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Os instrumentos dos Paralamas: Bi Ribeiro

30 de março. Mais um aniversário (o 55º, para sermos precisos) chegando para o baixista dos Paralamas. E o site mostra como se deu a história de Bi Ribeiro com o instrumento que ele conheceu às pressas – mas sem o qual é impossível imaginá-lo. Parabéns, Bi!

1977. Já morando no bairro carioca do Leme, Herbert Vianna mantinha contato com Bi Ribeiro, que conhecera em seu período morando em Brasília. Antes de começar o Ensino Médio, Bi passaria um tempo viajando pela Europa. Esperando pelo retorno do amigo, já que andava muito sozinho no Rio de Janeiro (suas preocupações eram o estudo, o surfe e a guitarra), Herbert pediu ao amigo Bi que comprasse um baixo em seu périplo europeu, para aprender a tocar, a fim de acompanhar Herbert tão logo voltasse ao Brasil e chegasse ao Rio.

Bi nunca tocara nada, mesmo gostando muito de música (se fosse reggae ou rock clássico, ainda melhor – com preferência por Cream, Led Zeppelin e Deep Purple). Ainda assim, atendeu ao pedido de Herbert: quando passava pela Inglaterra, comprou o primeiro baixo elétrico de sua vida. Era um modelo da marca japonesa CMI – segundo o baixista contou ao jornalista Jamari França para a biografia Os Paralamas do Sucesso: Vamo Batê Lata, o modelo era “bem barato”. E também muito simples. Tanto que Bi ainda teve de comprar mais um captador extra para o CMI.

De quebra, durante a viagem pela Europa, Bi ainda teve um mergulho insuspeito na música brasileira, graças a um primo que morava em Paris. Na biografia supracitada, ele comentou: “Ele dava aulas de português, estava preparando o mestrado também, e só ouvia Jackson do Pandeiro. Moraes Moreira estava começando a carreira solo e era amigo dele, e Fagner também. Ele tinha aquele primeiro disco solo do Fagner [Manera, fru-fru, manera, de 1973], o primeiro do Moraes [Moraes Moreira, de 1975]. Beto Guedes também tinha lançado o primeiro disco [A página do relâmpago elétrico, de 1977]. Luiz Gonzaga… que eu conhecia assim, mas não dava muito valor. Fora do Brasil comecei a dar valor às coisas daqui, foi impressionante. Eu só ouvia Deep Purple e de repente descobri outro mundo. Comecei a dar valor e fiquei morrendo de saudade do Brasil”. Tempos depois, outra influência foi consolidada até em termos de instrumento, como Bi comentou no livro de fotos dos Paralamas: “Principalmente para mim, Robbie Shakespeare é a grande referência na música”. Tendo em vista a parceria com João Barone, nada de se espantar, já que o baixista Robbie Shakespeare forma a histórica dupla com o baterista Lowell “Sly” Dunbar…

A tal saudade do Brasil foi “matada” em 1978, quando Bi voltou da Europa direto para o Rio. Não só começou a cursar o Ensino Médio no colégio Bahiense, mas também reencontrou o amigo Herbert. Com o pedido dele atendido: tinha comprado o baixo, e o que aprendera já dava para ambos começarem a tocar. O equipamento era precário, verdade: dois amplificadores pequenos e pouco potentes, fora o baixo CMI e a guitarra de Herbert. Mas já deu para desenvolver o talento. E pouco a pouco as coisas foram melhorando.

Tanto que no início dos anos 1980, quando ainda se dividia entre o curso de Zootecnia na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – no campus em Seropédica, região metropolitana fluminense – e os ensaios na casa da (sua) Vovó Ondina, Bi já era o feliz proprietário de um baixo Fender Precision. O que já ajudava muito alguns amigos, também iniciantes no instrumento. Um deles, frequentador assíduo dos ensaios na casa da Vovó Ondina quando passava férias no Rio, era amigo de infância de Bi, antes mesmo de ambos morarem em Brasília: Dado Villa-Lobos.

Em 1996, entrevistado pela revista Guitar Player, Dado comentou: “Eu queria era tocar contrabaixo; o Bi sempre me emprestava o dele quando eu ia ao Rio”. Aliás, não emprestava o baixo só ao guitarrista da Legião Urbana: no primeiro show da Legião na capital carioca (em 1983, no Circo Voador), Renato tocou o baixo Fender Precision de Bi. Na autobiografia que lançou no ano passado, Dado ainda lembrou: “Há 15 anos esse instrumento está no meu estúdio, ou seja, o Bi me empresta esse baixo há muito tempo. Sempre que o encontro, digo: ‘Ó, teu baixo está lá…’”.

Tudo bem, até porque já havia mais instrumentos. Bi já ia formando sua coleção de baixos acústicos e elétricos. Naqueles primeiros anos dos Paralamas, o baixista usava predominantemente dois modelos, ambos de quatro cordas (Bi não é muito das cinco ou seis cordas – até tem um Ibañez de cinco, mas nunca usou muito). Um, mais claro, da marca Ken Smith; o outro, mais escuro e bem pesado para carregar, da Alembic. Com eles foram gravadas a maioria das músicas dos dois primeiros discos dos Paralamas, e com eles Bi subiu ao palco do Rock in Rio, em 1985. Os amplificadores também variavam: ora havia alguns modelos da Fender, ora os modelos eram da Gallien-Krueger…

O grande encontro

Há alguns músicos que têm seus instrumentos “de eleição”, sem os quais fica até difícil imaginá-los. Eric Clapton com a sua guitarra Fender Stratocaster preta e branca, a “Blackie”; BB King com a Gibson preta ES-335, mais conhecida como “Lucille”; Paul McCartney com o baixo Hofner Viola… pois bem, em 1986 Bi começou um desses casamentos. O “matrimônio” ocorreu logo após as gravações de Selvagem?, cujas canções Bi registrou com um modelo Steinberger (popularizado, entre outros, por Sting, nos tempos de Police; no Brasil, o Steinberger é comumente usado por Paulo Ricardo e, principalmente, por Humberto Gessinger), usando também ali o Ken Smith que já tinha.

Ainda naquele ano, Bi comprou um baixo vermelho, modelo Factor, projetado e construído pelo luthier (um projetista/produtor/montador/mantenedor de instrumentos) chamado Philip Kubicki. Colou nele um adesivo de uma bandeira do Brasil. E estava configurado o baixo que Bi usa até hoje, na maioria esmagadora dos shows e gravações dos Paralamas, desde 1986. Marcou tanto que Bi comprou vários modelos Factor Philip Kubicki sobressalentes. E influenciou outros a comprarem também: em seu tempo de baixista nos Titãs, Nando Reis passou muitos anos com um modelo roxo do Factor, similar ao vermelho de Bi.

Ainda no fim dos anos 1980, Bi comprou mais dois amplificadores: dois combos Ampeg SVT Classic 8×10. Um deles é sobressalente; o outro Ampeg segue sendo usado desde então nos palcos. A ponto da equipe técnica dos Paralamas “carinhosamente” apelidá-lo de “sarcófago”: grande e pesado.

Periodicamente, Bi usa um ou outro baixo, é verdade. Na turnê de Os Grãos, outro modelo aparecia nos palcos – um Alembic Series-I cor de rosa, depois dado por Bi a Formigão, baixista do Planet Hemp; viu-se um Fender Jazz Bass no clipe de “Esta tarde”; o velho Fender Precision do começo dos Paralamas apareceu no clipe de “Uma brasileira”; na turnê de 9 Luas, foi a vez de um modelo translúcido, também da Ampeg, inspirado nos modelos projetados pelo luthier Dan Armstrong; Na turnê de Hey Na Na, Bi também tocava outro baixo elétrico, um Warwick Fortress Flashback (o mesmo usado nos shows dos Paralamas como trio, em fevereiro passado); sem contar, obviamente, a temporada do Acústico, quando os escolhidos eram baixolões eletroacústicos, da marca Guild. Nas gravações de Longo Caminho, Bi usou o Fender Precision em algumas faixas. E finalmente, em determinadas canções no DVD de Hoje e em Brasil Afora, o baixo era um Hofner Viola Sunburst.

Mesmo assim, Bi segue dando preferência ao velho Factor Philip Kubicki vermelho. Periodicamente, quando os shows são menores (ou mesmo em apresentações do projeto paralelo do baixista, o Reggae B), ele usa o Steinberger. O fato é que o difícil, mesmo, é imaginar os Paralamas do Sucesso tocando sem os graves tão característicos de Bi Ribeiro.

Nivea Viva Rock Brasil

A terça-feira, dia 15/03, marcou a pré-estreia do projeto #NiveaVivaRockBrasil. No palco do Vivo Rio, na capital fluminense, um grande time do rock nacional se reuniu pela primeira vez para tocar os grandes sucessos da história de 60 anos do Rock Brasileiro.

Lá estavam Os Paralamas ao lado de Pitty, Paula Toller (Kid Abelha), Nando ReisLiminha, Dado Villa-Lobos (Legião Urbana), Rodrigo Suricato e Maurício Barros.

Durante mais de 2 horas de show, essa super banda desfilou 35 clássicos do nosso rock’n roll abrangendo todas as suas fases. Tudo começou com “Banho de Lua”, sucesso dos anos 60 na voz de Celly Campelo, e seguiu pela Jovem Guarda de Erasmo, Roberto e Wanderléa e pela Tropicália dos Mutantes, chegou aos grandes sucessos de Raul Seixas, alcançou os anos 80 e 90 até chegar a geração dos anos 2000. O tema de encerramento escolhido pelo festival foi “Agora só Falta Você” da eterna rainha do rock, Rita Lee.

A turnê oficial terá início no dia 3 de abril em Porto Alegre. Na sequência vem Rio de Janeiro (10 de abril), Recife (30 de abril), Fortaleza (15 de maio), Salvador (22 de maio), Brasília (5 de junho) e São Paulo (26 de junho).

No site www.niveavivarockbrasil.com.br você confere tudo sobre este projeto que já homenageou Tim Maia, Elis Regina e Tom Jobim.

Paralamas e Titãs: 10 momentos

Nêmesis. Na mitologia grega, era filha de Nyx, a deusa da noite, e era responsável por manter a equanimidade entre os seres, combatendo a desmesura. Na língua portuguesa moderna, porém, “nêmesis” virou o arqui-inimigo a ser combatido, mesmo que tenha características muito próximas a quem o persegue. Tire-se toda a carga negativa desse significado; considere-se que “nêmesis” é um colega para quem, ao mesmo tempo, se olha com admiração, mas com certa competitividade. Pois bem: é exatamente essa a relação que uniu e une os Paralamas do Sucesso aos Titãs. Amizade e competição, lado a lado, fosse qual fosse a fase de ambas (e fosse qual fosse a formação titânica).

Felizmente, para quem gosta delas, a competitividade sempre foi superada pela gigante admiração mútua, que já rendeu participações e apresentações em conjunto – como a que ocorrerá neste sábado, 5 de março de 2016, no ginásio Nilson Nelson, em Brasília, pelo festival Brasília Rock Show. Com mais esse capítulo na longa história, nada melhor do que vermos mais uma lista aqui no site. Eis aí, então, dez momentos em que Titãs e Paralamas caminharam paralelamente em suas histórias, ainda que sempre com coisas em comum.

1) Os primeiros contatos

Como é previsível, Titãs e Paralamas se conheceram nas danceterias e gravações de programas de auditório da vida, em que despontavam as bandas que começavam a movimentar o rock brasileiro nos anos 1980. Em depoimento ao making-of disponível no DVD de Uns dias – Ao vivo, Nando Reis lembrou-se de quando conheceu os três elementos do Rio de Janeiro: “Lembro [quando os conheci]. Foi no Rádio Clube, bicho [Rádio Clube: danceteria paulistana aberta nos anos 1980, no bairro de Pinheiros]… em 1983/4. Eu lembro bem deles tocando. E lembro do Bi, cara, que tinha aquele topetão, parecia que era do Stray Cats, de brinco”. No mesmo making-of, apareceu Paulo Miklos: “O primeiro encontro nosso foi em Brasília, se não me engano; a gente dividiu um show. Isso foi em… 1984, vai… 1985, talvez. Foi por aí”.

2) Gil, 20 anos luz: foi dada a largada

Entre 10 e 17 de novembro de 1985, Gilberto Gil organizou uma semana para celebrar seus 20 anos de carreira, em São Paulo. A semana Gil, 20 anos luz trazia não só shows do cantor (todos no Palácio das Convenções do Anhembi), mas também debates sobre a obra do cantor e compositor, mais exibições de vídeos e filmes em que ele participou. A última noite de shows no Anhembi foi intitulada “Esse tal de roque”; nela, Gil receberia não só gente que há muito batalhava e dignificava o rock aqui (Erasmo Carlos e Sérgio Dias), mas também alguns dos novatos roqueiros que já cavavam o espaço no cenário da música brasileira. Entre esses, claro, os Paralamas e os Titãs.

Pois nesse dia ocorreu um fato marcante para ambos os grupos. Simpático àquela nova geração que surgia, Gil convidou os Paralamas para o palco com a frase: “Agora, com vocês, três caras que fazem um som com o peso de uma carreta!”. Os três tocaram com Gil (com a bateria de João Barone sem os pratos do contratempo; afinal, ele sofrera um acidente de carro, quebrara a perna e ainda se recuperava). Os próximos convidados da noite eram os Titãs, na época promovendo Televisão, o segundo álbum. Com a melhor das intenções, Gil os convidou, lembrando “Sonífera ilha”: “E olha que curioso: esses que vêm aí fazem um som tão pequenininho quanto um radinho de pilha”.

Pois bem: a brincadeira inofensiva soou para muitos como uma maldade, uma comparação sonora absolutamente desfavorável ao (na época) octeto paulistano. Pior: naquela semana, em 13 de novembro, Arnaldo Antunes e Tony Bellotto haviam sido presos. Ou seja: não só os Titãs subiram ao palco desfalcados, mas também subiram sob pressão. Menos mal que levaram numa boa a brincadeira de Gil, a quem admiravam. Tocaram normalmente, e não ficaram mágoas. Mas aquela brincadeira feita em 17 de novembro de 1985, de certa forma, deu a largada à amistosa rivalidade entre Paralamas e Titãs.

Para muitos, tornou-se impossível não comparar o trabalho de ambas. Basta mencionar o que ocorreu em 1986: no mesmo estúdio (o Nas Nuvens, propriedade do produtor Liminha), ambas gravaram os trabalhos que são considerados suas obras-primas, quase em sequência. Tão logo os Paralamas terminaram os trabalhos com Selvagem?, os Titãs começaram a preparar Cabeça Dinossauro. O próprio Liminha comentou a flagrante diferença de comportamento, ao jornalista Ricardo Alexandre, para o livro Dias de luta: “Havíamos acabado de gravar o Ultraje [Nós vamos invadir sua praia, de 1985], superdivertido; logo depois os Paralamas, todos boa gente, astral lá em cima; aí chegam os Titãs, e isso aqui virou um manicômio. O Arnaldo com a cabeça raspada até a metade, a banda sentada aos pares olhando para o infinito, um negócio maaaal”. Talvez a síntese dessa rivalidade venha de algo que o vocalista/tecladista/baixista dos Titãs, Sérgio Britto, escreveu em seu blog, em 2007: “O Liminha costumava dizer que os Paralamas eram mais Beatles, e os Titãs, mais Stones. Não deixa de ter razão…”.

3) Rivalidade sempre amistosa

Como a abertura já disse, por mais que houvesse certo espírito de competição, a amizade sempre venceu na relação entre as “nêmesis”. Um bom exemplo está em A vida até parece uma festa, de 2008, documentário com toda a história da banda paulista: tão logo terminaram as gravações de Jesus não tem dentes no país dos banguelas, os Titãs e Liminha convidaram vários amigos para uma festa de audição do disco, no próprio Nas Nuvens. Entre os convidados, claro, Herbert, João e Bi, que aparecem no filme. E não custa lembrar: no mesmo 1987 em que Jesus… foi gravado e lançado, os Paralamas haviam apresentado D, com o show no Festival de Jazz de Montreux. E uma das versões ao vivo, para “Selvagem”, traz uma citação que até hoje perdura nos shows dos Paralamas: a do refrão de “Polícia”, no meio de “Selvagem”.

4) “O que a gente vai fazer depois disso, cara?”

No fim da década de 1980, com a movimentação das bandas perdendo força e respaldo de mídia e público, Paralamas e Titãs ainda conseguiam escapar da queda brusca, fazendo trabalhos elogiados. E seguiam se inspirando mutuamente. Uma boa história mostra isso: em 1989, os Titãs lançaram Õ Blésq Blom – álbum considerado dos mais bem produzidos na história da música brasileira até ali, pelo preciosismo técnico, riqueza de timbres e experimentações (sem contar os sucessos: “Flores” e “O pulso” são do disco). E a perfeição sonora do disco impressionou Herbert Vianna.  Convidado por Liminha para ouvir o álbum no estúdio, pouco antes deste ir para as lojas, o cantor/compositor/guitarrista dos Paralamas ficou tão impressionado com Õ Blésq Blom que apenas indagou, após ouvir tudo: “O que a gente vai fazer depois disso, cara?”.

Pois os Paralamas fizeram Os grãos, também elogiado por alguns (e criticado por outros) pela preocupação com detalhes técnicos e as experimentações nos arranjos. Falando a Ana Maria Bahiana para a revista Bizz, em 1991, enquanto os Paralamas mixavam Os Grãos no estúdio Music Grinder, em Los Angeles, Herbert lembrou o impacto de Õ Blésq Blom: “Quem for entrar no estúdio hoje vai ter de correr atrás do padrão que estamos estabelecendo com este disco. Foi a mesma coisa que a gente sentiu depois de ouvir Õ Blésq Blom: ‘Caralho, fazer um disco depois deste vai ser uma responsabilidade!”. Tempos depois, Herbert repetiu a ideia: “Quanto ao som, eu digo, afirmo e sustento que Os grãos e Õ Blésq Blom são dois marcos em qualidade de som de estúdio no Brasil. Esses dois discos têm qualidade mundial de som”.

5) A parceria com José Fortes

Naquelas alturas, a amizade já estava consolidada. Por muitas vezes, na virada dos anos 1980 para os anos 1990, os Paralamas davam canjas nos shows dos Titãs, e vice-versa. Uma participação marcante ocorreu em 24 de junho de 1990: naquele mesmo dia, a Seleção Brasileira fora eliminada pela Argentina, na Copa do Mundo que ocorria na Itália. Sem problemas: em temporada no Canecão carioca com o show de Õ Blésq Blom, os Titãs “consolaram” quem estivesse triste pelas mazelas futebolísticas. E no bis, Charles Gavin cedeu seu lugar na bateria a João Barone, em “Família”.

Assim, quando os amigos titânicos decidiram mudar de empresário, não foi difícil pensar num sucessor para trabalhar com o ainda octeto: José Fortes, empresário dos Paralamas. E “Zé” também cuidou dos negócios dos Titãs, de 1991 a 1995, numa relação que sequer teve papel passado, tal a confiança dos paulistas no empresário/parceiro dos Paralamas. Foi um período de muitas histórias e muita proximidade entre os grupos. O primeiro fruto desse importante ponto em comum entre as duas bandas não demorou a acontecer.

6) O Hollywood Rock de 1992

Em janeiro de 1992, como ocorrera em 1988 e 1990 (e ocorreria até 1996), o Hollywood Rock foi mais um festival a chamar a atenção do público brasileiro. Mas naquela edição de 1992, houve uma importância adicional: pela primeira vez, uma banda brasileira seria headliner (fecharia a noite com o show principal) de um grande festival realizado aqui. A quem coube a honraria? Aos Paralamas. E aos Titãs. Uma banda faria o seu show, depois a outra se apresentaria, e as duas se uniriam para uma grande jam session encerrando a noite.

Um “ensaio aberto” foi feito em Governador Valadares, cidade mineira, ainda em 1991. E em 18 de janeiro de 1992, no estádio do Pacaembu, em São Paulo, os Paralamas abriram para os Titãs no Hollywood Rock (curiosidade: nessa noite, Nando Reis cantou e tocou baixo forçosamente sentado, pois rompera os ligamentos do joelho jogando futebol). Uma semana depois, na Praça da Apoteose, o Rio de Janeiro viu a ordem inversa no HR: Titãs primeiro, Paralamas depois. O que não mudou foi o grand finale: as duas bandas tocando “Diversão”, “Pólvora”, “Comida” (com Herbert ajudando Arnaldo nos vocais – Arnaldo deixaria os Titãs no fim daquele 1992), “O beco” (com Paulo Miklos cantando), “Selvagem” e, enfim, “Marvin”, com Nando e Herbert dividindo as vozes.

O vídeo da apresentação conjunta dos “Titãs do Sucesso” (assim o Jornal do Brasil batizou o supergrupo, na resenha do show carioca) na Sapucaí está aí abaixo. Estava iniciada uma experiência marcante.

 

7) Como os Paralamas “ajudaram” os Titãs no Acústico MTV

Sexta-feira, 18 de outubro de 1996. São Paulo. Na hoje desativada casa de shows Olympia, os Paralamas faziam o primeiro dos três shows que teriam ali, estreando o espetáculo baseado no recém-lançado 9 Luas – que já tinha “Lourinha Bombril” estourada nas rádios, com outros sucessos em potencial, como “La bella luna”. Três membros dos Titãs prestigiavam a apresentação dos amigos: Tony Bellotto, Paulo Miklos e Charles Gavin. A certa altura, Herbert comenta com a plateia que todos da banda estavam exultantes com aquele sucesso, e anuncia que os PdS prometiam um trabalho acústico para dali a alguns meses. Havia um set acústico na turnê de 9 Luas, e não demoraria muito para que começassem os lendários “shows surpresa” que “prepararam” o trio e os músicos de apoio para o Acústico MTV dos Paralamas.

Naquela hora, imediatamente Miklos, Bellotto e Gavin deixaram o Olympia, furiosos. Não com Herbert nem com os Paralamas, mas com a MTV. Explica-se: os Titãs começaram 1996 já com a proposta do especial desplugado para a emissora. Só que a WEA, gravadora onde estavam, não abria mão de ter divulgação maciça do Acústico MTV nas revistas da Grupo Abril, também dono da MTV brasileira. Só que o Grupo Abril já não tinha mais 100% das ações da MTV – logo, não poderia fazer essa ação de divulgação como permuta. Ainda assim, a WEA não queria nem saber. Resultado: impasse.

Pior: as retaliações já tinham começado. Os Titãs decidiram oferecer o projeto do acústico deles ao SBT e ao antigo programa Som Brasil, da TV Globo. A MTV, então, reagiu: fez a proposta aos Paralamas, para que fossem eles os protagonistas do Acústico MTV. Os três titãs supracitados souberam disso somente quando Herbert falou, no show citado. Chisparam fora do Olympia, e viajaram no dia seguinte para Florianópolis, onde os Titãs tinham um show marcado. Marcaram um almoço na capital catarinense para acelerar as tratativas. E Charles Gavin lamentou: “Vamos perder o Acústico para os Paralamas. Um projeto que estava nas nossas mãos!”. Mas o guitarrista Marcelo Fromer (o membro dos Titãs mais afeito a negociações e burocracias) deixou de lamúrias e foi imperioso: “Ah, mas não vamos perder mesmo!”. Ligou para o português Paulo Junqueiro, diretor artístico da WEA, e falou que ele tinha de defender mais o lado da banda e marcar urgentemente uma reunião com a MTV.

Reunião marcada para a semana seguinte, WEA e MTV enfim se acertaram, e o Acústico MTV de 1997 ficou com os Titãs. E como Herbert comentou no making-of do Acústico MTV paralâmico (lançado em 1999), o lançamento “arrombou”. O destino transformou os Titãs num dos grandes sucessos radiofônicos/mercadológicos do Brasil em 1997: 1,8 milhão de cópias vendidas daquele álbum, e vários hits desplugados tomando as rádios naquele ano – “Pra dizer adeus” e “Os cegos do castelo”, citando só dois. E tudo porque Herbert citou a proposta da MTV no palco do Olympia, “ajudando” os Titãs…

8)  Sempre Livre Mix

Como já dito, o Acústico MTV iniciou a fase de maior sucesso comercial dos Titãs – sucesso prosseguido com Volume Dois (1998). Juntamente à trajetória regular dos Paralamas (que também haviam mantido o relativo êxito de crítica e público, com Hey Na Na), as duas bandas mantinham os nomes em alta no fim da década de 1990. Ao mesmo tempo, seguia a lembrança das apresentações antológicas no Hollywood Rock de 1992. Não demorou muito e veio a ideia: por que não repetir a dose?

Rapidamente os empresários das duas bandas chegaram a um acordo (José Fortes, ainda e sempre com os Paralamas; representando os Titãs desta vez, Manoel Poladian). E patrocinados pela Johnson & Johnson, Paralamas e Titãs foram a primeira dupla unida no projeto Sempre Livre Mix. Durante o ano de 1999, pelo menos duas vezes por mês, os amigos se uniam para shows pelo Brasil, no mesmo esquema do Hollywood Rock: cada banda tocava por 40 minutos – embora estivessem promovendo o Acústico MTV, os Paralamas faziam o show “elétrico” -, e ambas se uniam no final para tocarem sete músicas: “O beco”, “Ska”, “Pólvora”, “Selvagem”, “Diversão”, “Comida” e “Lugar nenhum”.

A maratona foi iniciada em São Paulo, em 13 de abril de 1999. E passou por Aracaju, Brasília, Campinas, Goiânia, novamente São Paulo… até terminar, em 20 de novembro, com um show no Metropolitan, casa de shows no Rio recentemente reativada. E essa apresentação carioca foi gravada e disponibilizada num CD, entregue de brinde a quem comprasse o absorvente íntimo feminino que dava nome ao projeto que uniu os Paralamas aos Titãs pela segunda vez.

 

9) A lembrança carinhosa

2001 trouxe dois momentos dolorosos na lembrança dos dois grupos. Os Paralamas viveram momentos “de dor e esperança” – conforme nota divulgada em versão antiga do site -, após o acidente de Herbert. E os Titãs acompanharam proximamente o sofrimento: Tony Bellotto, Branco Mello, Charles Gavin e Nando Reis visitaram algumas vezes o Copa D’Or, hospital carioca onde Herbert ficou internado.

Mas mesmo em meio à dor pela perda de um de seus guitarristas, os Titãs não esqueceram dos amigos que também precisavam de ajuda. E a lembrança carinhosa está registrada no encarte de A melhor banda de todos os tempos da última semana, lançado ainda em 2001. Nos agradecimentos, uma frase singela e comovente dos Titãs está lá: “Um grande abraço para a família Paralamas”.

10) 25 anos de rock

O tempo passou, mas as relações próximas continuaram. Como citado no início destes momentos, Uns dias – Ao vivo trouxe participações tanto de Paulo Miklos quanto de Nando Reis (que deixara os Titãs em 2002). Já como artista solo, Nando ainda cedeu “Pétalas”, para o repertório de Hoje, disco lançado pelos Paralamas em 2005. Porém, já se passara certo tempo desde o Sempre Livre Mix. E a vontade de juntar os três cariocas aos (então) cinco paulistas crescia novamente.

E em 2007, bastou uma reunião casual entre as duas bandas num hotel de Porto Alegre (ambas estavam na capital gaúcha para shows próprios), e nascia a ideia do projeto 25 anos de rock, lembrando a “idade” de ambas. Mais alguns meses se passaram, e enfim foi fechado o acordo para mais uma turnê. Em seu blog, na época, Sérgio Britto lembrou uma frase de José Fortes: “Tá legal. Só tem uma coisa: se a gente for fazer, temos a obrigação de fazer direito!”. Fizeram. Agora, com propósito invertido: na maioria do tempo, as duas bandas ficavam juntas em cima do palco, e tinham apenas um pequeno espaço para sets individuais. E uma participava mais do repertório da outra: o show abria com Herbert Vianna cantando “Diversão”, depois Paulo Miklos seguia com “O Calibre” e assim ia.

 

E a turnê 25 anos de rock ainda contou com vários convidados nas capitais por onde passou naquele 2007. Em Porto Alegre, Fito Paez surgiu da Argentina; em Salvador, Carlinhos Brown esteve no show; em Belo Horizonte, Dado Villa-Lobos figurou no palco. Fora os convidados frequentes: vez por outra, deram canja em vários shows daquela turnê Marcelo Camelo, Arnaldo Antunes e Andreas Kisser. Finalmente, em janeiro de 2008, a apresentação no Rio de Janeiro, na Marina da Glória, foi gravada (contando com Andreas, Arnaldo e um convidado inédito: Samuel Rosa). E virou o combo CD/DVD Paralamas e Titãs juntos & ao vivo, lançado naquele ano.

E embora ela tenha desacelerado após a gravação de 2008, essa turnê não teve um fim “declarado”. Tanto que, muito esporadicamente, Paralamas e Titãs ainda tocam juntos por aí. Basta lembrar o show que abriu o Rock in Rio de 2011 (já sem Charles Gavin, que se afastou dos Titãs em 2010), com a Orquestra Sinfônica Brasileira – e Maria Gadú participando em “Lourinha Bombril”. E o show deste sábado, em Brasília, é mais um capítulo da “turnê” das “nêmesis” Paralamas e Titãs. Concorrentes, sim; amigos, mais ainda.

50 mil no Instagram!

 

Esta semana atingimos uma marca importante: 50 mil seguidores no Instagram Oficial dos Paralamas!

Ele que começou há menos de 2 anos e, nesse curto período de tempo, já conquistou uma legião de fãs por todo o Brasil e por vários países do mundo (Portugal, EUA, Argentina, Uruguai, Venezuela, Peru, México, entre outros).

Agradecemos a todos que nos acompanham por lá. Que ficam por dentro das novidades da banda, da agenda e dos bastidores de shows. Que conferem vídeos de shows em tempo real e que já tiveram a chance de operar o nosso Instagram durante um show para contar a todo mundo as suas emoções, curiosidades e músicas preferidas.

Não segue ainda? É só acessar  www.instagram.com/osparalamas/. :-)