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Participação especial: Os 3 Paralamas [2]

 

Paralamas e Gil

Em 1999, os Paralamas andaram bem próximos de Pedro Luís e a Parede – basta lembrar de “Sincero Breu”, uma inédita do Acústico, parceria de Herbert com o compositor carioca e os parceiros. Pois bem: no meio do ano, quase simultaneamente ao lançamento do Acústico, a Parede apresentou É tudo 1 real, seu segundo álbum. E os Paralamas retribuíam a letra composta da melhor maneira possível: forneciam a base para Pedro Luís cantar “Brasileiro em Tóquio”, parceria dele com o cantor e compositor japonês Miyazawa Kazufuni. Cá entre nós: a atuação dos Paralamas neste ska foi impressionante.

Ainda em 1999, surgiu mais um projeto de homenagem em que os Paralamas estiveram. Jackson do Pandeiro – revisto e sampleado foi produzido pelo velho camarada e fotógrafo Maurício Valladares. Com Mau Val chamando, não havia como recusar. E lá foram Herbert, Bi e Barone remontar o arranjo que já haviam feito em Bora Bora para “Um a um”, clássico de Jackson, sob a produção (e algumas batidas) de Chico Neves.

Àquela altura, o respeito pela obra e pela carreira dos Paralamas já era tamanho que superava as fronteiras d’além-mar. E chegava a Portugal: em 2000, eles foram convidados para integrar 20 anos depois – Ar de rock, álbum em que convidados regravavam as canções de Ar de rock (originalmente lançado em 1980), trabalho de estreia de Rui Veloso, das grandes figuras do rock português. Coube aos Paralamas fazerem a versão de “Ai quem me dera a mim rolar contigo num palheiro”, grande sucesso do cantor e compositor luso.

 

Daí, tudo aconteceu. A espera pareceu interminável. Está certo que em novembro de 2001 foi lançado Combate rock – o grande encontro do rock, show especial com vários convidados, Herbert e Barone entre eles, mas o show fora gravado em 1998. Até que, enfim, os Paralamas voltaram para alegria geral. E as primeiras mostras concretas de que o retorno estava próximo vieram em duas participações da banda toda. A primeira, graças a Gilberto Gil, o velho ídolo de todos ali. Em janeiro de 2002, Herbert, Bi, Barone e os colegas de palco (Fera, Monteiro, Demétrio Bezerra, Eduardo Lyra e Bidu Cordeiro) gravaram com Gil as versões de “Them belly full (but we hungry)” e “Não chore mais (No woman no cry)” que foram parar em Kaya N’gan Daya, trabalho com releituras de Bob Marley, lançado ainda naquele ano.

E a outra participação de 2002 foi tão especial e emotiva quanto a de Kaya N’gan Daya. Naquele ano, Lulu Santos – com quem os Paralamas haviam estado em “Adivinha o quê”, em 1983, lembra? – lançou Programa. E o acidente de Herbert acabara reaproximando-o daquele que era julgado como “o cara a ser seguido”. Em entrevista da época, Lulu comentou: “É minha homenagem ao Herbert. Depois do acidente acabei descobrindo que tinha muito mais coisas em comum com ele do que eu supunha”. Essa homenagem era uma canção instrumental que lembrava a ligação natural entre ambos: a penúltima faixa de Programa, “4 do 5”, remetendo ao 4 de maio que é a data de nascimento de ambos. Nela, Lulu (guitarra do canal esquerdo), Herbert (guitarra do canal direito), Bi e Barone, tocando relaxadamente por alguns minutos. Clima tão bom que Lulu ampliou a participação: a última música do disco foi quase um remix. “4 do 5 (o sub dub do Bi & d Ba)”, reaproveitou a batida de Bi e Barone, com inserções dos percussionistas Armando Marçal e “Xokolate”, mais o piano Fender Rhodes do tecladista Alex de Souza – todos eles, membros da banda de Lulu na época. No final do “sub dub”, dá para escutar o baterista: “Se deixar, a gente toca aqui até amanhã…”

 

Em 2003, Barone e Bi ainda participaram da “banda dos sonhos” eleita para alguns shows, no projeto Volkswagen route, promoção da empresa automotiva (a “banda” teve ainda Dado Villa-Lobos nas guitarras, Falcão – d’O Rappa – e Nando Reis cantando). Mas seria 2004 o ano a abrir outra seara em que os Paralamas poderiam participar: trilhas de filmes. Foram duas canções naquele ano para serem ouvidas na tela grande. Primeiro, uma versão de “É papo firme”, de Roberto Carlos, para A taça do mundo é nossa, filme do pessoal do Casseta & Planeta. Depois, “Atirei no mar”, com a participação de BNegão, aproveitando uma das cantigas das irmãs cantadeiras cegas que foram tema do documentário A pessoa é para o que nasce, de Roberto Berliner (olha outro amigo aí!). Finalmente, mas tão importante quanto as duas trilhas, 2004 ainda teve a participação no Acústico do Ira!, numa marcante versão do clássico “Envelheço na cidade”.

 

O ano de 2005 trouxe outro momento para ser guardado do lado esquerdo do peito. Naquele ano, o amigo eterno Dado Villa-Lobos mostrou pela primeira vez as canções de Jardim de cactus, seu primeiro trabalho solo, dentro da série MTV Apresenta, que a emissora tinha. E num show no Teatro Odisseia carioca, os Paralamas foram alguns dos convidados de Dado, com outro “irmão” de ambas as partes, Dinho Ouro Preto. Juntos de Carlo Bartolini, produtor daquele trabalho – e conhecido dos Paralamas, como produtor de Longo Caminho e Hoje que fora -, Dado, Herbert, Bi, Barone e Dinho fizeram duas versões: para “Guns of Brixton”, do Clash, inspiração de todos ali, e “Conexão amazônica”, do “irmão mais velho” Renato Russo.

As participações seguiam: em 2006, os nossos companheiros apareceram em Direto, álbum ao vivo do Cidade Negra de Toni Garrido (e Bino, Lazão e Da Gama). As duas bandas estiveram juntas num medley que uniu “Soldado da paz” – de Herbert, mas lançada primeiro no Acústico do Cidade – a “La bella luna”. Em 2007, Bi Ribeiro apareceu num trabalho do DJ Marcelinho da Lua tendo Barone ao lado: os dois, mais Martinho da Vila, estiveram em “Plim Plim”, faixa de Social, segundo disco do colega Marcelinho. A dupla Bi-Barone esteve junta em outra ocasião anos depois, novamente com Dado Villa Lobos:  “Sobriedade”, canção de O passo do colapso, de 2012, segundo álbum de Dado.

 

A essa altura do texto, é preciso perguntar: o leitor ainda se lembra daquela versão de “Mustang cor de sangue” para o songbook de Marcos Valle, em 1998? Pois em 2009 os Paralamas relembraram a mesma canção, de forma mais acelerada, para O baile do Simonal, show organizado por Simoninha e Max de Castro para convidados lembrarem os clássicos do pai – e “Mustang…” estava nessa situação.

O ano de 2010 foi ano de consolidar a reaproximação com Carlinhos Brown, vista em Brasil Afora (o álbum fora gravado no estúdio dele na Bahia, o Ilha dos Sapos – e ele participava de “Sem mais adeus). Em Adobró, álbum que Brown lançou naquele ano, os Paralamas participaram de “Yarahá”. E ainda houve mais uma colaboração com o eterno ídolo Gilberto Gil. Foi em Gil+10, disco independente produzido a partir de apresentação de Gil com convidados especiais, no Teatro Tom Jobim, no Rio de Janeiro, celebrando os dez anos da MPB FM: os Paralamas tocaram “A novidade”, junto do co-autor daquela canção.

Em 2012, apareceu mais um registro. A Nação Zumbi lançou show gravado em 2009, Ao vivo no Recife – mais precisamente, no Marco Zero. E os Paralamas também ratificaram a relação existente desde os tempos de CSNZ, tocando em “Manguetown” e “A praieira” (esta última não entrou no CD e DVD lançados).

No ano passado os Paralamas reapareceram em projetos alheios. Em Rock in Rio 30 anos, DVD com convidados que fizeram parte da história do festival, o trio deixou suas versões para “Inútil” (Ultraje a Rigor) e “Tempos modernos” (Lulu Santos). E ainda teve a participação na nova versão de “Só love”, que Buchecha fez para Funk pop, álbum em que ele cantou seus clássicos com novos convidados.

E neste ano, há a parceria com Nando Reis, Paula Toller, mais a participação especial de Marjorie Estiano, no projeto Nivea Viva Rock Brasil, celebrando os 60 anos do ritmo por aqui. Porque, certa vez, José Fortes comentou: “Esses caras gostam de tocar, não tem jeito”. Então, onde puderem, aparecem. Sozinhos ou juntos.

 

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Confira as participações de Bi RibeiroJoão Barone e Herbert Vianna (parte 1parte 2 e parte 3).

Participação especial: Os 3 Paralamas [1]

Os Paralamas e Eduardo Dussek

 

Você já leu aqui no site as participações especiais que Herbert, Bi e Barone fizeram individualmente em trabalhos de outros cantores e bandas, fosse compondo, produzindo ou tocando nas gravações. Contudo, os Paralamas também já apareceram juntos em outros trabalhos, mas sem ter o destaque, apenas acompanhando outros artistas ou gravando para álbuns especiais. Eis aqui a primeira parte!

 

Adivinha o que os Paralamas do Sucesso fizeram pela primeira vez sem ser para um disco próprio? Adivinha o quê? Pois bem: antes mesmo que Cinema Mudo, o álbum de estreia, fosse lançado, eles estiveram no segundo disco de Lulu Santos, o fundamental O ritmo do momento (1983). Nele, nossos três conhecidos fizeram parte do coral que seguia Lulu no refrão de “Adivinha o quê” (“Porque eu só faço com você/Só quero com você/Só gosto com você (o quê?)/Adivinha o quê?”). Além dos Paralamas, esses vocais do refrão tiveram Kid Abelha, Lobão, Arnaldo Brandão (baixista que tocara com Raul Seixas e Caetano Veloso, integrara A Bolha e o Brylho, e ainda na década de 1980 lideraria o Hanói-Hanói) e Nelson Motta, enquanto Scarlet Moon, esposa e eterna musa inspiradora de Lulu, perguntava “o quê?”.

Nada mais natural que os Paralamas aceitassem a participação, naquele momento em que eram apenas iniciantes. Até porque o cantor/compositor/guitarrista era inspiração para os três. Herbert Vianna comprovou isso, em declaração ao jornalista Ricardo Alexandre, para o livro Dias de Luta (DBA, 2002): “Lulu Santos era uma influência tão grande que uma vez ele me procurou para pedir que eu parasse de falar tanto dele nas entrevistas, que já estava pegando mal. Ele era uma luz. O som de guitarra, os efeitos, Lulu era o cara a ser seguido”.

E Lulu também dava respaldo àquela geração que aparecia. Tanto que a estratégia de ter mais gente a lhe ajudar no refrão, usada em “Adivinha o quê”, foi repetida no seu álbum seguinte, o também importante Tudo azul (1984): em “Respeito”, os três Paralamas cantam a palavra-título, junto do pessoal do João Penca e Seus Miquinhos Amestrados.

Também em 1984, Dussek lançou seu terceiro álbum, Brega-chique, chique-brega. E naquele ano, o cantor/compositor/ator/pianista esteve bem próximo dos Paralamas – a ponto de dar uma canja num show do trio, em março, na histórica danceteria Noites Cariocas, no alto do Morro da Urca, no Rio de Janeiro. Essa amizade foi sacramentada justamente em Brega-chique, chique-brega. Conforme está no texto de suas colaborações, Herbert presenteou Dussek com duas composições do disco: “O crápula” e “O bilhetinho (Recebi seu bilhetinho)”, sendo que esta última era até tocada pelos Paralamas nos shows da época.

E Herbert, Bi e Barone foram a “banda de apoio” de Dussek em cinco faixas de Brega-chique, chique-brega: “Maldito dinheiro” (que começava com citação de “O lixeiro e a empregada”, de Amado Batista), “Oh! My darling bezerrão” (que contava com os vocais do João Penca, como já indicado), “Qual?” (versão de “Why?”, de Tony Sheridan, canção lançada em 1961 tendo como banda de apoio uns tais Beatles) e as já citadas “O crápula” e “O bilhetinho (recebi seu bilhetinho)”.

 

O ano de 1985 trouxe outra colaboração engraçada dos Paralamas. Herbert já participara sozinho de Sessão da tarde, álbum que Leo Jaime lançou no ano. E uma das canções do trabalho era “Solange”, versão de “So Lonely” (sim, a música do Police), cuja letra “homenageava” Solange Hernandez, a temida responsável pela Censura Federal na época. Pois bem, se era para fazer uma versão do Police, que tal satirizar chamando o grupo conhecido na época – até pejorativamente – como “o Police brasileiro”? E Leo convidou nossos conhecidos elementos para fazer a parte instrumental de “Solange”. Pelo menos por um dia, pode-se dizer que Bi, Herbert e Barone “foram” Sting, Andy Summers e Stewart Copeland…

O início de 1987 trouxe uma participação que marcou o início de uma longa amizade. Já com respeito gigante na música argentina (nos anos 1970, liderara várias bandas históricas no rock de lá: Sui Generis, PorSuiGieco, La Máquina de Hacer Pájaros e o Serú Girán), o cantor e compositor Carlos Alberto García – claro, “el viejo” Charly García – já desenvolvia havia alguns anos sua carreira solo. Naquele 1987, ele lançou seu quinto disco, Parte de la religión. E Charly viajou ao Rio de Janeiro para fazer os Paralamas participarem de uma canção do álbum, “Rap de las hormigas”. Ali nasceu uma relação que vem até hoje: o argentino tocou o piano acústico das versões originais de “Quase um segundo”, em Bora Bora, e de “Saber amar”, em Vamo Batê Lata ao vivo; em Hey Na Na, os Paralamas gravaram uma versão em português de “Viernes 3 am”, canção do Serú Girán que Charly integrou; ambos trocavam canjas nos shows em terras argentinas… até hoje, Charly e os Paralamas são bons amigos.

Já em 1989, em Cais – Ronaldo Bastos, coletânea de releituras dos grandes sucessos com assinatura do compositor, os Paralamas fizeram uma versão muito particular de um dos maiores clássicos ali disponíveis: “Nada será como antes”. No mesmo ano, Benjor, álbum em que Jorge assumia a nova grafia do sobrenome (e no qual Barone já participava sozinho), trouxe os Paralamas como “banda de apoio” em “Homem de negócios”. Não só o trio, mas também Demétrio Bezerra (trumpete), que os acompanhava nos palcos.

Uma nova aparição dos Paralamas em discos ou projetos alheios veio somente em 1992: a releitura de “Refazenda”, com instrumental esparso (bateria programada, baixo, guitarra discreta, o trumpete de Demétrio e o sax de Monteiro Júnior), para o songbook do amigo/mentor/parceiro Gilberto Gil, mais um da fundamental série iniciada e produzida por Almir Chediak, com partituras, livros e CDs da obra de um artista.

E em 1993, a participação dos Paralamas foi parar na televisão. Fazendo as campanhas publicitárias da Grendene (precisamente, dos chinelos Rider), a agência W/Brasil – hoje, W/McCann – convidava grandes músicos para fazerem suas versões de canções pré-determinadas para aquelas campanhas. Muitas viraram sucessos: “Felicidade”, com Rita Lee; “O descobridor dos sete mares”, com Lulu Santos; “Como uma onda”, com Tim Maia. E os Paralamas também fizeram sua versão para as propagandas da Grendene, cantando “País tropical”, de Jorge Ben Jor. Como as outras, ela foi incluída em Rider hits, coletânea lançada em 1997 com as versões feitas para os comerciais de tevê.

Também em 1997, Ben Jor voltou a aparecer na vida dos Paralamas. No álbum que lançou naquele ano, Músicas para tocar em elevador, o mestre do ritmo fez releituras de seus próprios clássicos (e quantos clássicos!) trazendo convidados para elas. Quais os convidados da faixa de abertura? Claro, Herbert, Bi e Barone – além de João Fera e Eduardo Lyra, este na percussão. E a versão de “Que maravilha” por Paralamas mais Ben Jor ficou tão bacana que os convidados tomaram-na para si, tocando em alguns shows da turnê de 9 Luas.

Depois, vieram participações em mais dois songbooks de Almir Chediak. Ainda em 1997, uma versão dos Paralamas para “Açaí”, no trabalho feito sobre a obra de Djavan. Daí, no meio daquele ano, os três amigos já prepararam algo para o songbook de Marcos Valle, que foi lançado em 1998: uma versão de “Mustang cor de sangue”, que daqui a pouco pintará de novo nesta relação.

 

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No próximo post, você confere a sequência desta trajetória!

Confira as participações de Bi RibeiroJoão Barone e Herbert Vianna (parte 1parte 2 e parte 3)

Os instrumentos dos Paralamas: Herbert Vianna

 

Mais um aniversário, mais um dos Paralamas a completar 55 anos. Hoje as lembranças e os parabéns vão todos para Herbert Vianna! E assim como o site fez com Bi Ribeiro (e fará com João Barone), a homenagem a Herbert virá na forma de um texto contando o histórico de vida dele com o instrumento que o tornou conhecido: a guitarra. Confira!

“Desde pequeno eu gostava de guitarra, queria tocar guitarra, esse era o sonho da minha vida.” As palavras que Herbert Vianna disse durante o documentário V, o vídeo, de 1987, não são mera retórica. De fato, desde a mais tenra idade, o cantor e guitarrista dos Paralamas demonstrava enorme amor pelo instrumento. E as declarações desse amor foram repetidas. Em 1998, entrevistado pela revista Guitar Player, Herbert descreveu: “Tenho fotografias minhas, usando chupeta, com um violãozinho de brinquedo”.

Não se convenceu ainda? Pois bem, vamos à prova final. No documentário Herbert de perto, o pai de Herbert descreveu um singelo episódio ocorrido quando o filho tinha cinco anos. Às vésperas de um Natal, a família caminhava pela rua. Aí, é melhor transcrever as palavras do sr. Hermano Vianna: “Tinha aqueles Papais Noéis nas lojas, fazendo propaganda. E o Herbert se abraçou num Papai Noel daqueles e disse: ‘Papai Noel, por favor, eu queria trocar o meu presente’. Aí, o velhinho: ‘Ah, meu filho, e aí, vamos ver, o que é que é…’. Ele disse: ‘Eu queria trocar uma bicicleta por um violão de verdade’”.

Pedido atendido: naquele Natal, Herbert ganhou dos pais o violão desejado. Era um Giannini de fabricação brasileira. E logo seu novo “brinquedo” foi “customizado”, como o próprio explicou em Herbert de perto: “O [corpo do] violão vem mais ou menos até o 12º traste, que é quando junta [ao braço]. Aí, eu queria ter o alcance das notas mais agudas e tal, e eu mesmo cortei com um parafuso e uma chave de fenda. E fui fazendo os diversos furinhos [dos dois lados do corpo], até chegar no ponto em que estava tudo bem furado. Aí, com uma boa pancada, essa parte saía. Aí eu remendei com, digamos, papelão e tape. Uma coisa surreal. E tentei lixar, porque eu pensava ‘não, uma guitarra verde e preta assim…”. Com o novo formato, mais semelhante ao de uma guitarra, enfim o infante Herbert pôde praticar algumas canções – a primeira delas, “A boneca que diz não”, do cantor Bobby di Carlo, famoso na Jovem Guarda que explodia na época (“Ela é uma boneca/Só diz não, não, não, não, não, não…”).

 

Herbert com o seu primeiro violão

 

Na década de 1970, a família Vianna foi morar em Brasília. Ali o envolvimento já grande de Herbert com a guitarra ficou quase definitivo, e alguns modelos iam aparecendo. O primeiro era algo bizarro: uma “guitarra-protótipo”, cujo peso beirava uma tonelada, construída numa marcenaria, por encomenda do pai a um amigo. Falando à revista Bizz, em 1985, Herbert comentou sobre a “guitarra-protótipo”: “Na verdade, era um verdadeiro tronco”. Tempos depois, ele comprou uma Giannini Stratosonic, cópia brasileira da Fender Stratocaster, que recebeu captadores importados para equipá-la e melhorar o som dela.

Mas a primeira guitarra digna do nome que Herbert ganhou veio novamente pelas mãos do sr. Hermano: de uma viagem aos Estados Unidos, o pai trouxe uma Gibson L6S, que o filho passou prontamente a tocar, plugada no seu primeiro amplificador – transistorizado, de 30 ou 40 watts, fabricado pela Hohner, marca célebre pelas suas gaitas. Mas a Gibson L6S também não deixou grandes lembranças, como HV comentou à Guitar Player em 1998: “É uma linha que a Gibson tentou lançar mas não andou para frente. Nunca usei profissionalmente”. (Recentemente, a Gibson relançou modelos da L6S).

Ainda em Brasília, Herbert curiosamente afastou-se um pouco do rock, graças aos exercícios passados por seu primeiro professor de violão. Essa fase já foi citada pelo cantor e guitarrista em várias entrevistas, mas convém repetir o que ele falou, na citada entrevista de 1998: “Quando morava em Brasília, tive aulas durante um ano e meio com um cara chamado Alcione. Era um violonista fabuloso, sabia muito de harmonia. Ele tinha um violão que nunca vi igual, um Del Vecchio com trastes inclinados. Quando você fazia movimentos que exigem abertura muito grande, como o traste era inclinado, dava um alcance maior. Aprendi todos os clássicos da Bossa Nova”. Não só isso: na época, Herbert também começou a acompanhar mais o trabalho de guitarristas como Al Di Meola e Larry Coryell. E a influência bossanovista até esteve presente em algumas composições rudimentares.

Mas… era Brasília, né? Como se sabe, Herbert tinha na capital federal vários amigos que ouviam algo um pouco mais agitado. Foi acompanhando esses amigos que o jovem retornou com tudo ao rock e ao blues, conforme lembrou à antiga Bizz em 1985: “Aí só ouvia Jeff Beck, Eric Clapton, Jimi Hendrix, John McLaughlin. Só comprava discos para ouvir o guitarrista”. Desses tempos, ficaram as influências decisivas em seu estilo de tocar. Influências elogiadas abertamente por ele, em 1998: “Isso vai parecer estranho para quem acompanha os Paralamas, mas quando eu comecei, tudo o que eu queria era tocar blues como os guitarristas de rock o faziam. Um dos meus favoritos é um cara chamado Paul Kossoff, que tocava no Free. Amo esse cara tocando guitarra! Bem, não preciso falar da “trindade”: Clapton, [Jimmy] Page e Beck. Acho que Jeff Beck é o melhor guitarrista que já existiu. Adoro Jimi Hendrix também, mas por outras razões: a personalidade como compositor, a relação voz e guitarra… Agora como solista, nunca houve ninguém como Jeff Beck”.

No final dos anos 1970, a família Vianna fixou residência no Rio de Janeiro. Sem muitas amizades, Herbert seguia se dedicando com afinco à prática na Gibson L6S, plugada no Hohner transistorizado. A reaproximação e a amizade com Bi Ribeiro, já no baixo, foi possibilitando o aprimoramento na guitarra… até que outra influência surgiu, já no começo dos Paralamas. Já ouvinte do Police, Herbert assistiu ao show do trio no Rio de Janeiro, em fevereiro de 1982, e se apaixonou de vez pelo estilo de Andy Summers. Em 2007, ele lembrou ao jornalista Jamari França, para o jornal O Globo: “[Andy] não é de clichês de som pesado e distorcido e nem de muitos solos, em vez disso mostra muita textura e contrapontos rítmicos. Quando vi aquilo joguei para o alto meus princípios de dedicação total aos aspectos técnicos, retomei a guitarra e, quando voltamos a ensaiar, sempre batia martelo de tocar Police e fui aprendendo”.

E como se pode notar, a influência de Summers no som de guitarra é clara nos primeiros discos dos Paralamas. Até pelo equipamento adotado. Os amplificadores já eram Roland Cube 60, transistorizados, ou Roland Jazz Chorus; e Herbert passou a adotar os chamados “efeitos de textura”, dos quais o guitarrista do Police usava e abusava. Pedais de flanger, chorus, delay – todos da marca Boss -, Eletro Harmonics… tudo isso é audível em Cinema mudo e O passo do Lui.

Naqueles primeiros tempos do grupo, Herbert ainda dava preferência aos modelos da Ibanez (usados nas gravações em estúdio, eram de fabricação japonesa) e da Fender. Nesta última marca, merecem menção duas Fender Stratocaster, da série especial The Strat – uma azul metálica, a outra num tom de vermelho batizado “Cherry Maple Red”. São as guitarras que Herbert usou nos shows do Rock in Rio em 1985 (e que ainda guarda, embora não as use mais no palco). Segundo ele comentou em 1998, “comprei porque o Lulu Santos e o Robertinho do Recife tinham”.

 

A Fender Stratocaster usada no Rock in Rio 1985

 

Àquela altura, ele já se “convertera” aos amplificadores valvulados, como os Marshall e Mesa Boogie que ostentou no Rock in Rio. Por falar nele, ainda merece uma menção especial a escassez de equipamentos que ainda vitimava os Paralamas. Em um texto especial para a Bizz, sobre a apresentação histórica, Herbert comentou: “Eu tinha só um amplificador [no Rock in Rio]. Se pifasse, adeus show”. Na fase de Selvagem?, Herbert comprou mais duas guitarras. Uma delas foi a usada nas sessões de gravação do álbum: uma Jackson Soloist cor-de-rosa, similar a um modelo de Jeff Beck, também levada para as apresentações de divulgação na tevê, na segunda metade de 1986. Outra frequente da época foi uma Fender Telecaster branca (que está no clipe de “Melô do Marinheiro” para o Fantástico, e foi usada em vários shows feitos em 1987). Nos shows feitos no Festival de Jazz de Montreux, cujas gravações geraram o álbum D, Herbert usou a velha Fender Stratocaster azul metálica vista no Rock in Rio.

 

Herbert com a Jackson Soloist usada nas gravações de Selvagem?

 

No final da década de 1980, com os Paralamas já se estabelecendo, Herbert ia comprando os modelos de guitarra mais variados. Mas é possível dizer que ele ia se alternando entre a Fender (com preferência para uma Telecaster Classic Series vermelha, usada na turnê de Bora Bora) e a Gibson (em 1987, Herbert apresentou-se em alguns shows com modelos da Les Paul Standard).

A alternância seguiu no começo dos anos 1990. A Gibson ia ganhando destaque: nas turnês de Big Bang e Os Grãos, Herbert não só usou costumeiramente uma Gibson SG, mas também tinha nos shows um raríssimo modelo Gibson SG Doubleneck: uma guitarra de dois braços – um de seis cordas, outro de doze -, produzida em série limitada, popularizada por Jimmy Page e “autografada” pelo próprio com uma chave de fenda. Mas as Fender seguiam como opção: nos shows do Hollywood Rock de 1992, havia uma Telecaster vermelha sempre à mão caso houvesse problemas com a Gibson SG (e houve: as cordas dela arrebentaram durante o show na Praça da Apoteose).

 


Herbert com a SG Doubleneck

 

Porém, um modelo passou a ser soberano por alguns anos nos shows dos Paralamas do Sucesso, no meio dos anos 1990. Herbert adotou nos shows e gravações da época a tradicional Guild Brian May Custom – como diz o próprio nome, um modelo que o guitarrista do Queen tornou marcante em toda a sua carreira. Com ela HV gravou Severino e fez os shows da turnê do álbum (turnê que gerou Vamo batê lata).

 


Herbert com a Guild Brian May Custom

 

O tempo passava. E no fim daquela turnê, em 1996, aconteceu algo com que Herbert sempre sonhara. Tantas vezes mencionada aqui, a Gibson fez uma proposta de patrocínio para ele, que foi prontamente aceita – até porque veio com o presente de uma Les Paul, o mais famoso modelo da Gibson. Diante da história que Herbert relatou à Guitar Player em 1998, não impressiona que ele tenha aceitado virar endorser (um garoto-propaganda) da marca americana de instrumentos: “Esse modelo [Les Paul] tem um poder sobre a minha pessoa que é uma coisa difícil de descrever. Para você ter uma ideia, quando eu era moleque e não tinha guitarra ainda, meu irmão me deu uma página do jornal [inglês de música] Melody Maker com um anúncio da Gibson, com vários modelos. Eu dormia com aquilo embaixo do meu travesseiro”.

 


Foto com a Les Paul

 

Assim, entre 9 Luas e o Acústico, Herbert usou exclusivamente guitarras da Gibson – e da Epiphone, marca subsidiária. Não só podia ter a Les Paul que desejasse, mas também teve acesso ao chamado “Custom Shop” da Gibson: uma espécie de loja exclusiva para iniciados, com produções limitadas de modelos produzidos pela marca nos anos 1950 e 1960. Na turnê de 9 Luas, vários modelos da Les Paul Standard eram usados nos shows (alguns, numerados, como Pete Townshend fazia no Who); para a divulgação de Hey Na Na, a guitarra preferencial de Herbert era uma Gibson Chet Atkins, mas também havia espaço para as boas e velhas Les Paul – e, em “Caleidoscópio”, um blues, era usada uma ES-335 vermelha, semelhante à “Lucille” preta que BB King tornou antológica. Tudo com amplificadores menores, preferencialmente de 20 ou 30 watts, de marcas como Vox ou Hiwatt.

Era tanta guitarra à disposição para a já gigante coleção pessoal que Herbert ficava até angustiado. O motivo foi expresso na entrevista de 1998: “Esse é um dos maiores problemas que vou deixar para meus filhos. O que eles vão fazer com essas guitarras quando eu morrer? Porque é uma tara. Quando eu era moleque, sonhava com guitarra, desenhava modelos em todos os cadernos. Assim que os Paralamas começaram a ter algum sucesso e tive acesso a instrumentos legais… aí foi um fim de mundo! Comecei a comprar, comprar, comprar guitarras e chegou um momento que não tinha onde colocá-las. Não podia usar nem cuidar de todas elas. Então adotei a política de que cada guitarra que eu comprasse, teria de dar uma”.

Dito e feito. Herbert começou a doar guitarras. Fazia isso com músicos amadores do Rio de Janeiro – aqui, o ajudava João Fera: o tecladista de apoio dos Paralamas ficava como “olheiro”, dando dicas de gente que tocava na noite e não tinha bom equipamento. O hábito também favoreceu músicos já profissionais: Herbert presenteou Da Gama (então no Cidade Negra), Jão (guitarrista dos Ratos de Porão) e até Rubens Cubeiro Rodrigues, o Rubinho (1936-1999), membro do grupo que acompanhava Jô Soares em seu programa no SBT. A cena em que Rubinho ganhou uma Epiphone SG de Herbert foi ao ar em 1998, e até rendeu algumas palavras do calado guitarrista do Quinteto Onze e Meia (a partir do minuto 6):

 

No Acústico, Herbert continuou usando violões eletroacústicos da Gibson – com a rara exceção da versão para “Uns dias”, em que usava um Ovation de 12 cordas, e no pout-pourri de “I feel good” e “Sossego”, quando tocava uma guitarra semiacústica. Esporadicamente, os shows do projeto desplugado também abriam espaço para violões Martin, de 6 e 12 cordas. Em alguns shows “elétricos”, por volta de 1999 e 2000, Herbert ainda usava modelos Epiphone Casino, assumindo de vez os amplificadores valvulados menores.

Depois da pausa forçada pelo acidente, na volta aos palcos e gravações, Herbert passou a se alternar entre as guitarras da sua ainda extensa coleção, sem patrocínios. Nas gravações de Longo caminho, a Gibson ainda era a marca preferencial, com o uso das Les Paul Standard, ou de uma Epiphone Joe Pass semiacústica. Mas na turnê daquele disco (turnê que gerou Uns dias Ao vivo), ele se alternou nos palcos entre uma Tagima HV – modelo produzido especialmente para Herbert, pelo luthier brasileiro Tagima – e alguns modelos Gibson Les Paul Double Cutaway (aqui no Brasil, popularizados por Samuel Rosa). Para os efeitos, Herbert usava um processador da Zoom, acionado com as mãos. E o amplificador era um pequeno Hiwatt, de 20 ou 30 watts.

 


Foto com a Tagima HV

 

Na turnê de Hoje, Herbert voltou a usar a velha Gibson Chet Atkins dos tempos de Hey Na Na – além de retornar à Fender após um longo tempo, mostrando uma guitarra Fender Jaguar em algumas apresentações. De quebra, ainda usava alguns similares semiacústicos da Fender Telecaster, produzidos por um luthier no Rio de Janeiro. Em Brasil Afora, também foi comum ver Herbert nos palcos com uma Ibanez semiacústica – fora os violões da Gibson. Finalmente, a turnê dos 30 anos teve o cantor e guitarrista usando costumeiramente os modelos da Paul Reed Smith, uma marca norte-americana.

Neste 2016, Herbert usa nos palcos um amplificador pequeno da Fender, e o processador de efeitos GT-10, da Boss. Acima de tudo, retomou um velho hábito: voltou a subir no palco com uma Les Paul Standard. A guitarra que simboliza seu amor pelo instrumento. Amor infindável, dentro dos 55 anos de vida que completa neste 4 de maio.