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Retrospectiva Paralamas 2016

 

“O viajar já é mais que a viagem”, “foi um longo caminho até aqui”… trajetórias estão sempre presentes nas letras dos Paralamas, aqui e ali. E por mais que a preferência seja sempre caminhar para frente, impossível não fazer uma reflexão em determinadas épocas. E que época melhor há para balanço do que um final de ano? Então, confira aí uma retrospectiva de 2016 dos Paralamas! Crédito da Foto: Michelle Castilho / Show Circo Voador

 

Começamos lembrando que, no princípio, eram três. “Ué, claro que eram três, quando a banda começou!”, você lembrará. Mas a referência aqui é ao que ocorreu entre 19, 20 e 21 de fevereiro. Após dois shows em janeiro (Fortaleza e Caraguatatuba), o segundo mês de 2016 viu Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone voltarem a fazer uma sequência de shows somente em trio – coisa que não faziam oficialmente desde 1986. E o Teatro J. Safra, em São Paulo, foi o local onde começou o especial #ParalamasTrio – que pipocará neste texto outras vezes.

Mas, se se apresentar em trio de novo era um desejo enfim realizado, continua sendo ainda melhor para os Paralamas terem amigos ao lado em cima do palco. E isso continuou acontecendo em 2016. Em março, rolou uma apresentação com os amigos dos Titãs, no Ginásio Nilson Nelson em Brasília, no dia 5. Pouco depois, começou outra grande festa na qual os Paralamas estiveram junto de queridas companhias: o Nivea Viva Rock Brasil.

Nesse projeto, a história dos 60 anos pop rock brasileiro e seus hits, de Roberto Carlos a Suricato, era exposta em sete shows abertos e gratuitos. E a presença dos Paralamas era dupla, de certa forma. João Barone era o baterista fixo da superbanda que estava no palco: Rodrigo Suricato (guitarra e vocal), Maurício Barros (teclados e vocais), Milton Guedes (sax, flautas e vocais), Dado Villa-Lobos (guitarra) e Liminha (baixo). E a certa altura, os três Paralamas faziam participações no show: com “Meu erro”, “Óculos” e uma versão especial de “Até quando esperar”, da Plebe Rude – mais o acompanhamento para Dado Villa-Lobos, em “Será”, e Nando Reis, em “Marvin” e “Sonífera ilha”. Na frente do palco, além dos Paralamas e Nando, mais amigos: Paula Toller e Marjorie Estiano.

Desde a estreia aberta do Nivea Viva Rock Brasil, em 3 de abril, no Anfiteatro Pôr do Sol, em Porto Alegre, já deu para ver a curtição que seria tocar tantos sucessos para plateias sempre grandes. Só foi melhorando, ao longo dos dois meses de excursão: Rio de Janeiro (Praia de Ipanema, 10 de abril), Recife (Parque Dona Lindu, 30 de abril), Fortaleza (Aterro da Praia de Iracema, 15 de maio), Salvador (Praça Wilson Lins, 22 de maio), Brasília (Parque da Cidade – Dona Sarah Kubitschek, 05 de junho) e, finalmente, São Paulo (Praça Heróis da FEB, 26 de junho).

A essa altura, já é bom dizer: mesmo com os projetos #ParalamasTrio e Nivea Viva Rock Brasil, os shows “normais” dos Paralamas seguiram. Com João Fera, Bidu Cordeiro e Monteiro Júnior, seguiu a velha e deliciosa rotina de várias cidades sendo percorridas Brasil afora. Rolou show em Florianópolis (P12, na praia de Jurerê Internacional, em 12 de março), João Pinheiro (interior de Minas Gerais, em 23 de abril), Sobral (no Ceará, em 4 de julho), Uberlândia (8 de julho), Luminárias (Minas Gerais, 15 de julho), Extrema (Minas Gerais, em 13 de agosto). O interior de São Paulo, então, perdeu a conta de quantos shows teve: Paraibuna (10 de junho, no Largo do Mercado), Pindamonhangaba (19 de junho, no Festival Junino), Piracicaba (24 de junho, no Clube do Sindicato dos Metalúrgicos), Campos do Jordão (29 de julho, no Convention Center)…

Seguiram também as visitas periódicas às capitais. No Rio de Janeiro, mais precisamente na Fundição Progresso, os Paralamas fizeram a apresentação de encerramento do Festvalda, em 9 de julho. Belo Horizonte foi visitada em 23 de julho, no BH Hall. E Salvador foi a parada de 31 de julho, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves.

Ainda antes do FestValda, os Paralamas já haviam marcado presença em outro festival: o velho conhecido João Rock, em Ribeirão Preto, interior paulista. Por sinal, essa performance deu início a uma sequência interessante com mais um grupo de velhos parceiros: a Nação Zumbi, que também se apresentava no João Rock, e que participou de uma sequência, no final do show dos Paralamas. Foi tão bacana que a dupla reapareceu numa noite carioca, agora se apresentando num show completo: em 19 de agosto, ainda em meio aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, num dos shows do Boulevard Olímpico, na Praça Mauá. E, finalmente, Paralamas e Nação Zumbi voltaram a se apresentar juntos em Curitiba, no Teatro Positivo, em 26 de agosto.

Projetos especiais aqui, uma parceria com amigos ali, o show #ParalamasTrio acolá… e o Nordeste foi agraciado com essa última opção. Herbert, Bi e Barone voltaram a subir sozinhos ao palco, em setembro, passando por três capitais nordestinas. João Pessoa, a terra natal de Herbert, não podia faltar: em 17 de setembro, o Teatro Pedra do Reino foi o cenário da apresentação em trio. No dia seguinte, passagem por Natal, no Teatro Riachuelo; e em 19 de setembro, o Recife, no Teatro Guararapes.

O fim do ano seguiu na mesma toada: capitais visitadas (Vitória, Brasília), cidades conhecidas também na lista (com destaque, de novo, para o interior paulista: São José do Rio Preto, São Carlos, Araraquara, Franca – fora o périplo paranaense, por Londrina e Maringá, e uma visita à catarinense Tubarão), duas voltas a São Paulo (29 de outubro, num show no Citibank Hall, seguido de Humberto Gessinger, e 26 de novembro, no Festival da Rádio Nova Brasil FM). Houve ainda mais duas apresentações de #ParalamasTrio em cenários extremamente clássicos aos Paralamas: o Bar Opinião, em Porto Alegre (1º de outubro), e o Circo Voador carioca, eterno nascedouro paralâmico (5 de novembro).

Dava para o ano terminar com uma honrosa visita ao Chile, já que estava previsto o festival Frontera de Santiago, em 3 de dezembro. Não deu: lamentavelmente o festival foi suspenso na última hora. Mas deu para fazer ainda o último show de 2016: Belém (PA), dia 16, em evento de apresentação da nova camisa do Paysandu.

E de qualquer forma, melhor do que lembrar dessas 83 vezes que os Paralamas do Sucesso subiram ao palco neste ano, é ter a certeza de que o longo caminho continua. Motivação não falta. Tanto que 2017, o 35º ano de história dos Paralamas, já começa com três shows no SESC Pompeia, em São Paulo (12, 13 e 14 de janeiro), seguidos de Floripa (dia 21 no P12 Jurerê) e Rio de Janeiro (dia 27 na Arena Banco Original).

A saga continua. Quem quiser, é só chegar. Até porque novidades não faltarão neste ano. Que ele seja bom para todo mundo!

Feliz 2017 Nação Paralâmica!

Paralamas en Chile: ¡siempre enhorabuena!

Bi Ribeiro – Estadio Nacional Chile – 2012

 

En este sábado, 3 de diciembre: ¡Os Paralamas do Sucesso vuelven a ver otros fans en América Latina! Los aficionados ‘paralâmicos’ de Chile podrán ver el grupo en el Festival Frontera, a ocurrir en el Club Hípico de Santiago! Una buena ocasión para que les traigamos recuerdos hermosos de la banda en este país – ¡y no nos faltan recuerdos, en una historia muy larga! (Para ler este texto em Português, clique aqui)

 

Por supuesto, sabéis bien que Os Paralamas do Sucesso tienen una relación muy cercana con América Latina. Al largo de estos 34 años de historia, el grupo de Herbert Vianna, Bi Ribeiro y João Barone empezó en Brasil, naturalmente, pero muy pronto desarrolló gran parte de su trabajo en otros países sudamericanos. Esa relación empezó en Argentina – donde el primer show de los Paralamas ocurrió hace 30 años, en el festival Chateau Rock, ubicado en el estadio Chateau Carreras, en la ciudad de Córdoba. Pero, si la historia empezó en Argentina, podemos decir que Chile fue uno de los capítulos inmediatamente posteriores de la trayectoria de la banda en otras tierras sudamericanas.

Ya en 1987, los primeros álbumes de la banda, como El paso de Luis (O passo do Lui) (1984) y Salvaje? (Selvagem?) (1986) llegaron para venta en las grandes ciudades chilenas. Incluso, Salvaje? ganó disco de oro en Chile, por sus ventas. Con tal interese, en muy poco tiempo, los propios chilenos tuvieron la oportunidad de saber lo que pensaban estos tres jóvenes brasileños. Pero no lo supieron en una performance en vivo, sino en varias entrevistas. En julio de 1988, Herbert, Bi y Barone viajaron a Santiago para los trabajos de divulgación de Bora Bora, su quinto LP. Al diario El Mercurio, Herbert (entonces y siempre, el principal compositor de la banda) ha comentado acerca del contenido de las letras de Bora Bora – y también acerca de la importancia del rock para toda la juventud: “Rock es necesario para la salud de la juventud. Los jóvenes necesitan expresarse y hablar acerca de sus problemas. Todos tenemos historias políticas, económicas y sociales en común”.

Herbert siguió hablando al periódico: “Ahora hay una apertura, una necesidad de expresión de la gente, pues nos sentimos casi sin futuro, porque el único camino que nos ofrecen parece ser la escuela, la universidad, la estructura que nos dieron. Los jóvenes tienen la necesidad de cuestionar, de elegir sus propios caminos, y la música es la mejor antena para comunicar estos mensajes a los que viven los mismos problemas. Por eso el rock tiene tanta fuerza”. Entonces, habló acerca de aquel momento en la banda: “Paralamas hablan a su generación. Los temas de nuestras canciones son la busca de la felicidad – sea política, social o personal. Nuestro último disco (Bora Bora) es mucho más personal. Selvagem? es más social, al paso que el último LP describe la realidad interior de uno”.

 

Show no Parque de las Esculturas

 

En el comienzo de los años 1990 hubo una mala fase en la economía de Brasil, el rock ya no era el más popular de los ritmos musicales en el país de la banda, los discos no eran tan hablados por los brasileños y a muchos periodistas ya no les gustaba el trabajo. ¿Problemas? Por supuesto que no: era la oportunidad de oro para que Herbert, Bi y Barone desarrollasen en el más profundo su trabajo en otros países latinoamericanos. En 1991, al mismo tiempo que mezclaban las canciones del álbum Os Grãos, en Los Angeles (EE.UU), grabaron unas versiones para la antología Paralamas, lanzada en el mismo año en varios países sudamericanos. Entre ellos… Chile.

El éxito fue grande, muy grande. Después de todos los años con entrevistas y visitas promocionales, por fin, los Paralamas llegaron a Chile para un concierto: en 24 de julio de 1992, hicieron su primer show en Santiago, en el Teatro California, junto de varias entrevistas. Al diario Las Últimas Noticias, antes de la performance, en 23 de julio, Herbert ha dicho: “Esa tour obedece a un deseo de tener contato con el público, que ya empieza a distinguir el grupo, especialmente en los países donde estamos bien. En Chile ganamos un disco de oro, y eso significa que nuestra música avanza, sin embargo no haya la misma receptividad para rock como había hace unos años”. Performance hecha, dos días después, El Mercurio fue generoso con el grupo: “Gran show dieron los Paralamas (…) Sonido fuertemente rock, pero lleno del sabor inconfundible del caliente Brasil”.

El álbum siguiente de los Paralamas en América Latina, Dos Margaritas (lanzado en Brasil con el nombre Severino, de 1994), siguió con gran éxito. Y en 1994, la banda hizo más shows en Chile – podría haber hecho uno más, junto de la conocida banda inglesa UB40, en septiembre, pero fue cancelado. Aquel tiempo dejó recuerdos muy lindos, como unas performances en Viña del Mar… pero el álbum Vamo Batê Lata, lanzado en Brasil, en 1995, trajo nueva fase de éxito monstruoso de los Paralamas en su patria natal. Entonces, los shows en Brasil volvieron al primer plano en la agenda. Pero Paralamas no se olvidaron de Chile: en 9 Lunas, la versión del álbum de 1996 para los países latinoamericanos, las versiones de las letras en español fueron hechas por un… chileno! Amigo de la banda, Pablo Ugarte, bajista y cantante del grupo Upa!, escribió letras como “Un industrial” (“Capitão de industria”, en portugués) o “Incompletos” (“Seja você”, en portugués).

Si no hubieron shows de los Paralamas en Chile después del 1994, el accidente de Herbert Vianna, en 2001, puso muchas y naturales dificultades en el camino de la banda. Todas superadas con brillo gigante. La banda volvió a los shows en América Latina: Argentina (2003), Uruguay (2011)… y al fín, ¡Chile! En noviembre del 2012, la historia conmovedora de rehabilitación de Herbert sirvió para el retorno: en la versión chilena del conocido Teleton, el cantor y guitarrista contó su trajectória desde el accidente de 2001. Y los Paralamas pudieron probar a los fans de Chile que la historia siguió bien, presentándose en Teleton, en el Estadio Nacional:

 

 

Pero, João Barone siempre dice: “Si Herbert pudiera, haría shows todos los días de la semana”. Entonces, sólo dos días después del Teleton, en 2 de diciembre de 2012, los Paralamas subieron al palco en el Parque de las Esculturas de la Providencia, en Santiago, para un concierto más, dentro del proyecto “Chile canta Brasil”, organizado por la embajada brasileña en la capital chilena (bajo, un video de ese show):

 

 

Pero… eso hace cuatro años. Mucho tiempo. Ahora, cuatro años y uno día después, los Paralamas vuelven a Chile. ¡Siempre enhorabuena!

Paralamas no Chile: Sempre em boa hora!

Bi Ribeiro – Estadio Nacional Chile – 2012 – Foto: Maurício Valladres


Neste sábado, 3 de dezembro, os Paralamas do Sucesso voltarão a visitar outro país na América Latina. Os fãs “paralâmicos” do Chile verão um show no Festival Frontera, que será realizado no Club Hípico, em Santiago, capital chilena. Boa chance para trazermos lembranças bacanas da banda neste país! (Si quieres leer este texto en español, click aquí)

 

Claro que você sabe que os Paralamas do Sucesso têm uma relação muito próxima com os outros países da América Latina. É possível que você saiba, também, que essa longa relação começou e tem seu ponto mais forte na Argentina – onde os Paralamas fizeram seu primeiro show há 30 anos, no festival Chateau Rock, realizado no estádio Chateau Carreras, na cidade de Córdoba. Mas se a história se iniciou na Argentina, podemos dizer que o Chile foi um dos capítulos imediatamente posteriores na trajetória da banda por terras sul-americanas.

Já em 1987, os primeiros álbuns da banda, como O passo do Lui ou Selvagem?, foram exportados e postos à venda nas maiores cidades chilenas, nas versões em português. Inclusive, Selvagem? até ganhou disco de ouro no Chile. Com tal interesse, em muito pouco tempo, os próprios chilenos tiveram a oportunidade de saber o que pensavam aqueles três jovens brasileiros. Mas não souberam por meio de um show, e sim por várias entrevistas. Em julho de 1988, Herbert, Bi e Barone viajaram a Santiago pela primeira vez, para os trabalhos de divulgação de Bora Bora. Ao diário El Mercurio, Herbert comentou sobre o conteúdo das letras daquele trabalho – e também sobre a importância do rock para a juventude: “Ele [o rock] é necessário para a saúde da juventude. Os jovens precisam se expressar e falar de seus problemas. Todos temos histórias políticas, económicas e sociais em comum”.

Herbert seguiu falando ao periódico: “Agora há uma abertura e uma necessidade de expressão da gente, que se sente quase sem futuro, porque o único caminho parece ser a escola, a universidade e a estrutura que nos deram. Os jovens têm a necessidade de questionar, de eleger seus próprios caminhos e a música é a melhor antena para passar essas mensagens aos que vivem os mesmos problemas. Por isso o rock tem tanta força. Os Paralamas falam para sua geração. Os temas de nossas canções são a busca da felicidade política, social ou pessoal. O último disco é muito mais pessoal. Selvagem? é mais social e o último LP reflete a realidade interior”.

No começo dos anos 1990 com a crise econômica brasileir e as críticas da imprensa ao trabalho da banda, pintou a oportunidade de ouro para desenvolver o trabalho em outros países latinoamericanos. Em 1991, ao mesmo tempo em que Os Grãos era mixado no estúdio Music Grinder, em Los Angeles, os Paralamas gravaram algumas versões de sucessos em espanhol para a coletânea Paralamas, lançada no mesmo ano em vários países sul-americanos. Entre eles, o Chile.

 

Show no Parque de las Esculturas em 2012

 

O êxito da coletânea foi grande. Depois de anos com entrevistas e visitas promocionais, o trabalho começava a dar frutos. Então, enfim, os Paralamas chegaram ao Chile para um concerto: em 24 de julho de 1992, fizeram o primeiro show de sua história em Santiago, no Teatro Califórnia. Ao diário Las Ultimas Noticias, antes da performance, em 23 de julho, Herbert disse: “Essa turnê obedece ao desejo de tomar contato com o público que já está começando a distinguir o grupo, especialmente nos países onde estamos muito bem. Aqui no Chile ganhamos um disco de ouro, o que significa que nossa música está avançando, embora aqui não haja mais a mesma receptividade para o rock de alguns anos atrás”. Show feito, dois dias depois, o diario El Mercurio foi generoso com o grupo: “Grande show deram os Paralamas (…) Som fortemente roqueiro, mas cheio do sabor inconfundível do quente Brasil”.

Dos Margaritas, a versão de Severino lançada simultaneamente pelos Paralamas na América Latina em 1994, seguiu com o grande sucesso. E em 1994, a banda fez mais shows no Chile – poderia até ter feito mais um, em parceria com o UB40, em setembro, mas este foi cancelado. Esse período de andanças chilenas deixou lembranças boas, como os shows em Viña del Mar. Mas o tempo passou, e Vamo Batê Lata trouxe nova fase de êxito no Brasil. Então, os shows na pátria-mãe voltaram ao primeiro plano na agenda. O que não quer dizer que os Paralamas se esqueceram do Chile. Em 9 Lunas, versão de 9 Luas para os países latinoamericanos, as versões das letras foram feitas por… um chileno! Amigo da banda, Pablo Ugarte, vocalista e baixista do grupo Upa!, escreveu letras como “Un industrial” (“Capitão de industria”, em português) e “Incompletos” (“Seja você”, em português).

 

 

Após o acidente com Herbert Vianna, a banda voltou aos palcos da América Latina. Em 2003, os primeiros shows na Argentina após a volta; em 2011, shows no Uruguai… e enfim, a volta ao Chile. Em novembro de 2012, a história da reabilitação de Herbert serviu para o retorno: na versão chilena do conhecido Teleton, o cantor e guitarrista contou sua trajetória desde 2001, e os Paralamas puderam provar aos fãs chilenos que a história seguia bem, apresentando-se no Estádio Nacional de Santiago para o Teleton.

 

 

Mas, como sempre diz João Barone, “se Herbert pudesse, faria shows todos os dias da semana”. Então, só dois dias depois do Teleton, em 2 de dezembro de 2012, os Paralamas subiram ao palco do Parque de las Esculturas de la Providencia, em Santiago, para mais uma apresentação, dentro do projeto “Chile canta Brasil”, organizado pela embaixada brasileira na capital chilena (abaixo, um vídeo do show):

Mas… já faz quatro anos. Muito tempo. Agora, quatro anos e um dia depois, os Paralamas voltam ao Chile. Sempre em boa hora. Ou, como dizem em espanhol, ¡siempre enhorabuena!

Os Paralamas e o Circo Voador

 

Depois de São Paulo João Pessoa, Natal, Recife e Porto Alegre, é hora da série #ParalamasTrio passar por onde tudo começou, o Rio de Janeiro. Neste sábado, dia 5, Herbert, Bi e Barone sobem ao palco do Circo Voador para mais uma apresentação em trio. Mais um capítulo de uma história num espaço tão fundamental na carreira dos Paralamas, como você lerá agora!

 

Todo mundo tem um sonho. No Rio de Janeiro, no começo dos anos 1980, se você fosse um garoto/garota e gostasse de música, você provavelmente tinha três: formar uma banda, ter uma canção veiculada na Rádio Fluminense e tocar no Circo Voador.

Tudo começou em 15 de janeiro de 1982, na praia do Arpoador. Por esforço de cinco sujeitos (Perfeito Fortuna, Maurício Sette, Márcio Calvão e José Carlos Fernandes – mais a produtora e agitadora cultural Maria Luisa Juçá) e autorização do governo do estado do RJ, foi aberto o Circo Voador, tenda dedicada a todo e qualquer tipo de manifestação cultural. Artes plásticas, música, teatro, cinema… cabia tudo no Circo, que ficou no Arpoador por três meses. O espaço foi altamente cobiçado pelos grupos novos, cujas músicas tocavam numa rádio que faria “tabelinha histórica” com o Circo, embora não fosse oficialmente ligada a ele: a Rádio Fluminense (FM 94,9 MHz).

Não que a Fluminense FM (apelidada “Maldita”) só tocasse coisa nova. Mas a partir de 1º de março de 1982, quando inaugurou uma fase de reformulação e dedicação ao rock, disparava as várias fitas demo que recebia, além das novidades que trazia de fora, através do programa “Rock Alive”, do DJ Maurício Valladares,

Era um prato cheio para aquele pessoal carioca que gostava de música. Tocar na Fluminense FM e no Circo Voador passou a ser um grande sonho dos Paralamas, ainda na fase inicial da banda – vale lembrar: o primeiro show da história do grupo ocorreu em 21 de outubro de 1982, e exatamente dois dias depois, após um período parado, o Circo baixou sua lona para ficar de vez nos arcos da Lapa carioca.

Mas se todo mundo tem um sonho, é preciso batalhar para que ele aconteça. E os Paralamas batalharam, pé ante pé. Já se comentou aqui das primeiras apresentações maiores do grupo, no bar Western, em Botafogo, em 30 de outubro e 1º de novembro de 1982. Com o dinheiro da bilheteria desses shows no Western, os Paralamas bancaram a gravação de uma fita demo, no estúdio Retoque, também no Rio, de propriedade do percussionista Chico Batera. Nessa demo estavam “Vital e sua moto”, “Patrulha Noturna”, “Encruzilhada agrícola-industrial” (que foi encurtada para “Encruzilhada”, quando gravada em Cinema mudo) e “Solidariedade não”.

Com a batalha, às vezes surge um empurrãozinho da sorte. Ele veio graças ao irmão de Herbert, o antropólogo Hermano Vianna. Ouvinte da Fluminense, ele sempre participava dos sorteios de LPs que rolavam no “Rock Alive”. Um belo dia, Hermano foi aos estúdios da rádio, em Niterói, para pegar um LP que havia ganho nesses sorteios. Aproveitou a chance: levou a fita demo da banda do irmão, para ver se dava certo. E como deu: Maurício ouviu, gostou e tocou “Vital e sua moto” que passou a ser destaque na programação da Fluminense. Os Paralamas ganhavam o amigo (e fotógrafo) Mau Val para toda um vida.

Sonho de tocar na Fluminense realizado, os Paralamas passaram a conhecer (e a conviver com) vários outros colegas cariocas que gostavam de rock e já tinham suas bandas. Uma delas, aliás, não só já tinha tocado no Circo Voador, mas também participara até de uma coletânea da gravadora WEA (Rock Voador, de 1982, com alguns cantores e bandas que tocavam na Fluminense e no Circo): Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens, que daqui a pouco volta a essa história.

A batalha continuava, uma hora tinha de acontecer. E aconteceu. Herbert conversava com quem pudesse: Ezequiel Neves, a própria Maria Luisa Juçá, até que conheceu Lulu Santos, grande influência dos Paralamas na época. Conversou com ele, ficaram amigos, e daí para a combinação foi um pulo. Em 8 de março de 1983, abrindo para Lulu, os Paralamas do Sucesso conseguiram realizar a segunda parte do sonho: tocaram no Circo Voador.

Se não há vídeos desse primeiro show no Circo, há do segundo. Em 26 de março de 1983, os Paralamas apareceram como uma das bandas da “Primeira Noite Punk do Rio de Janeiro”. Embora não fizessem parte do movimento propriamente dito, simpatizavam com ele e o apoiavam. A ponto de tocarem “Veraneio Vascaína”, composição de dois colegas “punks” que Herbert Vianna e Bi Ribeiro haviam conhecido quando moraram em Brasília – um dos quais, aliás, iria tocar no Circo dali a alguns meses. Ainda nesse show da Primeira Noite Punk, convidaram ao palco aquela banda que haviam conhecido no cenário, da qual já eram amigos: o Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens.

 

Pouco a pouco, os Paralamas viravam habitués do Circo Voador em 1983. Num dos shows, trouxeram como convidado em “Química” um dos compositores de “Veraneio Vascaína”: claro, Renato Russo, que viria com a Legião Urbana tocar ali em outubro daquele ano. Depois, participaram de outro momento importante: o show do primeiro aniversário do Circo. Em 1987, assistindo a essa apresentação no documentário V, o vídeo, Bi Ribeiro teorizou: “Das bandas que tocavam no Circo Voador, a gente era a mais diferente. Todo mundo era ‘roqueiro’: Celso Blues Boy, Barão Vermelho… todo mundo era ‘roqueirão’. A gente destoava um pouco, era até meio malvisto como ‘os bonzinhos’, ‘os primeiros da classe’…”. Herbert Vianna ainda tirava sarro: “Vejam que postura de palco…”. Enfim, veja esse show inteiro de 1983 e tire suas próprias conclusões.

 

 

O Circo Voador cresceu e se tornou um dos mais marcantes espaços culturais cariocas nos anos 1980 e 1990 – até 1996, quando foi fechado pela prefeitura carioca. A lamentação foi grande na época, e alguns shows com o mote “SOS Circo Voador” foram feitos por alguns anos, com inúmeras participações dos Paralamas.

Felizmente, esse não foi o final da história. Em 22 de julho de 2004, com a histórica Maria Luisa Juçá à frente, o Circo foi enfim reaberto, no mesmo lugar de sempre. Meses depois, em 22 e 23 de outubro de 2004, quem apareceu para tocar, na turnê de Uns dias ao vivo? Lógico, os Paralamas, para comemorar o reencontro com aquele lugar que era tão cobiçado (um trecho do show, aí embaixo):

 

 

E a história continuou, com mais capítulos marcantes. Um deles, em 2011. Naquele ano, em junho e julho, os Paralamas haviam se apresentado no SESC Belenzinho, em São Paulo, tocando a íntegra de Selvagem? para comemorar os 25 anos do álbum, em apresentações que seriam únicas. Seriam. Os fãs cariocas se mobilizaram numa plataforma de crowdfunding para terem aquele show imperdível na cidade. E tiveram: em 29 de outubro de 2011, Selvagem? foi (re)apresentado ao Rio de Janeiro, na íntegra.

 

 

Assim como também não dava para a turnê dos 30 anos ficar sem uma passadinha no Circo – e ela aconteceu em 21 de novembro de 2014, no show de encerramento da tour (veja o vídeo de “Bora Bora”, nesse show). E também não dava para a série #ParalamasTrio ficar sem o capítulo no Circo Voador. Pois bem, esse capítulo será escrito neste sábado. Porque se o sonho inicial dos Paralamas era tocar no Circo Voador, melhor ainda é poder continuar realizando esse sonho, mesmo com tantos outros já realizados.

João Fera: 30 Anos de Paralamas!

 

Neste dia 26 de outubro João Fera completará 30 anos acompanhando os Paralamas em cima do palco. Nosso presente vem em forma deste texto sobre a carreira do nosso tecladista!


Em 28 de setembro de 1953, nascia no Rio de Janeiro, João Carlos Gonçalves. Desde a juventude, ele se encantou pela música – a ponto de largar o seminário. Mas ainda demorou um pouco até que ele ganhasse o apelido pelo qual até hoje é conhecido (João Fera), o instrumento com que se firmou (teclado) e a banda com que ligou sua carreira de maneira tão firme.

Nascido numa família humilde, no Cantão do Peixoto (região carioca), João foi do Rio de Janeiro para Minas Gerais, tão logo entrou na adolescência: a intenção era estudar no seminário Nossa Senhora do Sagrado Coração, em Juiz de Fora. Ali, em 1969, ele começou a tocar violão – “de brincadeira, sem nenhuma pretensão musical”. A brincadeira começou a ficar séria em 1970. Nesse ano, João foi convidado para entrar num conjunto de baile, o Black Birds, como guitarrista-base (mais dedicado à harmonia, dentro da música). Convite aceito, o seminário ficou para trás.

Ainda em 1970: João Fera ingressou como guitarrista no grupo URB7. Surgido nas proximidades do campus da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, o grupo ficou muito conhecido por animar as festas de várias cidades do interior fluminense, com clássicos dos anos 1960 e 1970. Paralelamente aos shows com o URB7, João dava aula de violão, todos os dias. Ali conheceu um filho de funcionários da Universidade Rural, que às vezes assistia aos ensaios do grupo: um outro João, de sobrenome Barone. Mas ele volta depois neste texto.

Agora, mais importante é saber que o João professor de violão ganhou nas aulas seu apelido, de outro aluno – cuja identidade o tempo apagou da memória. Conhecendo dois João Carlos, o guitarrista e o baterista do URB7, o aluno decidiu parar com as confusões dos homônimos, dizendo que um João “era o fera no violão”. De tanto falar que o João era fera, veio a nova identidade: João Fera.

Em 1978, João Fera, entrou em outro conjunto surgido em torno da Rural: o Cry Babies Show. E ali o destino o colocou no rumo do instrumento em que ficou. Um belo dia, o tecladista do Cry Babies anunciou que estava saindo da banda, e Fera foi incumbido pelo chefe do grupo para ocupar a lacuna deixada – ou então, perderia o emprego. Restou correr atrás, sendo que nem teclado ele tinha na época. A solução foi prosaica: o novo tecladista desenhou uma sequência de teclas na mesa da cozinha de sua casa, anotou as notas correspondentes em cada uma das “teclas” e, a partir daí, transpôs os acordes que fazia no violão para o “teclado” improvisado. Deu certo: em uma semana, Fera aprendeu a tocar teclado e dominou o repertório do Cry Babies Show. (Em tempo: Já com os Paralamas, Fera tocou violão em algumas faixas de Big Bang, e acompanhava Herbert nas seis cordas, na parte acústica dos shows da turnê de Brasil Afora).

Como tecladista, a carreira de músico engrenou aos poucos. Em 1982, Fera foi escolhido para a banda do cantor e compositor Wando, trabalhando com ele durante quatro anos em shows.

Continuando a morar na região de Seropédica, foi em 1985, pouco depois do Rock in Rio, que Fera assistiu ao primeiro show da banda com a qual seu destino estava ligado. “O primeiro show dos Paralamas a que assisti foi no clube Social do km 47, na Rural, perto de onde eu e Barone morávamos”. Porém, ele ainda nem desconfiava do que viria. Por várias vezes, Fera descreveu as sensações daquele show: “Eu vi e achei uma ótima banda. Pensava só que, em alguns momentos, faltava um teclado. Mas jamais imaginei que o escolhido seria eu!”.

No segundo semestre de 1986, na turnê de Selvagem?, Herbert notou algo, que descreveu ao jornalista Ricardo Alexandre no livro Dias de luta: “Durante os primeiros shows, começamos a sentir falta de uma maior sustentação harmônica, já que estávamos nos envolvendo explicitamente com o reggae, que é mais sincopado e harmônico”. A partir daí, começaram as buscas por um tecladista. Muita gente experiente se ofereceu, mas Herbert e Bi ouviram logo a sugestão de Barone pelo velho conhecido dele nos arredores da Universidade Rural – e àquela altura, seu professor de violão.

O convite dos Paralamas foi recebido com muita humildade, como Fera relembrou a este site: “Quando rolou o convite, devido ao sucesso que eles estavam fazendo, eu, sinceramente, não me sentia à altura de integrar a banda. Eles estavam superfamosos”. O primeiro músico de apoio que os Paralamas teriam no palco ainda ouviu a justificativa pela escolha dele, em detrimento de ofertas mais conhecidas: “Eles tinham uma preocupação muito grande em manter a sonoridade deles, ao passo que se colocassem um músico muito técnico, isso poderia vir a acontecer, segundo me confidenciou o Herbert no primeiro ensaio realizado na EMI”. Para os ensaios, Fera comprou Selvagem?, que não tinha, e ouviu muitas vezes O passo do Lui, para se familiarizar com o repertório.

Desde a primeira apresentação acompanhando os Paralamas, em 26 de outubro de 1986, no Colégio Salesiano, em Niterói, João Fera visivelmente acompanha os três no palco. Não só nos teclados, mas também com detalhes de percussão leve, como pandeirolas e cowbells, além de vocais de apoio.

 

João Fera durante show em Montreux em 1987 – gravação do 4. disco da banda, “D”

 

A mostra pública de que havia mais gente ajudando Herbert, Bi e Barone estava na turnê europeia feita em 1987 – cujo show no Festival de Jazz de Montreux gerou D, primeiro álbum ao vivo dos Paralamas. E uma das músicas inéditas, enviada para as rádios, trazia na introdução a forte presença dos teclados de João Fera. Claro, a referência aqui é  “Será que vai chover?” – que ainda teve versão de estúdio na fita K7 de D (incluída na versão remasterizada para CD, em 1997).

Além dos shows, não demorou muito para Fera se entrosar com toda a equipe também fora do palco. Nem para que pudesse acrescentar à sonoridade. Nas turnês de Bora Bora e Big Bang, ele costumava usar um teclado da Yamaha e um da Roland – sem contar a habitual presença de um órgão Hammond Suzuki XB-2. O “casamento” tinha dado tão certo que Fera logo acompanhava Bi e Barone no Mighty Reggae Beat, projeto paralelo de ambos, dedicado ao ritmo jamaicano. E todas aquelas experiências eram tão marcantes para o tecladista que ele já estava imerso num hábito, mantido até hoje: desde 1986, João Fera tem cadernos e cadernos onde relaciona cada show, cada gravação, cada programa de rádio e tevê que fez junto dos Paralamas do Sucesso.

Em Severino, Fera não participou das gravações em estúdio (por sinal, foi o único álbum em que ele não acompanhou os Paralamas, de 1986 em diante). Mas voltou para a turnê que gerou Vamo batê lata, agora com apenas um teclado Roland D-50, mais o Hammond. Desde então, seu equipamento passou por algumas alterações. De 1995 a 1999, Fera esteve nos palcos com um Ensoniq TS-12 e o Hammond XB-2. No Acústico, em 1999, adotou o piano digital MP-9000 da Kawai. Na volta dos Paralamas, em 2002, o Ensoniq TS-12 retornou, agora auxiliado por um sintetizador Nord Lead, mais o Hammond Suzuki. Logo o Nord Lead saiu, dando lugar a um teclado Yamaha Motif XF8, ou a um Roland RD 700GX. Com o TS-12 posto de lado, desde 2008 João usa nos palcos um piano digital Casio Privia PX-5S, ou o Motif XF8. Também nesse ano, ganhou o patrocínio da Tokai, marca produtora de órgãos – e usa um órgão TX-5 da empresa nos shows.

Junto dessa longa trajetória, houve um momento em que só os shows com os Paralamas já não bastavam para matar a saudade que João tinha dos bailes que haviam formado o seu caráter musical. Então, a partir de 1999, Fera uniu alguns colegas dos anos 1970  para formarem um grupo de baile, com os velhos sucessos de rádio dos anos 1960 e 1970. Era a primeira formação da banda Voyage, que é reativada por Fera sempre que os Paralamas dão uma folga – e onde ele relembra seus tempos de guitarrista.

Esse é o momento individual, outro lado de uma história que já toma quase 30 dos 63 anos de João Fera. Uma história cada vez mais difícil de ser dissociada, como bem descreveu Barone: “Ele construiu a história dele com os Paralamas de uma maneira amalgamada”. Que continue assim. :-)

Paralamas, Skank e Nando Reis: Duas gerações. Amizade tripla!

 

Neste sábado, 8 de outubro, os Paralamas estarão novamente em Brasília! Na capital federal, ocorrerá o Green Move Festival – e Herbert, Bi e Barone aparecerão junto de Skank e Nando Reis. Bom motivo para lembrarmos a ligação entre essas três partes: dois companheiros de geração – que influenciaram e, depois, trabalharam juntos com a banda posterior. Leia!

 

A relação de Nando Reis com os Paralamas já foi bem abordada aqui. Não só pelo longo tempo que ele passou nos Titãs, entre 1982 e 2002, mas também pela relação pessoal. Que começou numa conhecida danceteria paulistana dos anos 1980, como Nando lembrou no making of do DVD de Uns dias – ao vivo e se repete aqui: “Lembro [quando os conheci]. Foi no Rádio Clube, bicho… em 1983/4. Eu lembro bem deles tocando. E lembro do Bi, cara, que tinha aquele topetão, parecia que era do Stray Cats, de brinco”.

De lá para cá, a relação foi se estreitando. Principalmente nos anos 1990. Já se escreveu aqui da participação de Herbert Vianna em “Me diga”, “A fila”, “Meu aniversário” e “ECT”, quatro canções presentes em 12 de janeiro (1994), o primeiro álbum solo de Nando. Também já foi mencionada a parceria entre Herbert e Nando (além de Marcelo Fromer, de memória sempre saudosa) em “O caroço da cabeça”, música que os Titãs gravaram com a voz de Nando no álbum Domingo, de 1995 – e os Paralamas gravaram em 9 Luas (1996).

Ao longo dos anos 2000, o “Ruivão” seguiu bem próximo aos Paralamas. Não só pela música, mas também pela amizade. Acompanhava sempre que podia os passos musicais da recuperação de Herbert – tanto dando canjas nos shows do Reggae B, projeto paralelo de Bi Ribeiro, quanto assistindo e participando das primeiras apresentações da turnê de Longo caminho. Na apresentação do Reggae B que marcou involuntariamente a volta dos Paralamas aos palcos, em 30 de julho de 2002, na boate carioca Ballroom, Nando celebrou ao jornalista Jamari França, que registrou as palavras na biografia Os Paralamas do Sucesso: Vamo batê lata: “Eu ouvi o disco semana passada em São Paulo [Longo caminho teve uma parte gravada nos estúdios Mega, na capital paulista]. Não tinha visto ainda, mas ninguém tinha visto os três tocando juntos. Nós vimos”.

Naquele 2002, ainda, repetimos mais uma lembrança: Nando chamou Bi e Barone para marcarem presença em “Nenhum Roberto”, música dele, presente no repertório de Dez de dezembro, disco póstumo de Cássia Eller. Nada mais lógico, portanto, que em 2003 Nando seguisse participando dos shows da turnê emocionada e emocionante de Longo caminho, como convidado especial. E também seria natural vê-lo dando sua voz a “Tendo a lua”, em Uns dias – ao vivo, registro daquela turnê.

 

 

A relação ganhou mais um momento importante em 2005. Em Hoje, Nando não só deu de presente “Pétalas”,que os Paralamas gravaram, mas também apareceu para colocar o violão na gravação original. A participação especial se repetiu no DVD de Hoje, gravado no fim daquele ano e lançado em 2006. De lá para cá, a amizade segue de vento em popa, fortalecida tanto por mais uma parceria vista em público (desta vez, no projeto Nivea Viva Rock Brasil) quanto pelos encontros fortuitos que volta e meia colocam Nando Reis e os Paralamas do Sucesso frente a frente nos camarins da vida.

A essas alturas do campeonato, não bastasse a carreira e os sucessos que tem como cantor e compositor solo, Nando tem mais uma parceria bastante conhecida. Claro, aqui se fala da dupla dele com Samuel Rosa, que tantos sucessos já deu (para citar só dois, “É uma partida de futebol” e “Resposta”). E o vocalista/guitarrista/compositor do Skank é um dos primeiros a mencionar a influência forte que os Paralamas e Nando tiveram em sua carreira – desde os tempos de Pouso Alto, a primeira banda “pra valer” que Samuel teve. Assim ele comentou, no making-of de Paralamas e Titãs juntos e ao vivo: “Imagina ser convidado pelos caras que te colocaram na música, praticamente, te estimularam?! Os Paralamas tiveram esse papel na minha trajetória, na minha carreira”.

E nem demorou tanto assim para que nosso estimado trio prestasse atenção naquele quarteto que surgiu em Belo Horizonte. Samuel lembrou até um caso engraçado, antes mesmo do estouro nacional do Skank, ao programa Música boa, do canal Multishow, em junho do ano passado: “No início da carreira, ali no início dos anos 1990, a gente estava em BH. E tinha alguns amigos em comum com os Paralamas do Sucesso. Principalmente o nosso empresário, o Fernando [Furtado], era muito amigo do engenheiro de som deles na época, o [Carlos] Savalla, e era amigo do Bi, também. Eu me lembro muito bem que numa época, o Skank fazia temporadas num bar de BH: a gente tocava todo domingo e lotava – não realmente lotado, mas capacidade máxima. E me lembro que no mesmo final de semana, por coincidência, os Paralamas estavam numa temporada em Belo Horizonte”.

Samuel seguiu com a história: “Todo mundo sabe das intersecções entre uma banda e outra, principalmente no início da carreira do Skank – a questão dos metais e tal… E surgiu a possibilidade de convidar os Paralamas para aparecerem nesse bar, depois do show. Para nós, era uma coisa impossível de acontecer, a gente nunca poderia imaginar que os Paralamas do Sucesso poderiam dar as caras para ver uma meninada tocando num bar pequeno em Belo Horizonte. Mas o Fernando falou com o Savalla, que disse ‘olha, grande chance dos Paralamas irem lá no bar’. O nosso show começava às 20h, e a gente ficava cronometrando, olhando no relógio, imaginando a que altura estava o show dos Paralamas, numa casa confortável da cidade, para muita gente. A uma certa altura do nosso show, já caminhando para o final, eu pensei ‘que bobagem a nossa, achar que os Paralamas iam entrar aqui num bar…’. Acabou o show – 22h, nada muito tarde, era domingo -, ficou aquela banda tristinha, guardando os instrumentos, o Haroldo [Ferretti, baterista] olhando para o nosso empresário e dizendo: ‘os Paralamas vão vir, né? Sei…’ Quase todo mundo tinha ido embora”.

Mas o conto de fadas teve final feliz. Complete, Samuel: “Eis que aparece uma cabeleira loira, avantajada, parecendo o Leão de Jah… Bi Ribeiro adentrando o bar, subindo a escada, logo atrás veio João Barone, João Fera também – Herbert não pôde, por causa de alguns compromissos inadiáveis. Entraram ali os Paralamas, para os olhares incrédulos… Montamos o palco rapidinho. O Bi já conhecia, por causa de uma demo que o Fernando deu para ele com ‘Macaco prego’, ‘O homem que sabia demais’… foi a primeira de muitas vezes que Skank e Paralamas tocaram juntos no palco”.

 

O talento de Samuel, Haroldo, Lelo Zanetti e Henrique Portugal não passou despercebido para os Paralamas. Em 1995, quando o Skank já montava no sucesso graúdo do álbum Calango (1994), Herbert elogiava a capacidade do quarteto: “Ao vivo eles são bons demais!”. Posteriormente, Henrique participou de O som do sim, terceiro disco solo de Herbert, tocando órgão Hammond e piano elétrico em “Eu não sei nada”. E finalmente, Samuel deu o ar da graça no supracitado Paralamas e Titãs juntos e ao vivo, participando em “Lourinha Bombril” e “O beco”. Falando em “Lourinha…”, foi ela a canção que Paralamas e Skank executaram no “Altas Horas”, da TV Globo, em 2009.

Neste sábado, essa história continua. Dois representantes de uma geração, influenciando e trabalhando com um dos grandes representantes da geração seguinte. Uma amizade tripla.