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Paralamas e Nação Zumbi

 

Nação Zumbi e Paralamas: a viagem de 1996

Já aconteceu no bis da apresentação dos Paralamas no festival João Rock, na cidade paulista de Ribeirão Preto, em junho. Já aconteceu na sexta passada, 19 de agosto, no Boulevard Olímpico carioca. E acontecerá de novo nesta sexta em Curitiba, no Teatro Positivo: os Paralamas do Sucesso terão a companhia da Nação Zumbi sobre o palco. Bom momento para o site lembrar uma história bem legal: o primeiro encontro das duas bandas, com a Nação ainda tendo Chico Science, em 1996.

A primeira metade de 1996 foi cheia de atividades para os Paralamas. Em abril daquele ano, Herbert, Bi e Barone se reuniram no estúdio Impressão Digital, no Rio de Janeiro, junto dos músicos de apoio (João Fera, Eduardo Lyra, Monteiro Jr., Demétrio Bezerra e Senô Bezerra), para gravarem 9 Luas. Músicas registradas, maio foi gasto inteiramente na mixagem do trabalho, em Los Angeles, no Enterprise Studio. Como se não bastasse, Herbert Vianna não sossegou: durante a estadia na cidade norte-americana, arrumou um estúdio e nele entrou com o engenheiro de som Jerry Napier para gravar Santorini Blues, seu segundo álbum solo, em dois dias de folga (Santorini Blues acabou sendo lançado somente em 1997).

A mixagem foi concluída, e enquanto 9 Luas não ficava pronto para distribuição às lojas (foi lançado no fim de julho), surgiu uma ideia para unir o útil ao agradável: após uma folga pessoal para cada um, haveria uma mini turnê pela Europa em julho daquele ano, para shows na França, Holanda e Alemanha. Simultaneamente, quem também estaria no Velho Continente eram Chico Science e a Nação Zumbi. Lançando então Afrociberdelia, o segundo trabalho da carreira, CSNZ fazia as apresentações europeias ainda aproveitando a boa recepção ao primeiro álbum, Da lama ao caos (1994).

Com as duas bandas na Europa – e uma admiração mútua já existente -, a ideia era tentadora demais para ficar apenas na vontade. Dito e feito: em rápida combinação, Paralamas e Nação Zumbi acertaram que esta seria a banda de abertura dos shows daquela, começando pela boate Hot Brass, em Paris, numa quarta-feira, 17 de julho de 1996. Falando ao jornalista Luiz Antônio Ryff, da Folha de S. Paulo, Chico Science comemorou: “Admiro pra caramba o Herbert Vianna e os Paralamas. Temos ideias afins, mas uma maneira diferente de colocá-las em prática”.

Além de elogiar CSNZ, Herbert agiu de maneira mais realista com relação àqueles shows, também falando à Folha: “Não temos muita ilusão de fazer sucesso aqui [na Europa]. Nossa prioridade é a América Latina. Chico Science tem mais possibilidades do que a gente. A nossa música é mais pop, com instrumentos convencionais. Eles têm uma carga de exotismo mais interessante para os europeus”. Science até concordou, de certa forma: “Aqui é mais aberto às novidades. O público é mais bem informado. É onde as pessoas procuram as tendências. A cada momento surge uma coisa nova”.

Antes disso, no dia 15, os Paralamas tocaram no festival Francofolies, na cidade de La Rochelle (o curioso: tocavam representando… a Argentina, tal o sucesso dos Paralamas por lá!). O show no Francofolies rendeu até uma história engraçada. No mesmo dia, os Paralamas foram sucedidos no palco por três bandas francesas: Raggasonic, Silmarils e o coletivo de rap Nique ta Mère. Herbert descreveu: “O som era excelente, a plateia bem morna. Ao sairmos do palco fomos informados de que quem toca antes de NTM e não é expulso, deve se dar por satisfeito”.

Um dia de folga, e veio o show em 18 de julho, na Hot Brass, com a Nação Zumbi. E mesmo com a boate pequena, o show impressionou positivamente. Testemunha ocular do show, Luiz Antônio Ryff celebrou a apresentação na Folha de S. Paulo do dia seguinte: “Atendendo pedidos de músicas, descendo do palco para dançar com o público e distribuindo autógrafos no meio da plateia, Paralamas do Sucesso e Chico Science & Nação Zumbi fizeram um show fora de série anteontem em Paris. E mais uma vez, provaram por que são duas das melhores bandas brasileiras em cima de um palco. O clima ficou tão descontraído que alguns espectadores mais despachados se convidaram para o palco para dançar com as bandas. O tamanho do Hot Brass – a capacidade da sala de espetáculo não chega a mil lugares – certamente contribuiu para essa aproximação. Como afirmou o jornal Libération, em uma matéria bastante elogiosa na véspera do show, ‘no Rio, seria preciso um estádio para abrigar atração parecida’”.

Sobre o repertório, Ryff relatou: “Atração principal da noite, os Paralamas enfileiraram, durante 1h40, uma sucessão de hits e citações musicais – de Free a Bob Marley, de Doors a Luiz Gonzaga, de Led Zeppelin a Tim Maia, de Santana a Zé Ramalho. Sem muito papo, emendando uma música na outra, o grupo pôs o auditório para pular (…). Responsáveis pelo show de abertura, Chico Science & Nação Zumbi foram bem recebidos por um público que não conhecia muito bem seu repertório. Não fazia muita diferença tocar as músicas antigas ou as do novo disco, Afrociberdelia, como “Macô” ou “Manguetown”. Mas a mistura pesada e a ótima presença de palco da banda conquistaram a plateia”.

No diário de viagem para a Folha, dias mais tarde, Herbert também celebrou a apresentação no Hot Brass: “Chico Science abre o show e o clima é de oba-oba, cheio de gente bastante jovem. Lugares pequenos como o Hot Brass são realmente prazerosos para quem toca. A plateia escolheu as músicas que queria e tocamos até o último cair”.

Já no dia seguinte, 19 de julho de 1996, Paralamas e Nação Zumbi levantaram acampamento para rumarem à Holanda. Herbert lamentou: “Uma pena, só um dia em Amsterdã. Faz frio e o Paradiso [casa de shows em Amsterdã] é um lugar lindo para tocar. A plateia é maravilhosa, misturando brasileiros e holandeses”. Sobre a Nação Zumbi, o cantor, compositor e guitarrista dos Paralamas se derramou em admiração: “Assistimos à Nação Zumbi e eu digo sem dúvida que foi um dos melhores shows que vi na vida”.

 

Ensaio para o João Rock 2016

 

Mais um dia, e as duas bandas foram para a Alemanha: tocaram em Hamburgo, na casa de shows Fabrik. Aí, Herbert foi mais sucinto: “O Fabrik é um lugar pequeno e a plateia, mais uma vez, vem abaixo”. Ainda houve mais duas apresentações – uma na cidade alemã de Mainz; outra na Suíça, em Zurique -, e acabava aquela turnê tão curta quanto marcante unindo os Paralamas à Nação Zumbi. Deixando um forte desejo de continuar com aquilo nos anos seguintes – e despertando em Chico Science e Herbert uma vontade de desenvolver uma parceria.

O acidente de carro que matou Chico, em 2 de fevereiro de 1997, na cidade pernambucana de Olinda, interrompeu tragicamente todos esses planos conjuntos. Mas os Paralamas aproveitaram a chance de minorar a dor de perda tão precoce e sentida. Em abril, foram ao Abril Pro Rock, festival já então tradicional no Recife, quando a ressaca da morte de Chico ainda era forte. Na apresentação, rolou uma das primeiras performances de “Manguetown”, que agradou muito. Desde então, esse sucesso de CSNZ passou a ser um coringa nos shows dos Paralamas: volta e meia pinta no palco, além de ter sido gravada no Acústico MTV, em 1999.

E se a parceria de Science com Herbert não ocorreu com ele em vida, ocorreu postumamente. Durante a passagem para o Abril Pro Rock, Herbert recebeu uma letra inédita de Chico, das mãos de Goreti França, irmã dele. Em 1998, entrevistado por Astrid Fontenelle para o programa Pé na cozinha, da MTV, Herbert comentou sobre a letra: “O Chico tinha feito em português, e queria que eu fizesse a versão para o inglês e gravasse. Ele já tinha até colocado o título em inglês: ‘Scream Poetry’, ‘grite poesias’. Mas eu achei tão bonita que decidi deixar em português mesmo”. Arranjada como um maracatu e contando com a participação de Jorge Mautner, “Scream Poetry” foi colocada pelos Paralamas no disco Hey Na Na.

Obviamente, Paralamas e Nação Zumbi seguiram com a admiração mútua. E tempos depois, voltaram a se encontrar. Em 2002, na primeira participação dos Paralamas no Altas Horas, da TV Globo, após o acidente de Herbert, lá estiveram Jorge du Peixe, Lúcio Maia, Dengue, Gilmar Bola 8 e Toca du Ogan, para que todo mundo fizesse uma jam em “Manguetown”:

Essa jam foi repetida num show no Carnaval Multicultural do Recife, em 2008 – quando a Nação Zumbi também fez uma releitura de “Selvagem”. No ano seguinte, num show no Marco Zero recifense que gerou álbum ao vivo da Nação (só lançado em 2012), ainda houve participações dos Paralamas em “A praieira” e “Manguetown”. E os shows de agora continuam com mais esta história…

 

Paralamas Na Estrada – Julho 2016

 

Separamos algumas fotos bem legais de alguns shows que os Paralamas do Sucesso fizeram neste mês de julho/2016 pelo Brasil. Tem Ilha Bela e Campos do Jordão (SP), Itapecerica (MG), Salvador (BA) e Rio de Janeiro (RJ).

Fotos de bastidores, da visita à cidade, do camarim e, claro, do show!

Confere só a nossa galeria especial!

 

Os instrumentos dos Paralamas: João Barone (2)

 

Com relação às baquetas, Barone mudou constantemente de patrocínio, de acordo com suas preferências pessoais. No Acústico, deixou a Pro Mark e passou a ser patrocinado pela Vic Firth, ficando com esta marca até a turnê de Longo Caminho, quando assinou um contrato com a Vater. Gravou o show que gerou Uns dias ao vivo e Hoje com a Vater, e depois assinou novo contrato de patrocínio com a Vic Firth, com quem segue atualmente.

Isso, nas baquetas. Porque no kit propriamente dito, desde 1997 Barone segue com Tama, Paiste e Evans, apenas alterando o número de tambores e de pratos que leva aos palcos. E a intimidade ganha com o equipamento foi tanta que ele até ganhou a honra de ser um dos únicos bateristas brasileiros presentes no site mundial da Tama. Mais: a honra de batizar uma caixa produzida pela Tama especialmente sob sua supervisão, levando sua assinatura. Lançada no ano passado, a Tama João Barone Signature tem 14’’ por 5,5’’.

Fora Tama (bateria), Paiste (pratos), Evans (peles) e Vic Firth (baquetas), Barone ainda tem seus patrocinadores pessoais para as bolsas que acondicionam os tambores (Alê Bags) e as capas que protegem os pratos (Drummer’s Capas). Atualmente, tem dois kits à disposição para os shows dos Paralamas, cujas especificações seguem abaixo:

 

Kit A:

Bateria acústica Tama Superstar Hyper-Drive, de cor preta

- Bumbo de 22″x18″ (22 polegadas por 18 polegadas)

- Dois tom-toms: um de 10″x6.5″, outro de 12″x7″

- Dois surdos: um de 14″x12″, outro de 16″x14″

- Caixa principal de Bronze Martelado, de 14″x6,5″

- Caixa reserva de madeira Superstar, de 14″x5,5″

- Caixa auxiliar em aço, de 10″x5,5″

- Dois Octobans Low-pitch: um de 6″x23,5″, outro de 6″x31,5″

Pad eletrônico Roland SPDS-5

Timbales LP Percussion Tito Puente 12″ e 13″

Máquina de hi-hat Tama Iron Cobra Lever Glide

Pedal duplo Tama Iron Cobra Power Glide HP900PTW

Estantes Boom Standard Series (5)

Estante Stilt para o Ride (1)

Extensor Tama para Hi-Hat extra – Mxa-63en

 

Pratos Paiste:

13″ Signature Heavy Hi Hat Top (superior) / Traditional Hi Hat Bottom (inferior)

18″ Thin Crash Rude

19″ Thin Crash Rude

08″ Splash Signature

08″ Splash Signature

19″ Wild Crash Rude

24″ Eclipse Mega Power Ride Rude

19″ Power Crash Signature

18″ Novo China Rude

15″ Signature Sound Edge Signature Model PsychOctopus Aquiles Priester

36″ Gongo Paiste

 

Peles Evans : EC2 Tons e Surdo / EQ3 Bumbo / Caixa : HD DRY / Caixa 2 : G2 Porosa / Octoban : G2 Clear e Genera Resonant em todas as peles de resposta

02 Almofadas Evans EQ no Bumbo

Baquetas: Vic Firth 3A João Barone signature

 Kit A

 

Kit B:

Bateria acústica Tama Superstar Hyper-Drive na cor Galaxy Sparkle

- Bumbo de 22″x18″

- Dois tom-toms: um de 10″x6.5″, outro de 12″x7″

- Dois surdos: um de 14″x12″, outro de 16″x14″

- Caixa principal Tama Stewart Copeland Signature, de 14″x5,5″

- Caixa reserva Tama Starclassic, de 14″x5,5″

- Caixa Tama auxiliar, de 10″x5,5″

- Dois Octobans High-pitch, ambos de 6″

Pad eletrônico Roland SPDS-5

Timbales LP Percussion Tito Puente 12″ e 13″

Máquina de hi-hat Tama Iron Cobra Lever Glide

Pedal duplo Tama Iron Cobra Power Glide HP900PTW

Estantes Boom Standard Series ( 5 )

Estante Stilt para o Ride ( 1 )

Extensor Tama para Hi-Hat extra – Mxa-63en

 

Pratos Paiste:

-13″ Signature Dark Energy Hats Mark I

- 18″ Wild Crash 2002

- 19″ Full Crash Signature

- 08″ Splash 2002

- 08″ Splash 2002

- 19″ Wild Crash Rude

- 24″ Eclipse Mega Power Ride Rude

- 19″ Power Crash Signature

- 18″ Novo China Rude

- 15″ Sound Edge 2002

 

Peles Evans : EC2 Tons e Surdo / EQ3 Bumbo / Caixa : HD DRY / Caixa 2 : G2 Porosa / Octoban : G2 Clear e Genera Resonant em todas as peles de resposta

02 Almofadas Evans EQ no Bumbo

Baquetas: Vic Firth 3A João Barone signature

 

Kit B

 

Como curiosidade, veja o Kit que Barone usava em 1986:

Bateria acústica Tama Imperialstar

- Bumbo de 22’’ (22 polegadas)

- Surdo de 16’’

- Caixa de 5’’ x 14’’

- Três tom-toms, respectivamente de 10’’, 12’’ e 13’’

- Quatro Octobans

Pratos Paiste, modelos Rude 2002 e 602 (ride, crashes splashes)

Pads Simmons SDS-5

Sintetizador Oberheim DX

Sintetizador Roland SU-2000

Sintetizador Digital Delay Ibanez SDE-2000

Bateria eletroacústica Tama Techstar, para ensaios em casa

 

roadie Pedro Antunes comentou sobre as duas configurações, e até aprofundou a explicação sobre os kits que Barone normalmente usa: “Os kits A e B são muito iguais. Obviamente, o kit A é mais ‘oficial’, por ser o ‘A’, mas tecnicamente, eles são iguais. O A é o preferencial por ser mais novo – não que o kit B seja velho, nada disso, mas eu fiz uma separação de coisas que faz o A mais bonito, mais zero quilômetro. O kit B é como se fossem ‘os reservas’. Mas é a mesma estrutura, mesmas ferragens, mesmos pedais, mesmos timbales, octobans etc. Fora eles, a gente também tem outros kits de bateria. Por exemplo: a gente tem o kit C, que seria o terceiro dele. No caso, seria a mesma coisa do A e do B, mas o C é para quando você tem que fazer uma coisa e os dois kits já estão na estrada. Por exemplo: a gente fez o projeto Nivea Viva Rock, agora, e a gente teve de usar o terceiro kit, que seria esse C. E temos outros, como o acústico, em que a gente coloca um tom-tom só, um surdo só, tem uma coisa mediana, a gente não coloca toda aquela batera do ‘ao vivo’. Então, a gente tem vários kits. Mas de oficial, mesmo, a gente tem o A, o B e o C”.

Sobre a questão logística, o roadie explicou: “Quem define para que lado vai é o nosso produtor e o nosso empresário, porque eles é que têm essa logística de avião, caminhão, como é que vai fazer. Como eu já passo o conforto de os kits serem iguais, não faz diferença. E todo show é sempre igual – a não ser quando você é contratado para fazer um acústico, que aí se leva o kit reduzido. Mas a batera do João serve para tudo: pode ser num salão de festas, num ginásio, no Rock in Rio…”. Sobre a possibilidade de ter os equipamentos à mão, Pedro Antunes também celebrou o fato dos problemas serem raros: “Vou ser sincero: no meu tempo trabalhando com o João, eu nunca tive grandes problemas [com as marcas que fornecem as peças e equipamentos]. Óbvio que a gente tem pequenos empecilhos, do tipo ‘tal peça não chegou do Japão porque ficou na alfândega, ou ficou no porto, ou não tinha’. Essas pequenas coisas são normais, então não posso falar que tive grandes problemas”.

Pedro Antunes concluiu comentando sobre a relação com as empresas fabricantes: “O João é patrocinado para todas as coisas que a gente tem no kit: bateria, pratos, pedais, peles, baquetas, acessórios… tudo. Óbvio que existe um cronograma, um tempo para o pedido, e eu é que sou o responsável por quantas peles vão ter para o show, quantas baquetas vão ter etc. A gente tem tudo isso em mãos, e tudo do bom e do melhor. Tem um time sensacional com a gente”.

 

Tudo a serviço do inconfundível estilo de João Barone na bateria. Com 34 anos de muito trabalho em palcos e estúdios, nada mal…

Os instrumentos dos Paralamas: João Barone (1)


 

Mais um dos Paralamas fazendo aniversário, mais um texto falando da relação dele com seu instrumento! Neste 5 de agosto, a nossa celebração é pelos 54 anos de João Barone.

É comum ouvir pessoas dizendo, show após show dos Paralamas do Sucesso: “Nossa, Barone toca muito!”. Famoso por suas opiniões sempre fortes (até ácidas), o crítico musical Regis Tadeu é peremptório: “Ver João Barone tocando bateria é presenciar um workshop rítmico como bônus”. E vários bateristas brasileiros fazem questão de enfatizar como JB os influenciou em seus trabalhos – para citar dois exemplos, Aquiles Priester e Mike Maeda. Mas como, afinal, se desenvolveu a relação dele com a bateria?

Essa relação começou ainda na infância de Barone, nos anos 1970. Mas era indireta: ele apenas via os ensaios da banda A Fome, que seu irmão mais velho, chamado João Guilherme integrava, com os colegas de escola dele, trazendo vários grupos dos anos 1960 no repertório. Certa vez, numa pausa dos ensaios, na garagem da casa deles, o pré-adolescente João Alberto Barone Reis e Silva aproveitou a saída de João Guilherme e seus amigos para ir direto ao instrumento que mais o atraía: a bateria. Sentou e tocou. Os mais velhos voltaram, pegaram o infante no flagra e … elogiaram o garoto, que tocava dentro do compasso, sem atravessar. O próprio João Guilherme se orgulhava, comentando algo do tipo “o garoto sabe tocar”. Reza a lenda que a primeiríssima música que Barone levou nas baquetas em sua vida, naquela “travessura” infanto-juvenil, foi “Ticket to ride”, que conhecia de ouvir.

Natural: afinal de contas, tanto ele quanto o irmão mais velho eram “beatlemaníacos” assumidos. Em fevereiro de 1986, falando à seção “Meu instrumento”, da revista Bizz, ele lembrou disso e até recomendou: “Eu aconselho [“Ticket to ride”] como a melhor coisa para quem quer começar a bater”. Lembrando sua história de seguidor dos Fab Four, JB comentou até que aprendeu a lógica rítmica da bossa nova com Ringo Starr: “O ritmo era super semelhante às Beatles songs”. Com o pai, Barone também conhecia as big bands norte-americanas da década de 1940; e também curtia coisas como Jimi Hendrix, Santana e o Dave Brubeck Quartet, grupo do pianista norte-americano que o nomeava. No Brasil, Barone curtia as raras imagens que apareciam de Rubinho Barsotti, baterista do desativado e histórico Zimbo Trio. E já se ligava nos vários bateristas que ouvia. Fossem jazzistas, como Joe Morello, do citado grupo de Dave Brubeck. Ou do rock, como Mitch Mitchell (do Jimi Hendrix Experience), Keith Moon, Ginger Baker e John Bonham. Ou do reggae, como Sly Dunbar.

Voltemos à história: com as experiências fugazes na bateria da banda do irmão, Barone começou a fazer fama na vizinhança. Sempre que alguém o via, fosse adulto ou amigo de infância, falava “ele é baterista”, sem que o jovem João tivesse o menor aprendizado teórico no instrumento. Aos poucos, porém, a história foi mudando: no meio da década de 1970, o interesse era tanto que Barone começou a ter aulas com seu primeiro e único professor de bateria. Era João Carlos (foto na capa desse post), baterista do URB7, banda bastante requisitada nos bailes da Baixada Fluminense. Naquelas aulas Barone gastava todo o dinheiro da mesada. Naquele tempo, de início de adolescência, o baterista que mais se fazia presente em sua preferência ainda era Ringo Starr. Tanto que, em 1987, no documentário V, o vídeo, ele lembrava: “Tudo o que eu queria na vida era ser o Ringo Starr…”.

Isso, até meados de 1978. Num belo dia, ele assistia à tevê, quando viu um clipe de uma banda que lançava naquele ano seu primeiro trabalho: The Police. Não se sabe ao certo qual era o clipe: algumas fontes falam em “Roxanne”, o próprio lembrou de “I can’t stand losing you”, mas o fato é que múltiplas “revelações” vieram ao ver o clipe. Ali Barone ganhava uma nova banda preferida, além dos Beatles. Mais do que isso: ali Barone ganhava a vontade de fazer da música – e da bateria – o seu ganha-pão. Muito mais do que isso: ali Barone ganhava um ídolo definitivo. Claro, Stewart Copeland.

A influência que o baterista do Police exerceu sobre o baterista dos Paralamas é clara, e já foi comentada diversas vezes. Na entrevista supracitada à Bizz, em 1986: “Para mim, Copeland está num céu acima dos outros”. Em V, o vídeo, no ano seguinte: “Na minha opinião, Copeland é para a bateria mais ou menos o que Hendrix é para a guitarra”. Mesmo muitos anos depois, em 2007, quando o Police veio ao Brasil em sua turnê de reunião, Barone fez piada do “excesso de influência” à Folha de São Paulo: “Vamos falar abertamente: no começo, eu copiava o Stewart Copeland descaradamente”.

Quando os Paralamas ainda se estabeleciam, em 1986, a admiração era tão grande que Barone sonhava: “Ainda quero falar com o Copeland, trocar figurinhas. Um bom baterista tem que ter firmeza, consistência, saber usar poucas notas nos lugares certos, por isso gosto tanto do Copeland. E dos meus outros ídolos de bateria”. Felizmente, a fama que os Paralamas alcançaram permitiu realizar esse sonho: de lá para cá, ele e Stewart já se encontraram várias vezes, desenvolvendo uma relação cordial para “trocar figurinhas”, como o brasileiro desejava há 30 anos.

 

Foto: um deles é ídolo dos bateristas. O outro é Stewart Copeland. (Foto: Luiza Sigulem/Folhapress)

Influências ganhas, Barone entrou de vez no mundo da música. Quando já cursava Biologia na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, no início dos anos 1980, ele passou a fazer parte de uma banda com colegas de campus, que só fazia covers dos Beatles. Naquela época, ainda eram muitos sonhos para pouco dinheiro. João sequer tinha bateria, e passou pelos mesmos dramas de vários bateristas novatos: remendar pedais de bumbo com arames, usar peles de couro (para leigos: pele é a parte percutida pelas baquetas, nos tambores da bateria), aquecer com fogo essas peles de couro para esticá-las e afiná-las etc.

A primeira bateria, conseguida ainda nos tempos da Rural, não escapava a essa regra: Barone a encontrou abandonada numa repartição da universidade, com peles de animais nos tambores e o tal pedal de bumbo que precisou ser remendado com arame. Tempos depois, após economizar um pouco, ele comprou um pedal Speed King e um prato Zildjian, de 22 polegadas, para alimentar esse seu primeiro kit (os outros pratos vinham de uma banda de fanfarra). Foi com essa bateria que ele se notabilizou a ponto de ser lembrado por um amigo como alternativa para “socorrer” Herbert Vianna e Bi Ribeiro num festival da Rural, em 1981. História já lembrada muitas vezes, e que ele já rememorava em 1986: “Aconteceu comigo o que aconteceu com o Ringo: fui chamado para tocar com os Paralamas, cobrindo a falta do baterista original, o Vital. O resto é história…”.

Já sucedendo o saudoso Vital no trio, Barone só pôde trocar de bateria em 1983. Nesse ano, os Paralamas gravaram o primeiro disco, Cinema Mudo, nos estúdios que a gravadora EMI-Odeon mantinha no bairro carioca de Botafogo. Neles, estava largada uma bateria Tama, modelo Imperialstar, preta (a cor tinha até um nome: “Pianoblack”, preto-de-piano). Ela tinha sido deixada lá por Lobão, que ainda era baterista da Blitz quando gravou nos estúdios da EMI As aventuras da Blitz (1982), primeiro álbum da banda. Barone não teve dúvidas: comprou aquela bateria que tinha sido de Lobão.

Numa viagem dos Paralamas a Nova Iorque, para shows, ainda no fim de 1983, já havia dinheiro que permitiu a Barone comprar algumas peças da Tama na cidade norte-americana: tom-toms da Imperialstar, caixa (para leigos: a caixa é o tambor mais audível da bateria), ferragens, pedais, alguns pratos da Paiste… essas peças completaram o kit já existente, e foi com essa versão “refeita” da Imperialstar que Barone tocou nos primeiros tempos dos Paralamas – com destaque para os shows do Rock in Rio.

Naquele biênio 1984/1985, havia espaço para Barone introduzir outros elementos em seu modo de tocar – como a posição dos tambores da bateria, quase em pé, e a pegada “tradicional” ou “clássica” das baquetas (segurando-as no meio, com a palma da mão). E alguns equipamentos incrementaram o kit que levava aos palcos. Muitos deles, por influência de Stewart Copeland. Como os tambores pequenos e compridos, de formatos semelhantes a canos, que Barone começou a incluir: os octobans, que até hoje estão no kit armado para Barone nos palcos. Ou os pratos splash. Ou dois timbales (tambores de som bem agudo, usados geralmente na música latina).

 

Foto: Barone com a Tama Imperialstar preta, no Rock in Rio, em 1985 (Reprodução)

 

Além da bateria “comum” (quase sempre da Tama, com pratos Paiste, equipamento semelhante ao do ídolo Copeland), Barone também começou a usar elementos eletrônicos em seu kit. O principal desses elementos veio por meio de dois pads (tambores eletrônicos), de segunda mão, da marca Simmons – considerada a última palavra em avanços eletrônicos para baterias, na década de 1980. Já usados no Rock in Rio de 1985, os pads Simmons SDS-5 tinham um som digital marcante, registrado em várias canções dos Paralamas nos anos 1980. Você pode ouvi-los, por exemplo, nas introduções de “Selvagem” (a música) e “Perplexo”.

Além dos pads da Simmons, outros elementos eletrônicos passaram a integrar o som da bateria de Barone, entre 1985 e 1986. Nessa mesma época, ele comprou um sintetizador da Oberheim, modelo DX, para simular efeitos de percussão (chocalhos, congas, agogôs etc.). Pouco depois, trocou o Oberheim DX por uma bateria eletrônica Oberheim SP-1200, onde programava esses efeitos e algumas sequências percussivas, para ajudarem a ditar o ritmo. Deu certo e acrescentou algum “molho” à sua batida tradicional. Tanto que, entre 1986 e 1992, as versões de “Alagados” e “A novidade” nos shows eram empurradas por sequências eletrônicas, que alimentavam a batida acústica da bateria.

 

Desde dezembro de 2010 trabalhando como roadie de Barone (ou seja, cuidando da bateria dele nos shows e gravações dos Paralamas), Pedro Antunes analisou essa fase em que o baterista ainda usava muitos elementos eletrônicos: “Embora nessa época não estivesse trabalhando com ele, disso aí eu posso falar com certeza, porque eu sempre acompanhei – sempre comprava revistas, sempre fui a shows… fui analisando, e agora, trabalhando com ele, eu tenho total certeza do que eu já tinha pensado. Hoje em dia o João usa um pad, mas comparado com o que ele usava nos anos 1980, é muito menor. É só um pad. O que ele usava era um auxílio, uma coisa para encher a música mesmo, né? Antigamente não tinha teclado (embora o [João] Fera tenha entrado um pouco depois), não tinha sopro, era uma coisa que, na época, sempre pedia isso. O João, com o passar do tempo, se tornou mais orgânico, se tornou… melhor. Todo ano ele inventa uma coisa bacana, e foi esquecendo isso. Tem até uma frase do Herbert: ‘A gente tem o Barone, não precisa de uma máquina’”.

Por volta de 1989, Barone mudou um pouco seu kit em uma ocasião. Os shows no Festival de Jazz de Montreux foram feitos excepcionalmente com uma bateria acústica da Yamaha. Em 1994, finalmente, ele acertou seu primeiro patrocínio. Se já usava fielmente os pratos da Paiste, a partir daquele ano tornou-se contratado da marca, tendo direito aos pratos que quisesse.

No mesmo ano, o baterista assinou outro importante contrato de patrocínio. A Mapex, fábrica taiwanesa, passou a ser a fornecedora das baterias acústicas que Barone usava no palco – destaque para o kit da Mapex que Barone usou, de cor âmbar, nas gravações que geraram Vamo Batê Lata ao vivo. Além disso, com a entrada de Eduardo Lyra como músico de apoio, na percussão, diminuiu a presença da eletrônica no equipamento, como Pedro Antunes já comentou: ficou somente um pad, produzido pela Roland. Finalmente, antes das gravações de 9 Luas, veio mais um patrocínio: o da Evans, marca norte-americana que produz peles para os tambores.

Já com um tempo considerável de carreira, Barone seguia com o desejo duradouro de fazer algo que mostrasse seu método de tocar. O desejo já tinha sido expresso à Bizz, em 1986: ele já dizia querer se aprofundar no estudo dos ritmos brasileiros, como a congada e a marujada, e fazer um livreto com informações para que novatos aproveitassem bem a bateria. O livro não veio até hoje. Mas em 1996, João satisfez o desejo com um vídeo. Gravado num estúdio em Porto Alegre, e dirigido pelo irmão João Guilherme (o mesmo do início deste texto), o VHS João Barone dá o toque fez fama com os toques dados a quem já estava iniciado nas baquetas. Falando à ShowBizz, Barone justificava o lançamento do vídeo: “Está acabando o preconceito de que a bateria é um instrumento barulhento, um trambolho. Eu aprendi a tocar vendo outros, mas acho importante que exista material didático”.

 

 

Finalmente, em 1997, Barone realizou mais um de seus sonhos: após três anos de Mapex, finalmente transformou em “casamento” o namoro de longa data com a Tama. A marca japonesa o procurou para fazer uma proposta de patrocínio, prontamente aceita. E Barone passou a tocar com um equipamento muito semelhante ao da velha influência que fora Stewart Copeland: bateria Tama e pratos Paiste – fora a Pro Mark, marca de baquetas que passara a patrocinar Barone naquela época. Com esse kit, ele gravou Hey Na Na.

Tais patrocínios possibilitavam a Barone ampliar sua sonoridade, com certas ousadias. Como passar a usar um grande gongo chinês (a exemplo de John Bonham, luminar histórico das baquetas), justificado por Pedro Antunes: “A gente usa o gongo em certos momentos especiais, quando o show pede. Por exemplo: a gente usou no Rock in Rio [em 2015], a gente usou na gravação do DVD dos 30 anos… De todas as peças que estão na bateria, o gongo seria um coringa”.

 

Na segunda parte do texto apresentamos detalhes dos kits que o João utiliza hoje em sua bateria. Clique aqui!