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João Pessoa, inspiração de Herbert Vianna

 

A agenda dos Paralamas do Sucesso continua: nesta sexta, 16, tem mais uma apresentação da turnê especial “Paralamas Trio”, na qual Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone sobem ao palco em Power Trio. O local não poderia ser mais especial: o teatro Pedra do Reino, em João Pessoa. Como terra natal de Herbert, a capital paraibana serviu e serve de referência emocional a ele! Na foto acima, Os Paralamas agradecem ao público após o show no festival Forrock, em João Pessoa, novembro de 2002, primeira apresentação da turnê ‘Longo Caminho’. Da esquerda para a direita: Eduardo Lyra, Bi Ribeiro, João Fera, Herbert Vianna, João Barone e Bidu Cordeiro. (Foto: Maurício Valladares)”

 

Sorvete de mangaba. Citando à toa, nem havia porque mencionar esta guloseima aqui. Mas de tanto que Herbert Vianna lembra-se dele em entrevistas, é preciso explicar a razão: o sorvete de mangaba é um verdadeiro símbolo das sensações e lembranças que ligam o cantor, compositor e guitarrista dos Paralamas a João Pessoa, sua terra natal. Por sinal, essas lembranças vêm desde a infância, por menos tempo que Herbert tenha ficado em João Pessoa.

Como se sabe, ele nasceu lá, em 4 de maio de 1961. Mas não cresceu na capital da Paraíba: pela carreira do pai, Hermano, militar da Aeronáutica, todos os Vianna tinham de acompanhá-lo nas constantes mudanças pelo Brasil. E a roda-viva começou cedo: quando Herbert tinha apenas um ano de idade, seu pai foi transferido para Brasília. E todos ficaram na capital federal até 1967. Mais um tempo, e nova mudança – desta vez para a base aérea de Santos, no litoral paulista. Finalmente, em 1971, Hermano, a esposa Teresinha e os três filhos voltaram a viver em Brasília, onde ficaram por mais tempo: cinco anos, até a transferência definitiva para o Rio de Janeiro, onde a família fixou residência no bairro do Leme.

Essas idas e vindas obviamente deixaram marcas, reconheceu o antropólogo Hermano Vianna, irmão de Herbert, no documentário Herbert de Perto: “A gente se mudou muito durante toda a vida. Acho que isso marcou bastante a vida da gente: esse fato de, praticamente, de dois em dois anos, você ter de sempre refazer sua vida em outro lugar”. Ainda assim, a referência pessoal dos Vianna jamais mudou. E nem a matriarca Teresinha deixava que mudasse, como ela comentou em Herbert de Perto: “A gente saía, e eu ia lembrando sempre a eles que tinham uma âncora, que eles tinham uma família, que eles tinham um porto seguro, tinham as raízes deles lá no Nordeste. Eu ninava muito eles, cantando Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, tudo isso. E ele [Herbert] ficou com aquilo na cabeça, o xaxado, o baião…”.

Hermano ressaltou isso: “A minha família é nordestina, meu pai e minha mãe são paraibanos, a gente nasceu lá e sempre voltou muito para a Paraíba. Então, temos uma criação muito nordestina, na família toda”. E coube a Herbert confirmar isso, no documentário: “[Eu tenho na cabeça] as peculiaridades, os encantos, das temperaturas, dos sorvetes de mangaba, cajá, coco verde. A coisa natural de João Pessoa, que é tão rica, tão privilegiada, tão especial mesmo”.

De fato, por menos que mencionasse João Pessoa nas entrevistas, Herbert sempre deixava transparecer a origem e a influência nordestinas. Primeiro, na obra solo: Ê Batumaré, seu primeiro trabalho, de 1992, é assumidamente influenciado pela cultura da região que foi seu berço. Tanto nas letras, inspiradas pelo pernambucano João Cabral de Melo Neto, quanto nos ritmos. Havia no trabalho, “Mobral”, um reggae com citação de “Admirável gado novo”, de Zé Ramalho (um paraibano…); havia “Impressão”, já gravada antes pelos Paralamas em Bora Bora e transformada num baião; havia a citação de “Asa branca” no arranjo de “Qualquer palavra serve”; e havia, finalmente, a primeira gravação de “O rio Severino”, que ficou para o repertório dos Paralamas. Foi regravada no álbum que ganhou seu nome (Severino), e também esteve em Vamo Batê Lata – com direito a citação de mais um clássico de Gonzagão na introdução dessa versão ao vivo. Qual o clássico? “Paraíba”…

Depois, ainda cabe mais uma história engraçada. Em 1998, nas gravações do documentário Paralamas em Close-up, no qual Herbert, Bi Ribeiro e João Barone serviam de fio condutor pela história da música pop nacional, há um momento em que rola um jogo de futebol improvisado, nos arredores de Brasília. Num time, Herbert, Barone, Dado Villa-Lobos e Digão (Raimundos), todos treinados por Dinho Ouro Preto; noutro, trabalhadores das redondezas. Após o bate-bola no chão de terra batida, Herbert comenta sobre as várias origens das pessoas que foram morar em Brasília, nos primeiros anos após a fundação da cidade. E pediu: “Quem é nordestino, aqui, levanta a mão”. Vários levantaram. E ele: “Eu também: nasci na Paraíba!”.

Veio o acidente conhecido. E a partir dali, o que era apenas uma origem ressaltada na trajetória de Herbert passou a ser evocada sempre que possível, como a raiz que iniciara aquela história, que a impulsionava a continuar. E isso se notou já na volta dos Paralamas ao palco, para a turnê de Longo Caminho. Em outubro de 2002, num show privado, gravado nos estúdios da TV Globo, cujo compacto foi exibido no “Fantástico” (a íntegra, no canal a cabo Multishow), Herbert viu a célebre bandeira do estado natal e exultou durante “Alagados”, a canção final: “Obrigado pela linda bandeira da Paraíba, que além de ser de onde é, é rubro-negra [referência ao Flamengo, time do coração]”. Mais algumas semanas, e vieram os dois primeiros shows oficiais da turnê, em novembro, num fim de semana. Aonde? Em João Pessoa. A pedido de Herbert.

A partir dali, virou comum ouvi-lo falando do torrão natal. Ainda mais depois do testemunho musical marcante que foi “Mormaço”, gravada em Brasil Afora (2009), verdadeira declaração de amor de HV a João Pessoa – com a participação especial de Zé Ramalho, para ressaltar que aquela canção era totalmente paraibana. Falando ao jornalista André Cananéa, do Jornal da Paraíba, na época de lançamento de Brasil Afora, o autor comentou sobre “Mormaço”: “Eu comecei a escrever a música em João Pessoa, mas vim terminar no Rio. Eu fiquei super alegre de conseguir demonstrar, pela minha cidade natal, o bem que ela me faz”.

 

(Clipe de “Mormaço” com a participação de Zé Ramalho)

 

Na mesma entrevista, Herbert contou que o ambiente pessoense não fazia bem somente a ele, mas também aos filhos. E citou, novamente, o sorvete de mangaba: “Um dia desses, a minha filha do meio, Hope, me sacudiu e falou ‘Pai, vamos menos para Inglaterra e mais para a Paraíba’. Ela me disse isso olho no olho, com seriedade e muita vontade. Porque eu levei meus filhos para João Pessoa e quando eles se deram conta da temperatura do mar, do sabor do sorvete de mangaba, do carinho das pessoas, da amplitude da nossa família aí, isso tudo provocou um vulcão emocional no coração deles e aquilo me comoveu de uma maneira muito tocante. E volta e meia, ela me diz: ‘Então, pai, quando a gente vai de novo a João Pessoa?’”.

Se ainda faltava algo para fortalecer o vínculo dos Paralamas com João Pessoa, passou a não faltar mais em agosto de 2010: em cerimônia na Assembleia Legislativa, Herbert, Bi e Barone ganharam os títulos de “cidadãos paraibanos”. De quebra, a turnê de Brasil Afora trazia “Mormaço” e “O rio Severino” em sequência no repertório. Aliás, na gravação de Multishow ao vivo – Brasil Afora, ainda rolou de novo a participação de Zé Ramalho. Mais uma retribuição veio em 2012, com a prefeitura pessoense elegendo Herbert como o representante do ano cultural da cidade.

O tempo corre. E seis anos depois, o show desta sexta-feira só servirá para amalgamar mais a ligação dos três (no caso de Herbert, ligação umbilical) com a terra que está lá ao deus-dará, na costa da Paraíba. A turnê #ParalamasTrio passa dia 16/09 por João Pessoa (Teatro Pedra do Reino), dia 17 por Natal (Teatro Riachuelo) e dia 18 por Recife (Teatro Guararapes).