Savalla, técnico de som das apresentações da banda desde a turnê de O Passo do Lui até os tempos de 9 Luas, dono de uma generosa discoteca, até hoje amicíssimo dos Paralamas.

 

 (FOTO METAIS)

 

Junto de todos, mais três nomes para o que Herbert chamaria sempre de “metais em brasa”. Dois desses nomes eram músicos de estúdio, já tarimbados no acompanhamento de outros nomes: Humberto Araújo (saxofone) e Don Harris (trumpete). Mattos Nascimento mudava do trompete para o trombone, e seria o único a ficar para a turnê que viria por ali. Para Humberto, Don Harris e Mattos, Herbert passava as frases dos metais que seriam executadas nas canções. Uma dessas frases logo ficaria eternizada: justamente a introdução da faixa de abertura do disco, até hoje firme no repertório dos shows dos Paralamas. Claro, “O Beco”.

Mais coisas já estavam prontas antes mesmo dos trabalhos nos estúdios da EMI. Por exemplo, “Bundalelê”, tema instrumental já criado por Herbert em 1987, descrito por ele ao Jornal do Brasil como “afrocruel com uma frase de guitarra que eu jurava que era  Kassav’ [banda martinicana] mas descobri que era de ‘Maria Caracoles’, do [guitarrista Carlos] Santana”. Ou “Uns dias”, outro futuro hit, que havia sido apresentado aos fãs no especial de televisão V, o vídeo, no final de 1987, ainda intitulado “O expresso do Oriente”.

Já outras canções foram se aprontando no decorrer das gravações. Barone lembrou de um caso assim, numa longa entrevista à revista Bizz, em 1991: “Sanfona”. “Sempre foi uma experiência difícil botar nome em disco e música. Nessa música, era por causa de uma sanfoninha que tinha no meio. Ainda não tinha a letra, e a gente sempre se referiu como ‘aquela da sanfona’, então acabou ficando”. Se as durezas fossem só essas, seriam até “normais”. Mas aos poucos, as dificuldades no caminho rumo a Bora Bora foram se avolumando. Uma delas, pelo menos, deu razão para uma piada interna da banda. Herbert criara uma canção instrumental, chamada “O retorno de Jedi” – “sabe lá Deus por quê”, nas palavras do cantor/compositor/guitarrista à Bizz, em 1991.

Segundo Bi lembrou ao livro oficial de fotos da banda, em 2006, a intenção era gravá-la com o DJ jamaicano Yellowman – “mas aí apareceu o Peter Metro por conta de uns contatos do Mauricio [Valladares]”. E coube a Peter Metro, um toaster (espécie de repentista) jamaicano, criar uma letra em cima da base instrumental que os Paralamas já tinham. Estava feita “Don’t give me that”, com letra que citava os problemas do humorista norte-americano Richard Pryor para se opor ao uso de cocaína. A criatividade de Metro foi tanta que valeu até um repeteco – “The can”, brincadeira com o “verão da lata” que mobilizou todo o Rio de Janeiro naquele 1988. Só que a participação saiu cara: 500 libras esterlinas, algo como cerca de R$ 2500 em números atuais. Peter Metro cobrava, com sotaque jamaicano: “Where’s my money?” (“Onde está o meu dinheiro?”, em português). Foi pago, mas o “Where’s my money?” virou a piada interna.

Já com outra dificuldade, os Paralamas não tiveram motivo nenhum para rir. Muito ao contrário: tal dificuldade quase acaba com tudo que havia sido gravado. As fitas de 24 canais usadas na gravação nos estúdios da EMI, produzidas pela empresa alemã Agfa, eram de um lote defeituoso. Estavam podres. Mas Carlos Savalla, o técnico de som Renato Luiz, Herbert, Bi, Barone e José Fortes só souberam disso na hora em que partiram para a mixagem de Bora Bora, no Townhouse Studios, um complexo de gravações em Londres, em março de 1988. Savalla descreveu o drama à biografia dos Paralamas, escrita pelo jornalista Jamari França, em 2003: “As fitas soltavam óxido, e a gente só percebeu isso depois que passamos a manuseá-las. Tem músicas cuja mixagem fizemos rezando de joelhos para acabar. ‘Uns Dias’ é um exemplo disso. As fitas do Bora Bora não existem mais, só existe esse material que está aí”. A Agfa atribuiu o problema com as fitas ao “clima úmido” do Brasil, pediu desculpas à banda, e só.

 

 (FOTO estudio london)

 

De boas lembranças em Londres, podemos citar a participação de Serico (um amigo dos Paralamas que morava na capital inglesa, que fez os vocais de apoio na versão do baião “Um a um”) e o fato da sala ao lado no Townhouse Studios estar sendo usada por ninguém menos que Eric Clapton, para ensaios – num certo dia, os três mais José Fortes entraram rapidamente na sala vazia e invejaram o pedal Cry Baby de Clapton, banhado em ouro. Pelo menos, o resto do trabalho estava pronto. Estavam salvos momentos como a participação de Charly García, ao piano acústico, acompanhando Herbert, ao violão, em “Quase um segundo”. Ou como “Dois elefantes”, música que chegou a ir para as rádios e a ser tocada nas apresentações. Ou como a faixa-título. Ou como “O fundo do coração”, citação daquele filme de Coppola, que contava com a participação do amigo George Israel no saxofone.

Gravado em fevereiro, mixado em março, Bora Bora enfim foi apresentado à imprensa em 23 de maio de 1988, numa festa no Aeroanta, casa de shows em São Paulo. Havia a decoração típica de uma festa tropical (já que o título do álbum vinha de uma ilha da Polinésia): palmeiras, folhas de bananeira, recepcionistas de sarongue, colares de papel crepon… e para coroar tudo, uma apresentação dos Paralamas. A princípio, seriam só seis músicas, mas virou mesmo um show para valer, mesmo com audiência fechada.

Restava ver as opiniões da imprensa. No Jornal do Brasil, Arthur Dapieve elogiou as letras: “Em Bora Bora, o tal amadurecimento é notável e polivalente. As letras abandonaram o mero narrar para se fragmentarem cinematograficamente”. Já na Folha de S. Paulo, Mário Cesar Carvalho colocava reservas quanto à fusão de ritmos cada vez mais aprofundada: “A ‘cor nacional’ está em Bora Bora; a ousadia de ir além do pop boçal que rola no dial, idem; é tudo muito bem acabado, mas algumas músicas mostram que o grupo acabou envolvido pela malha do folclore. A reverência aos nativos, um certo respeito de antropólogo estrangeiro, transformou Bora Bora num catálogo petrificado de ritmos”.

O tom variado das resenhas seguiu. N’O Globo, Carlos Albuquerque foi elogioso: “Bora Bora é a cristalização de um estilo, aprimorado ao longo de quatro LPs, é de longe seu trabalho mais inspirado, mais bem acabado e bem solucionado. São dois lados distintos, um incandescente, irresistível, outro mais introspectivo, rico em sutilezas”. Na revista Bizz, Jean-Yves de Neufville também opinava sobre a polirritmia com ceticismo: “Se os Paralamas formam hoje um trio coeso capaz de entusiasmar multidões, ainda não conseguiram fazer a síntese de suas influências musicais, lembrando o camaleão que adota a cor do mato em que se encontra”.

Se o caso era entusiasmar multidões, os Paralamas abriram a turnê de Bora Bora em grande estilo: em 17 de julho, numa apresentação no festival Alternativa Nativa, no Maracanãzinho carioca, empolgaram os espectadores. “Bundalelê” abria o show, com “Alagados”, “Sanfona”, e o baile seguia. Assim como o trio de metais que foi para o palco. Além dos já citados Paulo Fortes e Mattos Nascimento, havia um trompetista que acompanharia os Paralamas por muito tempo: Demétrio Bezerra, integrante entre 1988 e 2002. Os três, mais Herbert, Bi, João e Fera, ainda gravaram no Teatro Fênix o hoje célebre Paralamas & Legião, especial em conjunto com a Legião Urbana, exibido pela TV Globo em 3 de setembro de 1988. Já estavam lá “O Beco” e “Bora Bora” na parte do repertório que coube aos Paralamas.

 

 

A chegada a São Paulo foi numa temporada no antigo Olympia, entre 21 e 23 de outubro (é a apresentação do vídeo acima, transmitido pela TV Cultura paulista no início de 1989). De lá para cá, as canções de Bora Bora seguem costumeiramente usadas no repertório – como “O Beco”, “Bundalelê” e “Uns dias”, todas na turnê atual de Sinais do Sim. Ainda há “Quase um segundo” e “Bora Bora”, que vez por outra aparecem entre um show e outro.

Recentemente, o fotógrafo e amigo Mauricio Valladares recuperou trechos do áudio do show da turnê Bora Bora no antigo Canecão, no Rio de Janeiro, em 1988. Ouça aqui.

 

Clicando aqui você acessa a ficha técnica e letras das músicas.
E você, conta pra gente qual é a música que você mais gosta no Bora Bora?

01. O Beco
02. Bunda Lê Lê
03. Bora Bora
04. Sanfona
05. Um a Um
06. Fingido
07. Don’t Give Me That
08. Uns Dias
09. Quase Um Segundo
10. Dois Elefantes
11. Três
12. Impressão
13. O Fundo do Coração
14. The Can