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Sinais do Sim no Nordeste

 

Os Paralamas do Sucesso chegam ao Nordeste trazendo a turnê de “Sinais do sim”. Será um final de semana inteiro começando em João Pessoa (Teatro Pedra do Reino, no dia 02), passando por Natal (Teatro Riachuelo, no dia 3) e fechando em Recife (Teatro Guararapes, no próximo domingo). Hora de lembrar um excelente momento: o recomeço dos Paralamas nos palcos, que foi exatamente nessa região!

 

Desnecessário comentar mais sobre a relação íntima entre os Paralamas e João Pessoa – até porque ela já foi comentada aqui, neste texto. No entanto, houve uma ocasião especial, sobre a qual o texto publicado em 2016 passou batido. Porque quando o caminho da banda pelos palcos recomeçou, em 2002, o ponto inicial foi escolhido pelo recuperado filho da terra: com Longo Caminho já lançado havia um mês, a pedido de Herbert Vianna, “Jampa” foi o local do primeiro show daquela turnê – ou seja, do primeiro show dos Paralamas do Sucesso aberto ao público em geral após o acidente. Foi em 6 de novembro de 2002, uma quarta-feira, na casa de shows Forrock.

Obviamente lotada (15 mil pessoas!) e cercada pela cobertura da imprensa, a apresentação teve um início que se tornaria dos mais impactantes das turnês dos Paralamas: Herbert, Bi e Barone, sozinhos, começando “O calibre”, sem firulas. E os três passaram mais algumas canções em cima do palco, até a entrada dos músicos de apoio (João Fera, José Monteiro Júnior, Bidu Cordeiro e o percussionista Eduardo Lyra). No repertório, tanto os sucessos que sempre estão lá (“Alagados”, “Meu erro”, “Caleidoscópio” e “Uma brasileira”, para citar só quatro) quanto lembranças de velhos amigos – “Manguetown”, de Chico Science, e “Que país é este”, da Legião Urbana. Ainda havia músicas que já não estão nas apresentações ao vivo há algum tempo, como “Vamo batê lata” – e outras que fizeram falta mas voltaram agora, como “Uns dias”.

Claro, Herbert era o grande destaque, o centro das atenções. Já mostrando o amor e a ligação com a Paraíba nas roupas (usou camisa vermelha e calça preta, as cores da bandeira do estado), o cantor, compositor e guitarrista da banda começou a falar com a plateia usando uma frase tão simples quanto definitiva: “Estou muito emocionado de estar aqui”. Citando repetidamente outras expressões de sua emoção aos conterrâneos (“É preciso ter força no coração”), Herbert era constantemente abordado por Bi, que perguntava as condições do colega recém-convalescente à medida que o show transcorria.

Felizmente para todos, as turbulências passaram longe daquele ambiente. A animação do pessoense Herbert carregou aquela apresentação, emocionando ainda mais aquela plateia. Para contentar ainda mais o ambiente, vez por outra aparecia uma bandeira da Paraíba no meio, coisa que nunca passava despercebida por Herbert. E aquele 6 de novembro ficou definitivamente marcado, por três motivos. Oficialmente, a turnê da volta dos Paralamas estava reaberta. Isso ocorrera da melhor forma possível, com um show energético para mostrar o tamanho da fome de bola que a pausa forçada deixara em todos ali. E como boas histórias não podem faltar numa turnê, o camarim rendeu uma cena hilária: coube ao próprio Herbert raspar o cabelo de Fred Castro, à época ainda baterista dos Raimundos, de melenas enormes – e que fizera exatamente a promessa de se desfazer delas caso o “cabeleireiro” se recuperasse daqueles dias duros em 2001.

Se a ansiedade pré-turnê fora aplacada pela apresentação em João Pessoa, o segundo show da turnê não poderia ser em lugar melhor: Recife. Dois dias depois, em 8 de novembro de 2002, o Classic Hall foi palco para aquele novo momento dos Paralamas do Sucesso. Outra vez, era um momento de forte emoção para a banda na capital pernambucana – como já havia acontecido em 18 de abril de 1997. Nesse dia, a banda fechou o primeiro dia de shows no palco principal do Abril Pro Rock, o principal festival recifense, realizado no Centro de Convenções de Pernambuco.

Com a turnê de 9 Luas já embalada, aquela apresentação de 1997 no Abril Pro Rock foi marcante pela alegria cercada de dores. A falta que Chico Science já fazia, após partir em fevereiro, era lembrada pela inclusão de “Manguetown” no repertório daquela turnê – e daquela apresentação. E além dos três e dos músicos de apoio naquela turnê (além de Fera e Monteiro Júnior, o trombonista Senô Bezerra – em seus últimos momentos com os Paralamas -, o trumpetista Demétrio Bezerra e Eduardo Lyra), havia outro nome em cima do palco a tentar expurgar um momento difícil: Dado Villa-Lobos, tocando guitarra e violão com os Paralamas para espairecer após a morte de Renato Russo, em 1996 – parceria que seria frutífera, seguindo para o Acústico.

Se em 1997 a tristeza permeara a alegria de estar num palco, em 2002 só havia alegria e celebração. Em João Pessoa, no Recife… e em Natal, onde a turnê de Longo Caminho chegou no dia 30 de maio de 2003. Desde então, as três capitais nordestinas são ponto certo nas turnês dos Paralamas. A mesma sequência foi feita em setembro de 2016, por sinal, no especial Paralamas Trio: sem músicos de apoio, Herbert, Bi e Barone estiveram no Teatro Pedra do Reino de João Pessoa (dia 16), no Teatro Riachuelo de Natal (dia 17) e no Teatro Guararapes do Recife (dia 18). Como será a partir deste dia 2 de março, na chegada da turnê de Sinais do sim ao Nordeste. Afinal, nada mais natural do que passar de novo pelo local onde se começou um dia – ou melhor, onde se recomeçou.
Ingressos:

João Pessoa – Sexta-feira, dia 02/03/2018 no Teatro Pedra do Reino

Natal – Sábado, dia 03/03/2018 no Teatro Riachuelo

Recife – Domingo, dia 04/03/2018 no Teatro Guararapes

Os Paralamas de volta ao vinil

Começou no ano passado, com o lançamento especial de “Sinais do sim”. Continuou em 2018, com a versão de “9 Luas” em LP. Está clara e reativada a relação entre os Paralamas do Sucesso e o vinil. Então, é mais do que apropriado um texto para descrever como eram os lançamentos da banda nos conhecidos “bolachões”, entre 1983 e 1995, quando a produção foi descontinuada (até agora…) Confira!

No começo, foi um compacto simples. A discografia dos Paralamas do Sucesso começou com um pequeno vinil, que tinha duas canções – uma de cada lado -, servindo como uma “entrada” rumo ao LP completo. Em março de 1983, Herbert, Bi e Barone entraram nos estúdios da EMI-Odeon para gravarem as duas faixas (como, de resto, todo o disco). Quais eram? Quase todos as conhecem: “Vital e sua moto” e “Patrulha Noturna”.

Quando o compacto com elas foi lançado em abril de 1983, vieram para a imprensa junto de um texto de apresentação. Nele, Luiz Antônio Mello, coordenador da Rádio Fluminense FM (que, afinal, dera o espaço sonhado para os Paralamas), descrevia o curto caminho dos três até ali: “O grupo ‘Os Paralamas do Sucesso’ é um dos cumes da nova geração do rock brasileiro. Formado por Herbert Vianna (22 anos – vocal e guitarra), Bi Ribeiro (23 anos – baixo) e João Barone (20 anos – bateria), o grupo vem desenvolvendo um trabalho que tem como características básicas uma bem-humorada preocupação com os problemas sociais/existenciais da juventude brasileira. (…) Os Paralamas do Sucesso chegaram ao grande público através de uma fita quase artesanal que foi levada à Rádio Fluminense FM (…)”.

Descrito o caminho, Luiz Antônio Mello comentou sobre as músicas: “A EMI-Odeon se interessou pelo trabalho e convidou o grupo para gravar este compacto que está saindo agora. Os Paralamas regravaram ‘Vital e sua moto’ e ‘Patrulha noturna’ – ambas de Herbert Vianna – que estão tendo grande repercussão. ‘Vital e sua moto’ satiriza o drama do chamado garotão cuja vida não faz sentido se ele andar a pé. Já ‘Patrulha Noturna’ aborda uma outra pedra que frequenta os sapatos deste mesmo garotão: ‘Qual é, seu guarda/Que papo careta/Só estou tirando chinfra com a minha lambreta’”.

A partir de então, quem começasse a acompanhar os Paralamas se acostumaria a várias coisas. Por exemplo, ouvir os LPs com o rótulo ainda colorido da EMI-Odeon – só a partir de Selvagem? é que os trabalhos dos Paralamas viriam com selos personalizados. Ou então, se acostumar a ler vários nomes na ficha técnica. Como o do designer Ricardo Leite, autor de todas as capas dos discos de estúdio dos Paralamas nos anos 1980. Ou de gente que trabalhava nos estúdios da EMI e era responsável pelos vários processos do estúdio até o vinil. Exemplos eram os técnicos de mixagem nas gravações, como Guilherme Reis, Renato Luiz ou Franklin Garrido. Ou Osmar Furtado, responsável pelo “corte” dos LPs na EMI-Odeon. (Parêntese: “corte” era o processo de reduzir – “cortar” – as frequências do áudio gravado, para que elas coubessem nos sulcos do acetato. Caso contrário, a agulha do toca-discos poderia pular do vinil, ao se passar por uma frequência mais alta.)

Com O Passo do Lui sendo lançado em outubro de 1984, ainda vieram mais dois compactos simples. Um deles, lançado pouco antes do LP – com “Óculos”, a primeira música a ter ido para as rádios. E ela veio em dose dupla no compacto. No lado A, a versão conhecida; no B, apenas a base instrumental, para servir de “karaokê” a quem quisesse se arriscar (outro hábito daquela época: para citar outro compacto lançado então, “O último romântico”, de Lulu Santos, também tinha a versão original no lado A e a versão “karaokê”, no B). No segundo compacto originário de O Passo do Lui – já em 1985, com o LP nas lojas -, os Paralamas ainda reabilitaram uma canção de Cinema Mudo: “Foi o mordomo”, que vinha no lado B. O lado A tinha a segunda música do disco a ser divulgada: uma certa “Meu erro”.

Foi o ponto final de lançamento público dos compactos simples. A partir de Selvagem?, somente o álbum completo ficaria à venda, enquanto os compactos somente seriam distribuídos a jornalistas e radialistas. Outra novidade que ficou à margem dos fãs foram as canções adicionais. Pela limitação de tempo nos lados de cada LP (só cabiam cerca de 20 minutos de música), algumas canções gravadas eram descartadas do vinil, indo para os formatos em fita K-7. Foi o que aconteceu com “Teerã Dub”, mais uma versão dub de uma música de Selvagem?. Seria o que aconteceria com a versão em estúdio de “Será que vai chover?”, mais uma que ficou restrita ao K-7, em D, no ano seguinte, 1987.

A restrição aos compactos simples também impediu que mais fãs conhecessem certas pepitas contidas neles. Como a versão remix de “Óculos”, reabilitada no lado B do compacto para divulgar “Uns dias”, das primeiras canções de Bora Bora que se tornaram conhecidas – compacto restrito apenas para presentes aos ouvintes da Alternativa FM, rádio carioca. Na versão final de Bora Bora, também ficou de fora “The Can”, a segunda improvisação feita pelo toaster (uma espécie de “rapper” do reggae) Peter Metro sobre a base instrumental dos Paralamas – a primeira letra, “Don’t give me that”, está no LP.

Com uma pausa para o luxuoso lançamento de Arquivo, a primeira coletânea paralâmica, em 1990 (pela primeira vez, um LP da banda saía com capa dupla), Os Grãos e Severino também sofreram com essas perdas forçadas pela limitação do vinil: o primeiro saiu sem “Trinta anos”, e o segundo, sem as versões em espanhol de “Go back”, dos Titãs, e “Quase um segundo”. Se servisse de consolo, Severino foi enviado à imprensa com um encarte adicional, contendo várias obras do artista plástico Arthur Bispo do Rosário (1909/1911-1989), cujo trabalho inspirou a arte gráfica de Severino.

Todas essas ausências musicais foram resolvidas em 1997: afinal, as canções faltantes nos LPs estavam nas versões remasterizadas para CDs, lançadas na caixa/lata Pólvora, em 1997. Aliás, o próprio conceito de “remasterização” tem a ver com o vinil: a fita master das gravações para aquele formato tinha não só frequências típicas dos LPs, mas também podia ter falhas, instrumentos não audíveis ou prejudicados pelo “corte” para o vinil. Pois bem, a remasterização para CD servia exatamente para isso: aumentar a qualidade sonora – embora alguns admiradores do vinil coloquem em dúvida sua real eficácia, dizendo que apenas se aumenta o volume da fita já existente, não a qualidade.

Finalmente, Vamo Batê Lata – Paralamas ao vivo fora o último trabalho da banda para vinil, em 1995, quando o CD já tomava conta dos aparelhos dos ouvintes, portáteis ou não. Porém, 23 anos depois, a multiplicidade de formatos aumentou. Tanto nos arquivos digitais, disponíveis em várias plataformas, quanto nos vinis que voltam a ser produzidos. Até para preencher essa demanda, as versões especiais de Sinais do Sim e de 9 Luas.

IMPRENSA: Release e Fotos Oficiais

 

 

Disponibilizamos aqui o release oficial do nossonovo disco, “Sinais do Sim“, o 13. disco de estúdio da banda, lançado no dia 04/08/2017.

Como complemento, seguem 3 fotos de divulgação em alta resolução. Crédito das Fotos – Maurício Valladares

 

Clique aqui para baixar o press kit oficial!

 

Lançamento LP 9 Luas

O ano de 2018 começou com uma grande novidade para todos os nosso fãs: o lançamento do álbum 9 Luas (de 1996) em formato de vinil pela primeira vez!

Em parceria com a Revista Noize, produzimos uma edição comemorativa deste que foi o primeiro álbum da banda que não teve uma versão em vinil (o último neste formato foi o disco “Vamo Batê Lata” de 1995). Na época, o 9 Luas chegou às lojas apenas em CD e no formato K-7 e rendeu o disco de platina (600 mil cópias) para a banda!

Para adquirir a sua edição especial basta clicar aqui!

 

Confira a lista das músicas:

LADO A

1. Lourinha Bombril

2. Outra beleza

3. La bella luna

4. De música ligeira

5. Capitão de indústria

6. O caminho pisado

 

LADO B

1. Busca vida

2. O caroço da cabeça

3. Sempre te quis

4. Seja você

5. Na nossa casa

6. Um pequeno imprevisto